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EDIÇÃO #795 • 05/10/2026 • THEDROPS.COM.BR |
Bom Dia, Dropper!
Hoje eu aprendi: que o domínio AI.SI está à venda pela bagatela de US$ 699.995. Já para ser dono do domínio SI.AI, você precisará desembolsar US$ 1.111.111.111 (1,1 bilhão).
No TechDrops de hoje, direto ao ponto:
• Amazon & Tesla: fabricando robôs e robotizando fábricas
•︎ Apple: a câmera que não grava
•︎ Trending: inteligência artificial, orçamento imaginario
•︎ Vigilância: What the Flock?
•︎ Stats: 0,3% dos trabalhos
•︎ Contra dados não há argumentos: O preço da IA despencando

ROBÓTICA
Fabricando robôs e robotizando fábricas
TL;DR: A Amazon fabrica robôs para cortar custos da própria operação, a Tesla quer produzir milhões de humanoides para outras empresas.

A Amazon usa robôs nos armazéns desde a compra da Kiva em 2012 e já passou da marca de um milhão de fabricados. A Tesla quer fabricar 10x isso, todos os anos. É como se a linha de produção entregasse a força de trabalho das outras linhas de produção, em escala industrial, com um novo robô a cada três segundos. Mas não é só no volume que as duas se separam!
A Amazon já tem emprego para eles
O maior e-comm do mundo vai investir +US$ 100 milhões em uma fábrica de robôs em Indiana, que deve abrir até 2028. Com mais uma já anunciada no Texas, a Amazon vai passar de duas para quatro fábricas de funcionários.
Se você ainda pensa na Amazon como uma loja online, aperta F5:
A empresa já colocou mais de 1 milhão de robôs em operação.
Eles estão distribuídos por mais de 300 instalações.
Participam do processamento de 75% dos pedidos dos clientes.
Já são 9 modelos diferentes, com especialidades de separação, transporte, seleção etc.
São braços que separam produtos e máquinas que carregam cerca de 400 kg, todos de uso interno (por enquanto). O resultado: menos esforço físico, mais eficiência e margens melhores numa empresa que faturou ~US$ 270 bilhões em 2025, só no e-commerce.
A Tesla quer que você os empregue
A montadora investe cada vez mais na missão de se tornar “uma empresa de robótica que também faz carros”. Está abrindo espaço para fabricar humanoides, com algumas linhas de produção de carros (Model S e Model X) dando lugar à produção de robôs (Optimus) na Califórnia. No Texas, há uma operação ainda maior para produzir o robô.
Se você ainda pensa na Tesla como uma concorrente do BYD, aperta F5 também:
1 milhão de robôs/ano é a capacidade planejada para a linha de Fremont (Califórnia).
10 milhões/ano é a ambição de longo prazo para a operação no Texas.
US$ 20 - 30 mil é o preço pelo qual Musk pretende vender cada Optimus.
Enquanto os Bezosbots são carrinhos, braços, sensores e outros instrumentos isolados, os de Elon Musk são humanoides. O formato muda, mas o objetivo é parecido: assumir tarefas em fábricas, armazéns e, um dia, dentro de casa e no espaço. Hoje, a produção está em centenas de unidades por semana, a maioria para testes e treinamento.
Para chegar às empresas, o plano inicial é alugar os robôs, permitindo recolher, atualizar e aperfeiçoar as máquinas com os dados de uso. A Amazon quer reduzir o custo da própria operação. A Tesla quer ser fornecedora da automação da sua.

MUNDO AFORA
→ Skydance é o nome escolhido para a empresa gerada após fusão da Paramount com a Warner Bros.
→ Robotáxis na Califórnia vão precisar de atualizações (ou ganhar multas) por impedir a passagem de ambulâncias e carros da Polícia.
→ Reddit vai aposentar os seus feeds RSS para evitar que bots de IA acessem e façam o scraping de conteúdos na rede social.
→ SpaceXAI pode mudar de nome para SpaceXSI para seguir o padrão dos EUA da “super inteligência”.

DEVICES
Apple: a câmera que não grava
TL;DR: A Apple estaria desenvolvendo uma câmera que usa IA para descrever o que acontece na sua casa, sem entregar gravações em vídeo.

