EDIÇÃO #779 • 26/08/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom Dia, Dropper!

Hoje eu aprendi: que esta é a última semana de Tim Cook como CEO da Apple, depois de 28 anos na empresa e 15 deles como o líder máximo. Além de ter levado o valuation dos ~US$ 350 bilhões para US$ 4,6 trilhões e de ser o primeiro CEO assumidamente gay de uma Fortune 500, Cook também se dispôs a doar parte do fígado a Steve Jobs - mas levou um grito do próprio Jobs ao fazer a oferta.

No TechDrops de hoje, direto ao ponto:

Bitcoin: a melhor semana dos últimos 3 anos
Lego: o time de software vendendo plástico
Stats: US$ 30 trilhões da Anthropic
•︎ Trending: chovendo no molhado com a Rainmaker
•︎ Luffu: a pulseira inteligente cuidadora de idosos
Contra Dados Não Há Argumentos: vendas na App Store

CRIPTO

Bitcoin: a melhor semana em 3 anos

tl;dr: a criptomoeda mais famosa do mundo subiu 22% na semana, pegando carona no dólar mais fraco e na pressão por regulação.

Depois de um longo período de hibernação e silêncio, seus amigos criptomaníacos reapareceram nos grupos do WhatsApp. Não foi à toa, porque o Bitcoin saltou 22%, passou da marca dos US$ 80 mil pela primeira vez desde maio e comemorou a melhor semana desde março de 2023.

Oscilação no DNA: quem investe em cripto não se abala com o sobe e desce no preço. A média de volatilidade do Bitcoin é de 3,6x a do ouro e 5,1x a do mercado de ações. Desde 2014, o Bitcoin sofreu quatro quedas superiores a 50%, sendo que as três maiores ficaram na média dos 80%.

O BTC ainda está longe da máxima histórica de US$ 125 mil, principalmente porque as criptos perderam espaço na carteira dos investidores, que preferiram seguir para os ativos mais sexy do momento - incluindo data centers, energia, metais raros, chips e qualquer outro elemento que consiga ser relacionado à IA.

Mas se a IA não desacelera, o que justifica o Bitcoin ter conseguido esse respiro?

  • Queda nos rendimentos dos títulos: o Tesouro dos EUA dobrou a recompra de títulos de longo prazo, incentivando a tomada de risco.

  • Dólar mais fraco: aumentou a atratividade do Bitcoin como ativo monetário alternativo.

  • Otimismo regulatório: Trump implorou para o Congresso aprovar a Lei Clarity de regulamentação de criptomoedas.

  • Entradas em ETFs: nova demanda institucional ingressou nos ETFs de Bitcoin à vista (spot).

  • Short squeeze massivo: ~US$ 3 bilhões em posições vendidas (shorts) de criptomoedas foram liquidados, acelerando a alta.

Entre os HODLRS (investidores de longo prazo) com motivos de sobra para comemorar estavam a Strategy, que saltou 7,73%, a Coinbase (+7,58%) e a Circle (+6,42%).

PS: Ethereum (ETH) e Ripple (XRP) também saltaram +30% no último mês.

MUNDO AFORA

→ OpenAI perdeu mais um executivo, agora o head de data centers Chris Malone - o total de líderes da alta gestão que abandonaram o barco passa de 13.

→ SpaceX planeja investir 1 petrobras US$ 100 bilhões em um novo espaçoporto sendo construído no estado de Louisiana.

→ Stability, o lab de IA por trás do Stable Diffusion, levantou US$ 76 milhões com Warner, Universal, Sony e Electronic Arts para evoluir “produção criativa”.

→ DeepSeek, a IA chinesa open-weight mais temida do Ocidente, chega a US$ 70 milhões de receita nos primeiros 7 meses do ano, depois de crescer 10x.

→ Apple, na semana de despedida do chefe Tim Cook, lançou um novo Mac mini para quem quer rodar IA localmente com mais performance e menor tamanho.

COLLAB WITH RD STATION

Como o maior banco de investimentos da América Latina converteu 3x mais com um teste simples

  • A hipótese do BTG: Leads de meio e fundo de funil precisam de uma nutrição mais longa antes de converter?

  • O teste: Dois fluxos rodando em paralelo com intervalos de tempo diferentes

  • O resultado: Um fluxo vencedor gerou 3x mais conversão e virou padrão

Não foi só o BTG. A Aliança Francesa dobrou as vendas depois de integrar as operações de revenue na RD. Já a Seminovos Marajós, reduziu em 25% o custo por lead usando a IA.

