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EDIÇÃO #785 • 11/09/2026 • THEDROPS.COM.BR |
Sexxtou, Dropper!
Hoje eu aprendi: que a Sega já tinha seu próprio “Game Pass” em 1994 por US$ 15/mês. O Sega Channel entregava até 50 jogos rotativos via TV a cabo. Com o modelo certo na hora errada, a ícone do games encerrou com 250 mil assinantes, após bater apenas ¼ da meta.
No TechDrops de hoje, direto ao ponto:
•︎ Amazon virou revendedora de ChatGPT Ads
•︎ Bending Spoons entorta mais uma, o Miro
•︎ Apple está thinking different em IA
•︎ Contra Dados Não Há Argumentos: a grana dos IPOs voltou!

MÍDIA
Amazon virou revendedora de ChatGPT Ads
TL;DR: A terceira maior plataforma de anúncios do mundo se junta à maior empresa de IA para vender ads direto no Chat.

A terceira maior vendedora de digital ads do mundo achou que US$ 69 bilhões de receita era pouco e vai começar a vender os ads da maior empresa de IA do mundo. Sim, agora seu time de marketing pode comprar ads no ChatGPT diretamente pela Amazon.
A decisão vai na contramão do posicionamento anterior da Amazon, que restringia severamente o acesso à sua vasta loja virtual por parte dos apps de IA como ChatGPT da OpenAI , Claude da Anthropic e Gemini (do Google), ao mesmo tempo que investia nas próprias ferramentas de compras de IA.
Mas se não pode vencê-los, junte-se a eles…
ChatGPT Ads: chegou aos 900 milhões de usuários ativos semanais e, apesar do lançamento acabar de acontecer, os Ads do chatbot já cruzaram a linha de US$ 1 bilhão de receita.
Amazon Ads: já fatura ~US$ 69 bilhões e agora quer uma fatia do bolo da OpenAI. A gigante do e-comm admitiu que esse formato de anúncio é a oportunidade de engajamento que mais cresce para marcas.
Nessa parceria, a Amazon vende, configura e gerencia as campanhas, enquanto a OpenAI controla todas as decisões de veiculação dos anúncios, que vão aparecer como texto ou imagens abaixo das respostas do ChatGPT e não interferem ou influenciam o conteúdo de IA.
Cerca de 95% dos usuários do ChatGPT são free. Ou seja: quando os ads estiverem rodando em todo o mundo, 95% dos usuários do ChatGPT estarão aptos a colocar um pouco mais de grana no cofrinho da Amazon.

MUNDO AFORA
→ The Boring Company, a empresa chata de túneis de Musk, captou US$ 3 bi a um valuation de US$ 23 bi em rodada liderada pelo fundo soberano dos EAU.
→ Nasdaq vai investir US$ 100 milhões na controladora da Kraken para expandir capacidades de tokenização de ações.
→ Automattic, a empresa do WordPress, decidiu colocar o CEO Matt Mullenweg em licença remunerada e nomear o CFO Mark Davies como CEO interino.
→ Meta lançou o Muse, o primeiro agente pessoal de Zuck com acesso nativo a outros aplicativos.

M&A
Miro: a nova compra da Bending Spoons
TL;DR: O conglomerado italiano foi às compras novamentes. A colher da vez é a startup de trabalho colaborativo adquirida por 7,7% do seu valuation máximo.

