EDIÇÃO #772 • 10/08/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom Dia, Dropper!

Hoje eu aprendi: que mesmo guardando a sete chaves todas as receitas que já produziu desde 1759, a Guinness não consegue reproduzir sua cerveja de 1864 - o caderninho não armazena levedura e é ela que faz o trabalho. Mas a peça que faltava acabou de aparecer: uma garrafa recuperada depois de passar 162 anos num naufrágio no Canal da Mancha. Agora, cientistas querem sequenciar o genoma das células mortas e fermentar um irmão moderno da original - já que o backup de 260 anos de arquivo corporativo não deu conta.

No TechDrops de hoje, direto ao ponto:

Canva: financiando a própria ameaça
MySpace está de volta?
Trending: Sergey Brin cancelou a aposentadoria
Stat: $ 1,5 trilhão para fábricas de IA
China: o SENAI dos humanóides
Contra Dados Não Há Argumentos: AI Overview do Google

BUSINESS

Canva: financiando a própria ameaça

A OpenAI acaba de adquirir uma startup que faz exatamente a mesma coisa que o seu cliente…

O Figma era cliente da Anthropic - até ela decidir lançar o Claude Design e passar de fornecedor para concorrente. O Canva é cliente da OpenAI, que acaba de comprar a NextSlide, uma startup de apresentações por IA com 1 ano de vida. Não precisa de bola de cristal: é o mesmo filme, só mudou o elenco.

Sem colocar dinheiro, o Canva financiou a própria ameaça com algo mais valioso: dados. Passou os últimos anos ajudando a treinar o modelo de imagem que rouba seus usuários desde abril - da mesma OpenAI que agora ataca uma categoria que o Canva levou 13 anos construindo.

A teoria (e os termos de uso) dizem que os dados de clientes não são utilizados para treinamento de novos modelos ou desenvolvimento de novos produtos.
A prática (e os lançamentos) contam outra história:

  • Figma fez parceria com a Anthropic, usando sua API para as features de IA da sua ferramenta. Meses depois, a Anthropic lançou o Claude Design.

  • Harvey construiu seu império jurídico rodando em tokens da Anthropic, depois assistiu a fornecedora lançar o Claude for Legal.

  • Novo Nordisk usa Claude para desenvolver remédios, agora a Anthropic tem um braço para desenvolver os próprios, o Claude Science.

  • Intercom construiu seu agente de voz usando a API da OpenAI, que depois lançou o Presence, um agente de voz e chat enterprise.

  • Abridge vende documentação clínica rodando na OpenAI, que depois lançou o ChatGPT for Healthcare, com documentação clínica inclusa.

  • Microsoft colocou bilhões na OpenAI, que agora constrói um concorrente do LinkedIn chamado OpenAI Jobs Platform.

O plano de fuga já está em execução: o Canva cortou o custo por tarefa em quase 90% desde abril, roteando o grosso do trabalho pra modelos próprios e menores. DoorDash, Airbnb e Lindy também rodam parte da IA em modelos chineses - que por sinal, passaram os americanos em consumo de tokens pela primeira vez.

Anos atrás, o medo de toda startup era recusar uma venda para Zuck e ver o Facebook usando o canhão de distribuição para espalhar uma função clonada. Hoje, o medo é precisar usar uma estrutura e acabar sendo o próprio combustível da cópia.

MUNDO AFORA

→ByteDance: a empresa por trás do TikTok está treinando um modelo de IA de 10 trilhões de parâmetros que baterá de frente com o Mythos da Anthropic.

→ Cloudflare: depois de dizer que o tráfego de bots vai exceder o humano na web em 1000x dentro de cinco anos, lançou o próprio navegador para agentes.

→ OpenAI: o primeiro device oficial, criado com Jony Ive, deve parecer um disco de hockey super inteligente com o preço provável de US$ 400.

→ Sony: está sendo processada em cinco países diferentes por práticas anticompetitivas.

→ Apple: já está testando chips de memória da CXMT para os iPhones e Macs vendidos na China.

REDES SOCIAIS

MySpace está de volta?

A rede social que bombou na era pré-Facebook ensaia o seu retorno…

Nos anos 2000, todo mundo queria ter um MySpace e ser amigo do Tom. Mark Zuckerberg foi além e ofereceu US$ 75 mi pela rede - e tentou de novo por US$ 750 mi. Em 2011, sem grana, o founder acabou vendendo por US$ 35 mi para a Specific Media e Justin Timberlake. Mas a história não acabou: os donos anunciaram que vão relançar a rede social.

