EDIÇÃO #769 • 03/08/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom Dia, Dropper!

Hoje eu aprendi: que um foguete abandonado da SpaceX vai colidir com a Lua na quarta (5/8) a 8.700 km/h formando uma cratera e levantando uma nuvem de poeira que pode se estender por quilômetros... e o Brasil está entre os melhores lugares do mundo pra observar. A colisão era evitável - mas ninguém é obrigado, já que (ainda) não existe regra sobre lixo espacial.

No TechDrops de hoje, direto ao ponto:

• Robôs Chineses: barrados na imigração
•︎ Bitcoin: o hack invisível das cold wallets
Trending: NerdGPT passou em matemática
Stats: 124 mil Tech Layoffs
Campos Neto: o sanduíche de stablecoins
Contra Dados Não Há Argumentos: Capex das big techs

ROBÓTICA

Robôs da China: visto negado nos EUA

Os EUA baniram as importações de robôs chineses - e a China ameaça retaliação.

O ditado é que se não pode vencê-los, junte-se a eles. Mas os EUA têm a própria versão: se não pode vencê-los, ainda pode bani-los - e foi assim que, na semana passada, Washington proibiu a importação de robôs chineses, que já dominam 85% do mercado global de robôs humanoides.

Contexto: depois das ameaças de bloqueio à IA, na semana passada os EUA baniram a importação de robôs chineses (bípedes ou não).
Justificativa: risco de espionagem, sequestro remoto dos dispositivos e vazamento de dados para Pequim - nem a Roomba escapou do ban.

O placar do jogo que os EUA acabaram de abandonar:

Time Chinês:

  • AgiBot e Unitree embarcaram ~5.000 humanoides cada em 2025 e juntas, mais de 70% do mercado global, que quintuplicou no ano.

  • Unitree já é lucrativa com US$ 250 milhões de receita e US$ 41 milhões de lucro em 2025, com IPO aprovado na bolsa de Xangai e meta de produzir 75 mil humanoides por ano.

  • Mais de 140 empresas operam no setor na China, com supply chain doméstica de atuadores, baterias e montagem.

Time Americano:

  • Tesla e Figure AI embarcaram ~150 unidades cada.

  • A Figure captou mais de US$ 1 bilhão a um valuation de US$ 39 bilhões e vale dezenas de vezes mais que a líder global de volume, mesmo entregando uma fração dos robôs.

Enquanto a China vende robô, os EUA vendem valuation.

Pequim pediu seis (i) o Ministério das Relações Exteriores prometeu todas as medidas necessárias, e (ii) o Ministério do Comércio foi além, exigindo que Washington revogue a decisão sob ameaça de retaliação.

Washington não pediu nove, já que horas depois do ultimato chinês, Trump sinalizou que os EUA podem afrouxar restrições de exportação de IA - às vésperas de uma cúpula com Xi Jinping em setembro.

PS: a UBTech já sentiu o baque e ações caíram mais de 6% em Hong Kong na quinta. Unitree e AgiBot não têm capital aberto ainda.

MUNDO AFORA

→ FIFA desistiu oficialmente dos planos de vender uma fatia depois da revolta do público, das associações, dos times, dos jogadores e torcedores.

→ Samsung espera que a falta de memórias seja ainda pior em 2027, e ações da empresa sobem 26% com a notícia.

→ Snap decidiu dar um fim nos vídeos gerados por IA na sua plataforma. Vai ser permitido postar, mas o algoritmo não vai impulsionar.

→ LinkedIn optou por uma solução mais branda. Usuários vão poder marcar posts de outros usuários como “Parece AI Slop”.

→ WestingHouse, que abastece mais da metade dos reatores nucleares do mundo, acaba de protocolar um pedido confidencial para um IPO nos EUA.

DROPPED BY ELEVENLABS

Voice AI não quer mais imitar humano

Um total de 0 pessoas acorda querendo falar com um chatbot. Elas só querem resolver um problema: marcar uma consulta, alterar uma reserva ou tirar uma dúvida. Do outro lado, as empresas respondiam com menus, “digite 1 para…” e filas. Até agora.

A Voice AI está mudando essa lógica de sistema para interface: Compreende linguagem natural, identifica intenções, consulta informações e executa ações a partir de uma conversa. E em escala.

É o que separa Voice AI de text-to-speech. Uma lê o roteiro, a outra opera o negócio. A Fuzzr já aumentou em 10x a capacidade de produção de áudio, e a Carecode expandiu o atendimento a saúde com Voice AI da Elevenlabs. Descubra o que mais dá pra automatizar com Voice AI aqui

SEGURANÇA

O hack invisível de Bitcoins

O maior roubo do ano em Bitcoin não teve invasão - o ladrão chegou com a chave.

img via BBC

O Bitcoin deixa você ser dono da sua grana sem depender de banco, governo, exchange ou whatever. Bônus: liberdade. Ônus: a segurança pode virar um problema… e virou. Na quinta, US$ 89 milhões foram drenados de +4.500 cold wallets - sem nenhum device tocado ou sistema violado.

