EDIÇÃO #788 • 18/09/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom dia, Dropper!

Hoje eu aprendi: que um dos mais importantes dicionários da lingua inglesa, Merriam-Webster, acaba de adicionar oficialmente as gírias da internet à sua última edição: meme coin, vibe coding, looksmaxxing, rickroll, glow-up, cuffing season e outras +1.400 palavras.

No TechDrops de hoje, direto ao ponto:

Crusoe: data center as a truck
Google: passa no crédito (de carbono)
Trending: o banco cripto e os traders
Snap: colocou um crachá nos Specs
Contra dados não há argumentos: a fome de TWh

INFRAESTRUTURA

Crusoe: data center as a service truck

TL;DR: A mesma empresa que minerou bitcoin em poço de petróleo agora leva data centers para onde for preciso.

A empresa que construiu o maior data center da OpenAI agora está fazendo o oposto: um minúsculo, em cima de um caminhão.

Mas antes de carregá-lo de servidores e chips, a Crusoe carregou o próprio caixa com uma rodada série F de ~US$ 4 bi (a um valuation de ~US$ 31 bi) liderada pelos pesos pesados do capital: Atreides, Valor, Mubadala, Founders Fund, TPG e o fundo soberano do Catar.

A regra da infra elétrica sempre foi uma: a energia vai até a demanda. A Crusoe quer inverter a lógica, montar o data center na fábrica, embarcar em um caminhão e despachar para onde já tem energia sobrando.

No começo da corrida, quase toda GPU do mundo estava treinando modelos. Os clientes eram cinco labs com bilhões pra queimar. Agora que os modelos estão em produção, o cliente é todo mundo - e o gargalo passa de treinar para servir:

  • Treinar modelo é trabalho de time: milhares de GPUs precisam estar na mesma sala, conversando entre si o tempo todo. Se uma atrasar, todas as próximas precisam esperar. Por isso os campi gigantes viraram padrão da indústria.

  • Servir modelo pronto é trabalho de balcão: cada pergunta é atendida por conta própria e quanto mais perto de quem perguntou, melhor. No lugar de UM campus gigante, entram os mini-campi em todo canto.

Crusoe é a neocloud que dança conforme a música:
(1) nasceu colocando containers de GPU em poços de petróleo, minerando bitcoin com o gás que seria queimado.
(2) escalou fazendo o inverso com centros gigantes e anos de obra no maior data center da OpenAI.
(3) agora fecha o círculo com o Spark; o data center volta a ir atrás da energia parada, só que desta vez em cima de um caminhão.

PS: energia parada existe porque a fila existe. Data center novo nos EUA espera anos por conexão à rede. Em vez de entrar na fila, a Crusoe desviou dela.

MUNDO AFORA

→ Manus mira valuation de US$ 4 bilhões em primeira captação desde que teve a venda para a Meta bloqueada pelo governo chinês.

→ Huawei quer se tornar a Nvidia da China e planeja começar a produção de chips já no primeiro semestre de 2027.

→ Meta é condenada na Alemanha por deixar passar anúncios falsos no Instagram e no Facebook.

→ Lucid assinou com a Bolt e vai colocar 25 mil carros autônomos em serviço de robotáxi na Europa.

ESG

Google: passa no crédito (de carbono)

TL;DR: Maior acordo da história do Google pretende ter 2 milhões de toneladas de impacto climático.

Com grandes poderes data centers vêm grandes responsabilidades. Uma delas é compensar todo carbono produzido com tanta energia consumida. Para isso, o Google escolheu o Brasil-il-il como laboratório para o maior acordo de remoção de carbono da sua história.

A parceria com a climatech Terradot mira 2 milhões de toneladas métricas de impacto climático combinado, espalhadas por mais de 200 mil hectares de lavoura de arroz no Rio Grande do Sul.

O preço do crédito não foi revelado, mas o CEO da Terradot descreveu o projeto como mais barato que acordos anteriores e em duas partes:

  • Parte 1: 1 milhão de toneladas de créditos de eliminação de metano até 2030, usando a técnica Alternate Wetting and Drying (drenagem periódica das lavouras alagadas, reduzindo emissão de metano).

  • Parte 2: 1 milhão de toneladas de remoção permanente de CO2 até 2040, por meio de Enhanced Rock Weathering (rocha vulcânica triturada espalhada sobre o mesmo campo).

A depender do sucesso dessas primeiras duas temporadas, o Google e a Terradot dizem que o modelo pode se estender pelos 1,5 milhão de hectares de lavoura de arroz no Brasil inteiro - e depois ser replicado em outras regiões do mundo.

PS: além de cliente, o Google também é investidor da agtech americano-brasileira Terradot, que já captou ~US$ 60 milhões desde a fundação em 2022.

TRENDING

O banco cripto que virou caixa eletrônico dos traders

Não contente em construir uma das maiores startups de defesa do mercado (Anduril) e vender videogames retrô no tempo livre (ModRetro), Palmer Luckey decidiu criar um banco digital para chamar de seu (Erebor). Mas não demorou pra ele descobrir que a galera cripto é diferente…

  • A estratégia da Erebor: converter USDT e USDC em dólares pelo valor cheio de US$ 1, sem cobrar nenhuma taxa.

