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EDIÇÃO #806 • 04/11/2026 • THEDROPS.COM.BR |
Bom Dia, Dropper!
Hoje eu aprendi: que o complexo de banhos geotermais da Islândia chamado Blue Lagoons foi criado em 1992 pelo médico Grímur Sæmundsen com o objetivo de tratar pacientes com psoríase. Hoje, mais de um terço de todos turistas que visitam o país passam por lá - e agora a empresa está abrindo capital na bolsa de valores de Reykjavik e pretende captar € 100 milhões.
No TechDrops de hoje, direto ao ponto:
• Hack: As coisas esquentaram nas geladeiras europeias
• Palantir saiu de .gov para .com︎
•︎ Trending: o Airbnb vende chuva sem molhar o balanço
•︎ Apple: ficou de fora da festa da IA, mas recebeu a conta mesmo assim.
• Stat: U︎S$ 115 bilhões da Marvell

CIBERSEGURANÇA
As coisas esquentaram nas geladeiras européias
A Danfoss corrigiu a falha em agosto, ninguém atualizou, e hackers derreteram freezers de supermercados em sete países europeus durante a madrugada.

Se tudo está conectado, tudo pode ser invadido. Parece drástico, mas quando freezers de supermercados viram alvo de ciberataques e milhares de produtos derretem direto pro lixo você percebe que a coisa é real. E o pior é que aconteceu em sete países da Europa em uma única madrugada.
Na segunda-feira, por volta das 2AM, hackers elevaram a temperatura de geladeiras e freezers de supermercados e lojas de Bélgica, Luxemburgo, Suécia, Estônia, Finlândia, Irlanda e Holanda, causando um preju estimado em dezenas de milhões de euros.
A sequência de desastres eventos foi mais ou menos assim:
9 de agosto: o Team82, braço de pesquisa em segurança da Claroty, achou três vulnerabilidades nos sistemas da fabricante de refrigeradores Danfoss - que liberou a correção no mesmo dia. Havia cerca de 2.765 controladores expostos.
19 de agosto: uma varredura no Shodan (um buscador para aparelhos IoT) encontrou 3.726 aparelhos expostos. Ou seja: o número subiu.
11 de outubro: 700 supermercados franceses são atingidos causando incêndios, fumaça e muitas perdas de produtos.
2 de novembro: a segunda onda atravessa a Europa, dessa vez com mais seis países envolvidos - e a Danfoss confirmando que os modelos são os mesmos e para se proteger bastaria atualizar o sistema.
Para causar esse estrago todo, não foi preciso de visto europeu nem porta arrombada na calada da noite, só encontrar equipamentos expostos a uma falha que já tinha correção.
Para se proteger do calorão, a Danfoss diz que bastaria atualizar o sistema com as versões mais atuais e tá safe. Já a Gizmodo e Reuters reportam que parte dos equipamentos exige modificação física pra ser corrigida.
Para a Comissão Europeia (e outros 17 países) as crises não devem acabar tão cedo, tanto que a diretriz é que famílias tenham estoque de comida e água para pelo menos 72 horas.

MUNDO AFORA
→ Binance descobriu que o ataque hacker que levou US$ 6 bilhões dos seus clientes começou com uma entrevista de emprego falsa e um clique no email.
→ Shopify ficou abaixo das expectativas de receita pela primeira vez desde 2022, e viu sua ação afundar -15% pós balanço.
→ Abu Dhabi assinou quatro acordos com a OpenAI para ter o primeiro governo nativo de IA do mundo até 2027.
→ Bosch vai separar o negócio de semicondutores numa divisão própria a partir de janeiro de 2028, com meta de € 5 bilhões em vendas até 2030.
→ Oracle captou US$ 20 bilhões em ações e dívida numa tacada só, cinco dias depois de dizer que esse seria o teto até 2030.
→ Brave foi processada pelo New York Times por supostamente raspar conteúdo protegido e revender para Anthropic, Perplexity, Mistral, xAI e Cohere.