O playbook da Bending Spoons parece ter só uma página: comprar uma startup que já valeu muitos bilhões e agora vale poucos milhões. Mas como em time que está ganhando não se mexe, eles usaram o método de novo e compraram o Miro, o quadro branco colaborativo da web.
No auge da sua carreira startupeira, em 2022, o Miro chegou a valer US$ 17,5 bilhões, mas agora foi comprado por US$ 1,35 bilhão (num downgrade de 92,3%). No mesmo padrão das outras adquiridas (Evernote, Vimeo, AoL, EventBrite, Airtable, Tractive, etc).
Apesar do rebaixamento no valuation, em termos de performance, a startup continua jogando na série A com US$ 600 milhões de receita recorrente anual (ARR), 4 milhões de usuários pagantes sendo 90% de clientes enterprise e negócios e cash-flow positive. Próximos passos?
Para o Miro: durante seus ~15 anos de jornada, a startup levantou ~US$ 500 milhões em venture capital, que via de regra vem acompanhado de preferência de liquidação. O que significa que ~provavelmente~ os investidores são os primeiros a receber o retorno, seguidos dos fundadores e, se sobrar, dos funcionários com stock option.
Para a Bending Spoons: assim como fez com as demais adquiridas, devem enxugar os custos (overlay de backoffice), diminuir o time (demissões), cortar benefícios (planos gratuitos, freemium) e continuar operando o business de forma independente.
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TRENDING
Claude treinou e armou seus próprios rivais?
Como o Governo Trump proibiu a exportação de chips de ponta para a China, ninguém sabia muito bem como os chineses conseguem treinar modelos de IA tão capazes (ou mais) quanto os modelos americanos. Mas a Anthropic disse que achou parte da resposta.
Em um relatório quilométrico carinhosamente chamado de “Detectar e combater o uso indevido de IA” a startup afirma que pelo menos 7 labs chineses usaram contas falsas, cartões e chaves roubadas para extrair respostas do Claude e treinar seus modelos, entre eles: DeepSeek, Moonshot e Xiaomi.
Não foram só os grandes labs que tiraram uma casquinha do Claude. Como a barreira de entrada despencou, qualquer indivíduo tem nas mãos a capacidade que antes era restrita a governos e equipes especializadas, o que gerou…
Ciberataques autônomos: agentes encontraram brechas, roubaram dados e reconstruíram o próprio malware quando eram detectados.
Espionagem russa: uma operação ligada ao Midnight Blizzard automatizou ataques a governos, diplomatas e organizações militares.
Vigilância política: atores ligados a governos usaram Claude para mapear dissidentes, analisar milhares de posts e criar dossiês.
Propaganda industrializada: campanhas de fake news, perfis falsos e conteúdo político em massa foram criadas.
Armas reais: grupos desenvolveram software de foguetes, enxames de drones, guerra eletrônica e sistemas de mira - com testes em campo.
Golpes românticos: uma empresa chinesa criou +20 apps de namoro, com 4,7 mil personagens de IA conversando com 25 mil pessoas e enviando 2,36 milhões de mensagens em duas semanas.
Segundo a Anthropic, seu modelo virou involuntariamente um professor clandestino de alunos chineses e a ameaça não está apenas no que a IA sabe fazer, mas em quantas pessoas agora fazem o que quiserem com ela.

BRASIL ADENTRO
→ Unico, a idtech brasileira, comprou a argentina Valida para expandir o combate a fraudes na América Latina.
→ Strattum, a startup de infra de dados para IA, adquiriu (acqui-hire) a Tropicália, especializada em engenharia de contexto.
→ Nubank iniciou suas operações nos EUA com conta global, cartão de crédito e transferências sem custo para Brasil, México e Colômbia.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Apple thinking different em IA
TL;DR: Celular dobrável roubou a cena, mas a gigante também mostrou (nas entrelinhas) como vai usar a IA na prática.