A Apple colocou uma câmera no iPhone. Depois, duas. Três. Quatro. Agora, está desenvolvendo uma que nem grava vídeo. A empresa que transformou privacidade em argumento de venda está estreando nos smart-home devices…
Segundo Mark Gurman, da Bloomberg, a Apple está desenvolvendo uma câmera doméstica com IA, de codinome J450, que entregaria descrições em texto do que acontece dentro e ao redor da casa. Nada de um vídeo para assistir depois.
O projeto marcaria finalmente a entrada da Apple na categoria das casas inteligentes, avaliada em US$ 200 bilhões este ano e até então “dominada” pelos Google Home e Alexas da Amazon.
Como funcionará: um sensor, que fisicamente não consegue capturar vídeo de verdade, combinado com IA no próprio aparelho e reconhecimento facial para avisar, por exemplo, quando alguém entra num cômodo.
Qual o formato: do tamanho de um protetor labial, fácil de espalhar pela casa.
Que integração: a câmera compartilha tecnologia com os AirPods com câmera que a Apple deve lançar e vai funcionar junto com a J490, a central de casa inteligente que deve chegar em breve.
Tudo isso ainda é informação de bastidor, sem confirmação oficial da Apple. Também não está confirmado onde o processamento da IA aconteceria.
A aposta parece ser simples: monitorar sem criar um arquivo de vídeos da sua vida - um argumento atraente para quem quer saber o que acontece em casa, mas não quer cair na net ao compartilhar com uma big tech seus momentos mais íntimos.
A dúvida é o que acontece quando algo de errado acontece de verdade. Na hora de provar um arrombamento, “uma pessoa entrou na sala às 3h12, #confia” pode não convencer tanto quanto um vídeo de verdade.
TRENDING
Inteligência artificial, orçamento imaginário
A ideia de ter um funcionário que nunca tira férias, que não para nem para ir ao banheiro, que termina cada turno mais inteligente e que jamais vai pedir aumento parece atraente para qualquer empresa… mas quanto a esmola é demais, o santo CFO desconfia: um estudo recente descobriu que apenas 11% das ~400 empresas pesquisadas conseguiram prever o tamanho do gasto de IA.
Na conta da inteligência artificial, os tokens estão para IA assim como os kWh estão para a eletricidade e os gigabytes estão para o plano de internet. Quanto mais você consome, maior a conta!
Mas, diferente dos kWh e dos GB, descobrir quantos tokens serão consumidos por uma IA até que determinada tarefa seja finalizada é um chute no escuro:
Mesmo pedido, mesma IA… outra conta: o mesmo modelo, com o mesmo pedido feito cinco vezes, entregou resultado e custo diferentes a cada vez. Ou seja, saber o preço de hoje não garante saber o de amanhã.
O barato que sai caro: em um estudo com +6.800 tarefas, os modelos com token mais barato saíram mais caros que os premium em 32% dos casos. Ou seja: economizar na tarifa não adianta se a IA precisa dar muito mais voltas para resolver o problema.
A conta é por trabalho, não por acerto: em um dos exemplos, o Gemini 3.1 Pro resolveu a tarefa em 85 etapas, por cerca de US$ 1. A mesma tarefa, executada pelo modelo mais barato, Gemini 3 Flash, percorreu 952 etapas, gastou US$ 14 e não conseguiu concluir - é como um táxi cobrando mais porque ele mesmo errou o caminho.
A IA não pede aumento, mas pode estourar o orçamento mesmo assim. Para o C-level, a produtividade prometida só fecha a conta quando inclui o custo de todas as tentativas… inclusive as que não entregaram nada.

BRASIL ADENTRO
→ Wellhub, o antigo GymPass, ampliou seu FIDC em R$ 100 milhões para oferecer créditos às academias parceiras no Brasil.
→ Housi, a proptech de moradia inteligente por assinatura, anunciou a compra de participação na Honest Market Brasil, de mini-mercados condominiais autônomos.
→ Botdesigner, a startup automatizando o atendimento de pacientes em instituições de saúde com IA, foi adquirida pela Selbetti por valor não declarado.