COLLAB WITH MATH
Testar mais não vai salvar seus projetos de IA
Mais de 40% dos projetos de IA agêntica não vão sobreviver até o fim de 2027 segundo a Gartner. E não é difícil entender por quê: o MIT descobriu que 95% dos pilotos de IA generativa não geram retorno mensurável.
A MATH já gera resultado com mais de 670 produtos de IA e abriu o playbook de como ir do diagnóstico à operação no Guia da empresa agêntica em 2027, em collab com o TheDrops.
Um passo a passo pra sair do piloto e colocar agentes pra trabalhar de verdade: onde entram, o que executam e quanto isso vai custar depois do teste acabar.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Palantir saiu de .gov para .com

Pela primeira vez, a Palantir ganhou mais dinheiro vendendo para empresas americanas (US$ 984 mi) do que para o governo dos Estados Unidos (US$ 953 mi). Em dois anos, o B2B negócio ficou mais de cinco vezes maior que o B2G.
A Palantir, co-fundada por Peter Thiel e o atual CEO Alex Karp, nasceu com dinheiro da In-Q-Tel, o braço de venture capital da CIA, e vende Ontologia: uma camada que traduz os dados espalhados de uma organização em objetos do mundo real - um lote, um navio, um paciente - com as relações e ações que cada um permite. É o que sustenta a soberania de dados: o cliente ajusta modelos abertos com a própria info, dentro do próprio perímetro e sai dono do modelo treinado.
O resto do balanço foi forte:
Receita: US$ 2,31 bilhões, quase o dobro de um ano atrás.
Lucro: mais que dobrou, para US$ 1,13 bilhão.
Projeção: cerca de US$ 8,53 bilhões em 2026.
Dobrar em um ano e chegar nesse nível de receita já é surpreendente, mas fica ainda mais quando o CEO lembra que a empresa nem tem equipe de vendas, com a própria tese servindo como atrativo: a Soberânia Digital - acesso à IA customizadas para sua realidade, sem entregar dados a labs terceiros.
Karp já chegou a repetir que estatizar os laboratórios seria o único jeito realista de lidar com a responsabilidade pela IA. Falta saber se ele ainda segue a mesma ideia agora que o mercado privado passou a ser a maior fonte de receita.
TRENDING
O Airbnb vende chuva sem molhar o balanço
Depois de entrar no mercado de experiências (com serviços personalizados), no mercado de entregas (com reserva de carros, transfers, delivery de alimentos) e no mercado de hoteleiro (com botiques e hotéis independentes)… chegou a hora de entrar onde você menos esperava: no mercado de previsões.
O Airbnb chama de seguro paramétrico, o resto do mundo chama de aposta:
→ viajantes podem optar por pagar uma pequena taxa de seguro na reserva
→ o valor é definido automaticamente com base na probabilidade de chuva
→ se chover, o pagamento é creditado automaticamente na conta do usuário
→ se não chover, o valor da aposta do seguro fica com a casa.
As chuvas precisam chegar a pelo menos 1.5mm em uma hora e acontecer no intervalo entre as 8h-20h para o hóspede receber de €50-€1.000 por dia.
A casa, nesse caso, não é o Airbnb, quem subscreve a apólice é a Chubb. A pergunta seguinte é quem vai precificar a chuva - e as alternativas já existem, estão capitalizadas e fazendo a dança:
→ a Fundação Cacique Cobra Coral
→ a Kalshi acabou de levantar US$ 1 bilhão a US$ 40 bilhões com mercados de clima rodando e US$ 1 trilhão em volume anualizado.
→ a Polymarket está em cerca de US$ 21 bilhões, e clima já entrou na lista de categorias em que ela cobra taxa.
A diferença entre os dois modelos é simples: seguradora precifica uma vez e espera o céu decidir. Mercado de ordens reprecifica a cada segundo, com traders competindo pra preencher. Se a chuva em Boituva passar a ter preço de tela, a apólice vira canal e o contrato vira o produto - a seguradora fica com a distribuição, que é exatamente o pedaço que o Airbnb acabou de ocupar.
DROPPED BY LOGCOMEX
Comprou no mês errado. Pagou o preço. Literalmente.
Se a sua empresa traz produto de fora no fim do ano, provavelmente está negociando cada centavo com o fornecedor. Mas tem um detalhe que a maioria deixa de fora: dependendo do mês, o frete pode pesar mais na conta do que o desconto que você conseguiu.
A Logcomex analisou dados de dois anos de importação pra mostrar: quando comprar, quando embarcar e como sua empresa se posiciona no mercado. O Radar de Importação de Bens de Consumo 2026 reúne médias e tendências do mercado, além de seis ferramentas interativas pra usar com os números da sua operação.