Preço de MacBook, tamanho de iPad, formato de um passaporte e nome de smartphone… no primeiro evento com John Ternus como CEO, a Apple apresentou o seu primeiro iPhone dobrável (Duo). Mas mais importante que dobrar um celular, foi a entrada da Apple no ringue da IA.
Enquanto os influencers focavam nas novas cores de iPhones e iWatches disponíveis, sem usar essas palavras, a Apple mostrou como está discretamente construindo a camada de dados e contextos que um assistente precisa para entender o seu dia a dia.
A harmonização completa da Siri com Apple Intelligence inclui:
Live Rewind permite acompanhar rapidamente ou rever o que acabou de ser dito, exibindo um trecho de texto no seu Apple Watch.
Siri Recap faz anotações sobre suas conversas ao longo do dia e cria resumos de alto nível. Você pode manter o foco no momento e usar os resumos mais tarde para refrescar a memória.
Reconhecimento de Som alerta os usuários do Apple Watch sobre sons específicos, como a campainha ou uma sirene - notificações particularmente úteis para pessoas surdas ou com deficiência auditiva.
Privacidade: comodidade de um lado, questões sobre um aparelho te ouvindo 24 horas por dia do outro, mas tudo chega com “opt-in” e a Apple promete que nada fica armazenado por lá.
Para a Apple: os labs de IA lançam novos modelos dia após dia e a big tech entendeu que é mais inteligente (e econômico) se juntar às criadoras do que tentar entrar na corrida sozinha.
Para o usuário: no bom e velho “think different”, a Apple se mantém agnóstica, dando ao usuário a opção de escolher quem pode usar seus dados valiosos para construir as experiências de agentes, enquanto ela mesma constrói o melhor ambiente para esses agentes operarem - o seu iPhone/iWatch/iPad/MacBook, etc.
STATS
US$ 1,5 bilhão
foi quanto a Meta ofereceu para conseguir contratar Andrew Tulloch para o seu time de inteligência artificial. Ele aceitou, mas menos de um ano depois, ontem, anunciou que está de partida novamente.
Como uma só pessoa, trabalhando como pesquisador de IA, pode valer tantos zeros no contracheque? O currículo de Tulloch responde:
Goldman Sachs: atuou como estrategista de finanças quantitativas.
Facebook: como machine learning engineer e depois AI researcher.
OpenAI: engenheiro e pesquisador do GPT-4o e GPT-4.5.
Thinking Machines: entrou como cofundador ao lado de Mira Murati.
Meta: voltou para o time de Zuck na equipe de superinteligência.
Anthropic: ainda sem título ou salário revelado.
CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS
A grana dos IPOs está de volta
Capital levantado em IPOs nos EUA (no ano até agosto, em dólares americanos)

IPO (initial public offering) é quando uma empresa ou startup privada decide se aventurar no mercado de capitais e consequentemente dar liquidez aos seus investidores, founders, acionistas e funcionários.
O valor captado por empresas em 2026 já era mais que o dobro do valor total captado em 2025, até que a SpaceX decidiu entrar na fila e jogou o múltiplo para 5,6x.
Mas o ano ainda não acabou e a Anthropic já enviou a papelada. As estimativas são de que a startup de IA chegue na bolsa com um valor de mercado de US$ 2 trilhões, captando ~US$ 100 bilhões e jogando o múltiplo para 11,8x sobre o ano passado.
E ainda tem OpenAI vindo aí…
DROP LIKE IT'S HOT
[para assistir] o trailer do novo filme de Luca Guadagnino sobre a OpenAI.
[para limpar] o seu feed do Instagram usando a interface do Tinder.
[para rir] de como a Duolingo reagiu ao lançamento do Duo.
[para entender] a diferença entre valuation público e valuation de exit.
DO TIME DO DROPS
Se você passaria horas lendo notícias de tech…

Bota fé que, além de você, são +300 mil pessoas que recebem alguma edição do Drops direto na inbox? Já teve news que salvou C-level em reunião de board, que ajudou o estagiário a ser efetivado e news que ajudou o gerente a descobrir o fornecedor que (finalmente) resolveu o problema dele!
Essas histórias são reais e queremos multiplicá-las maaaas, precisamos de alguém. Se você tá no começo da carreira e é daqueles que poderiam passar horas lendo notícias de tech, é fuçado nas IAs e se amarra em novas formas de comunicação, queremos você aqui →
Enjoy the weekend!

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