Três operações. Três gargalos. Três frameworks replicáveis.

Se marketing e vendas na sua empresa já são operações maduras mas ainda vivem em réguas separadas, pode ter “3x mais de conversão” escondidos no seu funil também.

A RD, em collab com o Drops, mapeou exatamente o que cada caso testou e o que deu certo pra você replicar. Acesse os 3 frameworks aqui

BRINQUEDOS

Lego: o time de software vendendo plástico

tl;dr: a fábrica dinamarquesa mais conhecida do mundo cresceu 22% em receita com forte impulso de novos brinquedos interativos.

Enquanto o mercado de brinquedos tradicionais cresce devagar (~1,7% ao ano), quem entendeu que as telas são as novas rivais na indústria conta outra história. Em uma cidade de menos de 7 mil habitantes na Dinamarca, a LEGO triplicou o time de engenharia de software para vender mais tijolinhos de plástico e cresceu a receita em 22%.

Zoom out: o balanço do primeiro semestre saiu ontem (25/ago) e provou que a estratégia está funcionando. A empresa bateu ~US$ 6,5 bilhões de receita e um lucro líquido de US$ 1,4 bilhão, ganhando participação de mercado em todos países em que opera.

“Se não pode vencê-los”: a LEGO percebeu que seu maior competidor não é a Mattel, mas a tela na mão da criança e que o brinquedo físico só ganha essa briga se roubar do digital o que ele faz melhor: resposta imediata, feedback, interatividade.

Foi a partir desse insight que surgiram os Smart Brick, peças de Lego inteligentes com sensores, que reagem a movimentos, emitem sons, acendem luzes e se conectam com o Smart Play, uma plataforma interativa. A peça segue igual, mas com uma camada nova por cima, que responde quando pronta.

Junto com a plataforma, a LEGO segue investindo forte em licenciamento para ajudar a encher o caixa dinamarquês:

  • Star Wars foi a primeira IP dos Smart Bricks, que estreou logo com a linha mais licenciada do catálogo - e com a base de fãs mais exigente.

  • Pokémon veio em seguida, a parceria mais esperada da empresa em anos.

  • Games: além de disputar a atenção com as telas, a LEGO também as usa para arrecadar ~US$ 1,7 bilhão por ano em jogos eletrônicos como Fortnite, Harry Potter, Star Wars, Batman…

A fábrica dinamarquesa entendeu que empilhar peças plásticas funcionou por décadas, mas que para continuar empilhando dinheiro na era das telas teria que ter uma estratégia diferente. Isso tudo sem mexer no core que a mantém de pé desde 1949.

PS: a LEGO, em parceria com Disney e Marvel, fez um trailer para o filme dos Vingadores inteiramente usando seus produtos!

TRENDING

Chovendo no Molhado com a Rainmaker

Faltando uma matéria para concluir o curso de Física da Universidade de Berkeley, Augustus Doricko resolveu abandonar o diploma para empreender. Três anos depois e o ex-estudante atual-tech-founder acaba de fazer chover ~72 milhões de litros de água a mais no Alasca, em três horas, usando drones.

  • A startup: é chamada Rainmaker, nasceu em 2023 em El Segundo - o polo de hardtech de Los Angeles - e levantou uma Série A de US$ 25 mi no ano passado, liderada pela Lowercarbon do Chris Sacca, com Naval Ravikant e Garry Tan entre os anjos.

  • A missão: reverter a desertificação do oeste americano. O Great Salt Lake perdeu 73% da água desde 1850, e o Rio Colorado, que abastece 40 milhões de pessoas em sete estados, roda no nível mais baixo já registrado. Doricko diz que os dois são o próximo destino dos drones.

  • O feito: dessa semana, sete drones subiram na Península de Kenai, no Alasca, e acharam nuvens que já estavam chovendo pouco. Três horas depois, a empresa estima ter arrancado delas 19 milhões de galões de água, que não teriam caído sozinhos.

Cloud seeding já existe desde 1946, mas ninguém conseguiu provar sua eficácia. A Rainmaker resolveu isso com um radar que mede exatamente a quantidade de chuva que cairia por conta própria e o extra gerado pelos drones.

O jogo segue longe de estar ganho: apesar de o Alasca ter rendido aplausos, Cloud Seeding é crime de terceiro grau em outros estados - com pena de até 5 anos.

BRASIL ADENTRO

→ TikTok é multado em R$ 153 milhões pela ANPD por falhar em proteger dados de crianças e adolescentes na rede social.