BRASIL ADENTRO
→ Mercado Bitcoin interrompeu os saques depois que um hack levou US$ 40 milhões em criptomoedas - a corretora promete o reembolso a todos clientes.
→ Vereda, a AgTech conectando produtores a distribuídores de peças agrícolas, captou R$ 30 mi em seed liderada por Valor e Canary."
→ Bloquo, a fintech de infraestrutura para stablecoins, captou uma rodada seed de R$ 20 mi com Crescera Capital e Triaxis Capital.
→ Lume Robotics opera dez veículos autônomos para Suzano e ArcelorMittal e quer dobrar a frota em 2027.

EARNINGS
Apple ficou de fora da festa da IA, mas recebeu a conta mesmo assim.
A única big tech que não construiu data center teve de cortar a projeção de margem por causa de chip de memória.

Se 9 em cada 10 big techs recomendam investir pesado em infra e modelos de IA, o décimo dentista a exceção é a Apple. Mas isso não significa que ela tenha ficado imune aos impactos da gastança. Um breve resumo da ópera:
→ Uma empresa econômica: para cada US$ 1 que a Apple gastou em capex este ano, os cinco hyperscalers (Microsoft, Meta, Amazon, Google e Oracle) gastaram US$ 88.
→ E protegida: passou um bom tempo estocando memórias - que estão ficando escassas. Isso ajudou a manter preços por um bom tempo, mas a pressão chegou.
→ Mas com um futuro difícil: não repassar o preço para o consumidor baixou as margens. E a possibilidade de repassar em breve pode reduzir a receita. Um dilema que não permite vitória nas duas linhas.
O novo CEO John Ternus disse que “o que estamos vivendo com os preços de memórias é sem precedentes” e que a empresa precisou alocar US$ 33 bilhões adicionais no trimestre só para garantir o suprimento dos chips DRAM.
Mesmo sem memória para dar e vender, o império da maçã ainda trouxe US$ 114,5 bilhões de receita no trimestre:
iPhone: US$ 57,58 bilhões (vs. US$ 56,54 bi estimados)
Mac: US$ 10,79 bilhões (vs. US$ 9,61 bi estimados)
iPad: US$ 6,23 bilhões (vs. US$ 6,7 bi estimados)
Serviços: US$ 31,57 bilhões (vs. US$ 31,58 bi estimados)
Wearables, Casa e Acessórios: US$ 8,3 bilhões (vs. US$ 9,06 bi est)
Receita recorde, lucro recorde, melhor ano fiscal da história e empresa mais valiosa do mundo. Mesmo assim, a ação despencou -4% durante a call..
Por que? Por 25 anos a cadeia de suprimentos foi a principal arma da empresa - escala e caixa compravam preço que ninguém mais conseguia. Mas assim que os chips de memória encontraram um novo caso de uso (data centers de IA), toda a vantagem e relacionamento construído por décadas se dissipou.
E se a empresa com a melhor cadeia de suprimentos do planeta, US$ 57 bilhões em caixa líquido e poder de compra de US$ 33 bilhões por trimestre não conseguiu segurar o preço, ninguém no seu orçamento de 2027 vai conseguir.
STATS
US$ 115 bilhões
é quando a Marvell (a fabricante de chips, não de super-heróis) está pagando para adquirir a Lumentum (a fabricante lasers de chips) no que está sendo considerada a segunda maior aquisição tech da história - atrás apenas da fusão da SpaceX e xAI.
CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS
Backlog da carteira de contratos em nuvem (RPO)

As quatro gigantes da nuvem somam quase US$ 2,5 trilhões em contratos assinados que ainda vão virar receita. E quase metade disso, cerca de US$ 1,1 trilhão, vem de só dois clientes - que ainda não geram receita suficiente para cobrir a despesa:
OpenAI: US$ 785 bilhões
Anthropic: US$ 330 bilhões
Só a Oracle tem mais de metade da carteira grudada em OpenAI. É o sintoma de uma relação complicada no mercado: a demanda é enorme, mas a concentração é mais.
DROP LIKE IT'S HOT
[para ler] como até Elon Musk achou a conta de inferência do Grok cara demais e cortou limites de uso.
[para a posteridade] mande seu nome rumo a Titã, a lua de Saturno, a bordo do drone Dragonfly da NASA.
[para fazer call] com Abu Dhabi, Nova York e Lisboa sem fazer conta de fuso de cabeça.
[para perder 10 minutos] tentando gastar a fortuna do Bill Gates. Depois de uma semana de deals de US$ 80 bi, é educativo é terapêutico.
[para investigar] os detalhes tecnicos e sórdicos do hack da Binance.

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