Nostalgia as a Business: com uma base de usuários cada vez mais cansada dos algoritmos, reviver a web 2.0 virou tese. O fundador do Orkut tentou primeiro com o Hello, Kevin Rose e Alexis Ohanian compraram o Digg de volta em 2025, e agora o MySpace entra na fila.

Antes de você se animar e pedir pro Claude um HTML novo para o seu perfil customizado, o anúncio é só um “vem aí”. Ele foi feito num documentário sobre a história do app, sem data nem detalhe de produto — "estamos esperando o momento certo", disse Tim Vanderhook, um dos donos.

E esse “momento certo" de relançar o MySpace tem um obstáculo: a nostalgia que querem vender foi deletada.

  • O que aconteceu: o MySpace admitiu que uma migração corrompeu tudo que foi enviado à plataforma entre 2003 e 2015 - justamente os anos de crescimento.

  • O que foi perdido: 50 milhões de músicas de 14 milhões de artistas, além de fotos e vídeos. Doze anos de internet apagados de uma vez.

  • A parte mal contada: usuários reclamavam havia mais de um ano que nada tocava. A empresa disse que o delete foi acidente, o Vale entendeu que foi corte de custo (o ativo não gerava receita para cobrir o storage).

  • O que não ajuda: é o histórico dos novos donos. Os Vanderhook queimaram mais US$ 150 milhões num redesign que espantou primeiro os anunciantes e depois os usuários.

Bottom line: nostalgia garante uma visita rápida, mas quem segura o morador são as pessoas e o conteúdo. As pessoas o MySpace perdeu para o Facebook há décadas… o conteúdo eles mesmos deletaram.

TRENDING

A aposentadoria cancelada de Sergey Brin

Na semana passada o Google perdeu quatro dos seus principais engenheiros no mesmo dia. Essa semana, ganhou de volta um dos engenheiros mais importantes da sua história: o co-founder Sergey Brin está de volta à liderança do Gemini.

Sergey Brin é um dos dois cofundadores do Google e o terceiro homem mais rico do mundo com uma fortuna pessoal de +US$ 250 bilhões, fruto dos ~6% de ações da Alphabet, avaliada em ~US$ 4 trilhões.

Brin até que tentou se aposentar em 2021, mas depois de um ano viajando o mundo no seu o de meio bilhão, já estava de volta ao escritório 3-4 dias por semana, escrevendo código e memos dizendo que o Google precisava acelerar.

O padrão dos fundadores bilionários voltando ao chão de fábrica se repete:

  • Zuck ligou o founder mode e reorganizou toda empresa em torno de IA.

  • Musk criou a xAI do zero e transformou em um big lab em dois anos.

  • Brin estará pessoalmente comandando a equipe responsável pelo Gemini.

Nem os smartphones, nem a nuvem, nem cripto, nem quantum… nenhum breakthrough conseguiu trazer tantos founders de volta aos times de produto. IA trouxe todos de volta em ~2 anos.

DROPPED BY HUBSPOT

O gargalo de vendas não é problema de lead, é de contexto

Se a IA prometeu devolver tempo pro comercial, por que 62% dos vendedores brasileiros ainda queimam 5+ horas por semana em tarefas que não são vender?

Ter IA e operar com IA são coisas diferentes. E para fechar esse gap, a HubSpot liberou 3 materiais gratuitos para os times comerciais:

  • Panorama do Go-to-Market no Brasil 2026: Veja pra onde estão indo essas 5h dos vendedores e conheça estratégias para otimizar o pipeline com IA Baixar relatório

  • Sales Assessment: 2 minutos para calcular o custo real da prospecção manual do seu time Fazer avaliação

  • Guia Sinais de Intenção: o guia que mostra como identificar quem já está pronto para comprar Acessar o guia

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ROBÓTICA

O SENAI dos robôs

A China inaugurou a primeira faculdade para robôs humanoides.

Escola de robótica já significou cursos de montagem e também de programação e mecatrônica. Mas a China acaba de dar um novo sentido para isso, porque abriu em Hangzhou a primeira escola técnica PARA robôs humanoides do mundo - e a turma inaugural tem 30 calouros matriculados.

A escola funciona como qualquer instituição superior que você conhece: avaliação de entrada, grade curricular, aula prática e prova final. Quem passa recebe certificado para trabalhar nos setores industrial, de serviços, segurança e entretenimento.

A diferença é que no lugar dos humanos, entram os humanoides - e não são nada recomendados os banhos de lama.

O currículo tem quatro trilhas: (i) habilidades técnicas, (ii) enfermagem, (iii) artes e (iv) esportes, e as aulas são ajustadas ao hardware de cada aluno máquina, porque não adianta ensinar fisioterapia pra quem não tem motricidade fina.