  • As vítimas: clientes da Coldcard, um ícone da autocustódia de Bitcoin. A primeira onda zerou 1.196 carteiras em 41 minutos; duas ondas depois, a Galaxy Research já contava 4.585 endereços drenados.

  • A promessa de segurança: ao criar uma carteira, o aparelho sorteia um número tão gigante que adivinhar seria impossível.

  • O bug: o firmware pulava o chip de aleatoriedade e usava ingredientes previsíveis, como número de série e relógio interno, reduzindo as combinações para alguns poucos bilhões.

  • O código: era open source e estava público há cinco anos para quem quisesse ver - e o atacante quis.

  • O ataque: o ladrão gerou todos os candidatos na máquina dele, cruzou com a blockchain (que é pública) e gastou o que achou - como se fosse o dono. Nada a invadir, nada a perceber, nada a defender.

  • O alerta: não existe teste pra saber se sua seed está no grupo de risco - quem gerou carteira numa Coldcard precisa migrar os fundos.

Ninguém confirmou como o bug foi encontrado, mas rádio-corredor da web acredita que foi com uma IA open-weight chinesa de fronteira varrendo o código atrás de falhas desconhecidas.

A capacidade já é fato: dias antes do ataque, a Anthropic publicou uma pesquisa mostrando que um de seus modelos levou 60 horas para quebrar pela metade a segurança de um algoritmo criptográfico - que sobreviveu a dois anos de revisão humana.

PS1: uma explicação do que rolou em linguagem nerd técnica.
PS2: tem gente oferecendo 100 BTC para a Anthropic provar que o Mythos realmente pode hackear carteiras.

TRENDING

NerdGPT passou em 10 provas de matemática

Enquanto 40 milhões de brasileiros assistiam ao Brasileirão Betano durante o final de semana, o ChatGPT gastava os botões da calculadora com seu novo modelo (Astra) para resolver 10 problemas matemáticos avançados que não viam avanço há mais de década.

O detalhe: o Astra nem foi lançado. Não tem data, não tem nome definido (GPT-6? GPT-5.7?) e o antecessor nem esfriou na prateleira. O ritmo é esse: antes de um modelo completar mêsversário, o próximo já está provando teoremas.

A lista não é modesta, mas como não-matemáticos, tentamos traduzir o quão cabeludos eram os teoremas:

  • Derrubou a conjectura de um medalhista Fields. Alain Connes propôs que certos objetos matemáticos carregam uma "impressão digital" única. A comunidade acreditou nisso por décadas, mas o modelo mostrou que a impressão digital pode se repetir.

  • Melhorou um recorde parado desde 1978. O problema de empacotamento de esferas - quantas "laranjas" cabem num espaço de centenas de dimensões - parece piada de bar, mas é a base da correção de erros em toda comunicação digital. Foram ~50 anos sem ninguém mexer no resultado geral.

  • Resolveu três problemas de Erdős de uma vez (146, 180 e 183), a famosa lista de desafios que o matemático húngaro deixou para as próximas gerações. Thomas Bloom, que mantém o erdosproblems.com, chamou os avanços de “significativos”.

  • Cada prova veio com certificado formal verificado por máquina, junto de um manuscrito de 249 páginas

O custo de gerar as dez provas foi de menos de US$ 2 mil em tokens - ou seja, custa menos que um iPhone para atacar cada problema que a humanidade coletiva não moveu em décadas.

Enquanto a maioria vai focar no quão impressionante é um modelo que nem existe publicamente já produzir isso... o mais alarmante é o que a raça humana pode fazer com isso: o que acontece se resolvermos a matemática?

PS: Bloom falou que não acredita que “usar uma teoria desenvolvida por matemáticos, com uma IA construída por matemáticos e treinada por matemáticos”, seja "substituir os matemáticos".

DROPPED BY MONTE BRAVO

Belfort não ligava para 2%

Mas você deveria e aqui está o porquê.

Leo DiCaprio ajudou a deixar claro pra muita gente que Wall Street adorava uma coisa: dinheiro em movimento. O problema é que crescer patrimônio não é corrida de 100 metros. É maratona.

E sabe quem mais adora maratonas e objetivos de longo prazo? Juros compostos.

Uma comparação de portfólios da OCDE em 38 países durante 1997 e 2020, revelou que o modelo comissionado de assessoria fez carteiras renderem 8%. Enquanto, no mesmo período, carteiras no modelo Fee Based cresceram 10%.