  • A comunidade encontra uma brecha: no mercado, essas stablecoins podem custar alguns centavos a menos - em parte, pelas taxas cobradas para resgatá-las.

  • A arbitragem: Wintermute e Galaxy Digital compraram milhões de dólares em tokens com desconto e os resgataram no Erebor pelo valor cheio.

Tudo sem hack: o produto funcionou exatamente como prometido. O lucro ficou com os traders; a conta com o banco.

No fim, o Erebor acabou restringindo a conversão gratuita e criando taxas e limites por volume. Um aprendizado caro para um banco que negocia uma rodada a um valuation de US$ 8 bilhões: se existe dinheiro grátis na mesa, um algoritmo vai encontrá-lo antes de você.

DEVICES

Snap colocou um crachá nos Specs

TL;DR: Depois de anos focando no consumidor final, a Snap agora quer ficar na cara (literalmente) do mercado corporativo.

A dona do Snapchat quer colocar seus óculos inteligentes para trabalhar, literalmente. Depois de um lançamento não-bem-sucedido dos Specs para consumidores finais, a Snap está relançando seus óculos inteligentes, mas dessa vez voltados para o universo corporativo.

O CEO Evan Spiegel definiu a iniciativa como um esforço para o mercado entender que os Specs são um computador que você veste, não um par de óculos inteligentes que tira fotos. Afinal, pouca gente toparia passar +R$ 10.000 no cartão de crédito pessoal para ter um óculos, independente de quão inteligente sejam.

Mas depois de anos como uma rede social e foco B2C, a Snap precisava de parcerias de peso para mostrar que também funciona com CNPJ. Para isso, o expediente anunciado inclui:

  • Salesforce: levar o Agentforce aos Specs para consultar dados corporativos e automatizar tarefas.

  • AWS: usar seu assistente de IA para consultar informações, como disponibilidade de produtos, por voz.

  • Nvidia: permitir que a IA interprete o ambiente visto pelo funcionário e encontre dados.

Enquanto a Meta fabrica seus óculos em parceria com marcas fashion (Ray-ban, Oakley) para vender ao consumidor final, a Snap vai no caminho oposto e aposta em lojas, fábricas, indústrias e equipes de campo - lugares em que trabalhar com as mãos livres pode fazer diferença.

PS: enquanto isso, depois de ser banido de cinemas e receber acusações de assédio e gravação não consensual com direito a chantagens e extorsões, a Meta está retirando as câmeras da nova versão dos seus óculos inteligentes.

O que te preocupa mais em relação a óculos com IA e câmera?

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BRASIL ADENTRO

→ Governo estuda proibir jogos de cassino online via decreto - apostas devem continuar liberadas sob regulamentação.

→ Nuvia, a startup criando agentes de agentes para vendas, levantou US$ 1,8 milhão com Amador Capital e Nascent.

→ Emilia AI, a startup de inteligência artificial para restaurantes, capta rodada pré-seed de US$ 1.5 mi com a Prosus, o grupo dono do iFood.

→ BR24 compra a B4Data para expandir atuação em dados, IA e automação. O valor não foi revelado.

DROPPED BY REPLIT

Boas ideias não precisam de tradução

Programação já tem uma linguagem própria. No Brasil, ainda tem uma barreira extra: precisar saber inglês pra construir.

  • Se você já sabe o que quer criar, não precisa falar outro idioma pra começar. O Replit agora está 100% em português do Brasil: interface, criação e interação com a IA. O Brasil é o segundo país do mundo a receber uma experiência completamente localizada da plataforma.

Pronto. Sua ideia não precisa mais falar inglês para virar código. Acesse o Replit e comece grátis

STATS

88% e 92%

foram as reduções nas reclamações por danos materiais e por lesões corporais dos carros autônomos da Waymo em comparação com motoristas humanos, segundo análise de mais de 40 milhões de quilômetros rodados sem ninguém atrás do volante.

Em suma, quanto mais carros da Waymo nas ruas, menor o número de sinistros. Desse ponto de vista, os carros autônomos do Google são +10x mais seguros… e dobrando a cada cinco anos.

CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

Data centers estão com fome de terawatts

Consumo global de eletricidade dos data centers (em terawatt-hora, TWh)

Projeção da Agência Internacional de Energia

Data centers consumiram cerca de 415 TWh em 2024, mas em 2030 serão 945 TWh - mais que o dobro em seis anos, com a IA puxando boa parte da alta.

Esse salto espalha a demanda por toda a infraestrutura: geração e transmissão de energia, transformadores, refrigeração e construção de data centers - setores bem menos badalados que os chips da Nvidia.

E a energia disponível ajuda a decidir onde essa expansão acontece. Ter terreno e servidores não basta: é preciso capacidade na rede e prazo para conectar a operação. O acesso à eletricidade vira vantagem competitiva.

DROP LIKE IT'S HOT

[para gastar] na loja oficial de merchs do Wozniak - o outro Steve da Apple.

[para ranquear] as 50 pessoas mais influentes em tech (paywall)

[para robotizar] quatro horas de tarefas domésticas realizadas pelos robôs autônomos Helix da Figure.

O que achou da edição de hoje?

Lemos tudinho!

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