→ Primero, a startup transformando empresas Latam ao implementar IA, levanta R$ 62 milhões em rodada seed liderada por General Catalyst e Kaszek.

→ BYX, a fintech de infraestrutura de crédito colateralizado, assina MoU para aquisição das fintechs E-Risk (prevenção de fraudes) e Acredity (marketplace de crédito).

DEVICES

Luffu: a pulseira inteligente cuidadora de idosos

tl;dr: Pulseira de criadores da Fitbit funciona como um serviço de monitoramento para idosos, com uma dose de IA para acessibilidade.

Seis anos depois de venderem a Fitbit por +US$ 2 bilhões para o Google, os cofundadores James Park e Eric Friedman descobriram que cuidar de pais idosos dá tanto trabalho (ou mais) quanto ser CEO. E com base nesse insight criaram a Luffu Link: uma pulseira inteligente para monitorar a saúde da família toda!

O tamanho do mercado e do problema: 1 a cada 4 adultos americanos é cuidador de alguém. Esses cuidadores gastam em média 27 horas por semana nessa atividade, mais do que meio expediente de trabalho por dia.

O lançamento chega no momento em que outros gigantes do wearable, como Whoop, Oura, Garmin e Google lançaram dispositivos sem telas, mas com mais sensores combinando monitoramento com acompanhamento via smartphone - afinal, todo mundo que já tentou clicar no micro-botão de um smartwatch sabe a dor.

  • A parte de software (app) já chegou no começo desse ano e entrega um serviço de monitoramento que custa US$ 20/mês para até 4 pessoas.

  • A parte de hardware (pulseira) chega ano que vem, mas a pré-venda abriu ontem por US$ 249.

O funcionamento é simples, mas completo: combinando monitoramento de saúde durante todo o dia, registros de voz, reconhecimento de localização, alertas para remédios esquecidos ou mudanças nos sinais vitais e a capacidade de solicitar ajuda a contatos de confiança em um único aparelho.

É quase uma vigilância afetiva como serviço, e James Park, ex-CEO da Fitbit e hoje CEO da Luffu, resume: "o objetivo é manter as pessoas saudáveis, seguras, independentes, mas conectadas a quem se importa".

STATS

US$ 30 trilhões

é o que a Anthropic acredita que possa ser a sua receita, caso consiga conquistar 100% do mercado potencial. O número deve ser apresentado no roadshow do IPO, que tem grandes chances de acontecer já no mês que vem.

Para efeito de comparação: as 191 empresas de tecnologia que fazem parte do S&P 500 faturaram juntas US$ 2,4 trilhões no ano passado. O mercado que a Anthropic diz que pode alcançar é 12,5x a soma da receita de todas elas.

PS: o IPO já foi projetado para ~US$ 1 trilhão de valuation, mas já tem muita previsão colocando o fechamento do primeiro dia acima dos US$ 2 trilhões.

via WSJ

CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

Apple: vendas da App Store caíram pela 1ª vez

Variação anual da estimativa de gastos nos EUA, por trimestre (%)

via FT

Enquanto número de novos aplicativos criados está batendo recorde atrás de recorde, as vendas deles na App Store da Apple caíram pela primeira vez em uma década.

Como a Apple justificou o primeiro trimestre no vermelho dos últimos 10 anos?

  • Na call de resultados: atribuiu a queda à variação cambial, na desculpa clássica que serve pra qualquer trimestre ruim. Câmbio explica parte, mas não explica um CFO (Kevan Parekh) admitir publicamente, pela primeira vez, que as mudanças na App Store também pesaram.

  • No discurso institucional: controle fechado do ecossistema = proteção ao usuário. Com a abertura da App Store para aplicativos de terceiros, perde-se a confiança, curadoria e segurança, além da comissão de 30%.

Há um terceiro fator que a Apple não quis citar, mas o povo não deixa de falar: IA. Além de mais pessoas estarem vibe-codando as próprias soluções em vez de baixarem aplicativos, os agentes de IA estão fazendo o trabalho que antes exigia baixar, abrir e interagir com apps.

DROP LIKE IT'S HOT

[para pensar] quanto a sua aversão ao risco está te custando?

[para calcular] quão rico você seria em cada ano em que entrasse como funcionário da Nvidia.

[para aprender] a utilizar o Grok Bot, a nova e badalada inteligência artificial da SpaceX e da Cursor.

[para ler] como universidades deveriam preparar fundadores, by Paul Graham.

[para assistir] Source Material - uma série semanal do Figma convidando designers e criativos para compartilharem referências.

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