Por trás da fofura de robô jogando bola no recreio, a engenharia é séria:

  • Quem toca: o Instituto de Robótica da Universidade de Zhejiang + parceiros da indústria, dentro de uma base-piloto nacional de IA incorporada (embodied AI).

  • Por trás: o investimento segue em linha com o Plano Quinquenal da China (2026-2030), que coloca robótica avançada e IA física no centro da estratégia nacional de desenvolvimento.

  • O que roda: modelos vision-language-action com camada de raciocínio. O robô analisa obstáculos que nunca viu e replaneja a rota, em vez de executar script decorado.

  • O que sai: unidades certificadas, com capacidades comprovadas em ambiente que simula a imprevisibilidade do mundo real.

E é aí que mora a jogada, já que o diploma muda a conversa de compra:

→ Hoje, adquirir um humanoide é comprar hardware experimental generalista e torcer para que ele entenda sua necessidade.
→ Amanhã, contratar um robô profissional trará junto o histórico, certificado, trilha de treinamento e habilidades testadas - e que podem ser replicadas de “cérebro para cérebro”.

Enquanto o Ocidente corre para construir o robô, a China constrói a infraestrutura de deployment: padrão, certificação e escala. E não por acaso isso acontece em Hangzhou - a mesma cidade sede da Unitree e do DeepSeek.

BRASIL ADENTRO

→ Banco Central vai reter transferências de cripto acima de US$ 10 mil por 24 horas para evitar o uso de blockchain para fraudes.

→ ANPD (a Agência Nacional de Proteção de Dados) determinou que o Estado do Paraná não pode mais fazer reconhecimento facial nas escolas públicas.

→ Alloha Fibra, uma das maiores operadoras de fibra independentes do Brasil, vai captar US$ 350 milhões com títulos de dívida fora do país.

→ Plinq, o app verificando os processos judiciais e antecedentes criminais dos parceiros antes das mulheres saírem no date, capta R$ 1,3mi com a Spectra.

STATS

US$ 1,5 trilhão

é quanto Microsoft, Amazon, Meta e Google devem gastar para construir as "fábricas de IA" entre este ano e o próximo. As maiores geradoras de caixa da história estão gastando tudo o que têm, tomando emprestado por cima, e ainda assim deixando receita na mesa por falta de lugar pra plugar servidor.

Isso porque o que as tornou as maiores empresas do mundo não é exatamente o que as manterá por lá:

  • Asset-light: a primeira fase, com modelos de negócio baseados em software e digital ads - ativos escaláveis, replicáveis, margens altas sobre quase nenhum ativo físico.

  • Asset-heavy: a segunda fase, com prédios gigantescos chamados datacenters, chips, cabos, máquinas e energia - ativo que deprecia, consome caixa e comprime margem antes de provar retorno.

Mesmo esgotando as reservas, as hyperscalers dizem que não é suficiente: a demanda segue maior que a capacidade.

→ A Microsoft acumula US$ 678 bilhões em contratos já vendidos esperando capacidade para rodar.
→ O backlog do Google Cloud já está em US$ 514 bilhões.
→ A Amazon tem US$ 496 bi na fila e diz que o gargalo não é dinheiro, mas memória e energia.

CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

Google AI Overviews

Minutos de uso por dia por usuário ativo diário (DAU), no app do Google no iPhone

Para quem tocou as trombetas do apocalipse proclamando a morte do Google, más notícias. Depois de 18 meses flat em ~5min por usuário, a chegada do AI Mode fez o tempo de uso praticamente dobrar no último ano.

Bom para o Google: o produto que era uma resposta defensiva atrasada virou a maior alavanca de engajamento do app em uma década. Um dos perks de ser dono da distribuição direta para 2 bilhões de usuários.

Ruim para os demais: esses 4 minutos extras saíram de algum lugar. Se o usuário passa mais tempo dentro do app do Google, ele está clicando menos para fora - e quem vive de tráfego orgânico (publisher, e-commerce, SEO) está financiando essa curva sem receber nada por ela.

O Google deixou de ser a porta de entrada da internet e virou o destino final.

DROP LIKE IT'S HOT

[para organizar] a bagunça das suas abas do navegador com tabs verticais.

[para entender] tecnicamente o incidente do agente rebelde do ChatGPT

[para aprender] com Sergey Brin sobre para onde IA está caminhando

[para refletir] sobre como pensar sobre Work Life Balance

O que achou da edição de hoje?

Lemos tudinho!

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