No curto prazo, são 2%. No longo prazo, são os juros escolhendo um lado. A Monte Bravo criou uma simulação interativa para mostrar na prática o tamanho desses 2%. Veja a diferença aqui →

CRIPTO

O sanduíche cripto de Campos Neto

O ex-presidente do BC escreveu sobre stablecoins - e a conclusão é sobre o filho dele.

Roberto Campos Neto escreveu 1.200 palavras na Folha desmontando o caso das stablecoins e usou as últimas 200 para vender o Drex - a coluna é um sanduíche com crítica rigorosa por fora e publicidade institucional por dentro.

Quem escreveu: Roberto Campos Neto presidiu o Banco Central de 2019 a 2024, a gestão que lançou o Pix e concebeu o Drex. Depois de abandonar a vida pública, assumiu como vice-chairman do Nubank.

O autor da crítica é também o pai da solução que ela recomenda. Vamos aos ingredientes:

  • O pão: o mercado saltou de US$ 7 bi em 2020 para US$ 315 bi em 2026 - com US$ 11 trilhões transacionados em 2025. Mas RCN diz que a casca esconde rachaduras:

    • as stablecoins traíram a tese original (nasceram meio de pagamento, viraram reserva de valor presa no cripto);

    • a remessa barata é mito (pesquisa de Chicago Booth mostra que as taxas de conversão nas pontas chegam a 100 pontos-base).

    • 70% a 75% de USDT e USDC estão em autocustódia, o equivalente digital do dinheiro no colchão.

    • endereços ilícitos receberam US$ 150 bi em 2025.

  • O recheio: para RCN, a resposta mais completa e um modelo de inspiração para outros bancos centrais é a sua própria criação, o Drex.

Detalhe: em novembro, o BC de Galípolo encerrou o piloto do Drex, aposentou a blockchain ("não se mostrou viável"), enterrou o uso como moeda de varejo e rebaixou o projeto a infraestrutura de garantias de crédito. O coordenador do projeto foi além: chamar o Drex de "moeda digital" seria interpretação errada.

O diagnóstico é de economista. A receita é de pai.

BRASIL ADENTRO

→ Apple estaria usando lobistas para pressionar os EUA a colocarem pressão no Brasil após uma decisão do Cade - segundo o founder da Epic, Tim Sweeney.

→ Petrobras inseriu games no programa de incentivo à cultura e agora vai financiar jogos produzidos no Brasil.

→ Google liberou o uso do agente Spark do Gemini para os usuários brasileiros - somente para assinantes Google AI Ultra e Pro.

STATS

124 mil

é o número de profissionais que foram desligados nas empresas de tecnologia até agora em 2026 - número que supera todo o ano de 2025, ainda com cinco meses sobrando para fechar a conta.

Do total, 96 mil (77%) são diretamente ligados à IA - seja por automações ou por corte de custos para investimentos em infraestrutura.

CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

Investimentos de capital dos Hyperscalers

Quanto as 4 big techs planejam investir em capex somente este ano.

via investingvisuals.io

As quatro gigantes da nuvem - três que já são cloud Amazon, Microsoft e Google + Meta, que tem a infra mas ainda não aluga - planejam investir US$ 733 bilhões, principalmente na construção de data centers, chips e energia este ano.

O dinheiro saindo está confirmado, resta saber quando ele volta. Mas os CEOs acalmaram os ânimos:

  • Andy Jassy, da Amazon: “Em média, leva pouco menos de 3 anos para recuperar o investimento” - com a AWS crescendo 37% no trimestre, o ritmo mais rápido em 18 trimestres - e backlog de US$ 496 bi crescendo a três dígitos

  • Satya Nadella, da Microsoft: "Estamos avançando a fronteira da curva custo-resultado” - dito no release em que o Azure cruzou US$ 100 bilhões de receita anual pela primeira vez, crescendo 43% no trimestre.

  • Sundar Pichai, do Google: "Estamos vendo sinais fortes de demanda em todas as verticais" - com Google Cloud crescendo 82% no trimestre e backlog de US$ 514 bilhões

  • Mark Zuckerberg, da Meta: "Não existe nem de longe compute suficiente para toda a demanda… recebemos ofertas a um prêmio significativo sobre o que pagamos por ele”.

As quatro juram que a demanda existe. O mercado ainda quer ver a nota fiscal.

DROP LIKE IT'S HOT

[para admirar] a foto da Via Láctea tirada da Estação Espacial Internacional

[para ler] a carta que Leopold da Situational Awareness enviou aos seus LPs

[para ouvir] o podcast de David Senra com Micky Malka, founder da Ribbit

O que achou da edição de hoje?

Lemos tudinho!

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