DROPPED BY ORACLE
Os bancos estão preparados pra dar um crachá pra um agente de IA?
Parece exagero. Até lembrar que um agente pode acessar dados, operar sistemas e executar tarefas sozinho. Por isso, tratá-lo como software comum pode ser um erro de gestão: quem define seus acessos? Quem acompanha seus outputs? Quando ele precisa chamar um humano?
O novo episódio do AI On The Go do Oracle Cast falou com executivos do B3, Getnet, Celcoin, NeoSpace e Migrate sobre a nova relação entre autonomia, governança e quando o olhar humano é importante na implementação de IA. Ouça o episódio completo →

VIGILÂNCIA
What the Flock?
TL;DR: A dona das câmeras que monitoram quase todos os EUA enfrenta cancelamentos em massa, processos e protestos.

img via Yahoo
Se você estiver dirigindo seu carro pelas ruas dos EUA, tem praticamente 100% de chance de estar sendo monitorado e ~82% de chance desse monitoramento estar sendo feito pela mesma empresa, a Flock - que está no meio de uma crise reputacional que ameaça uma das maiores security techs do mercado.
A Flock Safety vende câmeras com IA que leem placas de carros e criam um banco de dados usado pela polícia para rastrear veículos e identificar pessoas. Fundada em 2017, foi avaliada em US$ 7,5 bilhões em 2025, e relatos deste ano já falavam em US$ 8,4 bilhões.
Enquanto a Flock fazia a vigilância dos quase 300 milhões de carros circulando pelas ruas americanas, ninguém fez a vigilância da própria Flock - e a confusão foi generalizada:
Reação nas ruas: moradores de 36 estados vandalizaram ou destruíram câmeras, muitas instaladas sem que a população soubesse.
Abusos e falhas: policiais vigiando pessoas sem mandado, uma mulher presa por 13 dias após o sistema identificar errado o carro dela e brechas que permitiram acesso indevido às imagens.
Justiça: na sexta, um juiz federal chamou o uso das câmeras de "vigilância em massa indiscriminada".
Legislação: um senador independente propôs proibir o governo federal de usar leitores automáticos de placas, enquanto outro senador republicano abriu uma investigação.
Cancelamentos: mais de 214 cidades e condados encerraram contratos desde 2021, sendo 90 só em agosto de 2026.
Trote: usuários marcaram o gramado do CEO da Flock como "banheiro público" depois que descobriram que ele havia ocultado imagens de sua casa no Street View por questões de privacidade.
Funcionários: o hate é tanto que seus funcionários estão desmoralizados e pedindo demissão.
A resposta da Flock foi: (1) reduzir o tempo de armazenamento dos dados de 30 para 7 dias, (2) passar a exigir número de caso para buscas e (3) pedir desculpas pelos abusos. Mas o estrago na confiança já está feito.
Será que existe um meio-termo entre as câmeras que filmam demais da Flock e as que filmam de menos da Apple?
STATS
0,3%
do trabalho sairia mais barato nas mãos de robôs do que de humanos.
A estimativa vem da própria Anthropic. No estudo What work can robots do?, a empresa usou o Claude para analisar uma base com 900 ocupações e 19 mil tarefas, avaliando o que os robôs atuais conseguem fazer e quanto custaria.
Conseguir fazer é uma coisa: os robôs já conseguem executar 74% das tarefas físicas, principalmente em ambientes controlados, como fábricas.
Fechar a conta é outra: mas automatizar o trabalho de um soldador, por exemplo, custaria cerca de cinco vezes mais que o trabalho humano.
Se os custos seguirem o ritmo histórico de queda, levaria cerca de 40 anos para os robôs saírem mais baratos em 10% do trabalho americano. Por enquanto, o robô pode até dar conta do serviço, o difícil é caber no orçamento.
via Anthropic
CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS
O preço da IA despencando
Queda no custo de inferência de IA vs. outras tecnologias.

via Coatua
O custo da IA está caindo mais rapidamente do que o de qualquer outra tecnologia transformadora na história!
DROP LIKE IT'S HOT
[para conhecer] Alexandr Wang, The Mulleted, Meme-Loving Billionaire Behind Meta’s Hit AI App.
[para leitores] de Kindle que não aguentam mais passar as páginas com o dedo, a Amazon lançou um controle remoto.
[para impressionar] a escala da construção da Giga Texas da Tesla.
[para imaginar] o que aconteceria com o mundo se a Terra parasse de girar.


