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EDIÇÃO #794 • 02/10/2026 • THEDROPS.COM.BR |
Bom Dia, Dropper!
Hoje eu aprendi: que ainda estamos bem no começo da curva de adoção de IA. Nos Estados Unidos, um dos países mais avançados tecnologicamente, 55% das famílias têm uma assinatura cloud e 91% têm assinatura de streaming - mas só 2% pagam por inteligência artificial.
No TechDrops de hoje, direto ao ponto:
• Salesforce: consolidando o GTM
•︎ OpenAI: em busca da creator-economy
•︎ Trending: Google de carona no foguete de Musk
•︎ Walmart: dando um upgrade no offline
•︎ Stats: os milhões do Muse
•︎ Contra dados não há argumentos: lucro e crescimento dos SaaS

M&A
Salesforce: consolidando o GTM
TL;DR: A Salesforce gastou mais de US$ 8 bilhões em aquisições em 12 meses para reunir todo o processo de vendas numa só plataforma, com IA executando o trabalho.

Você usa uma ferramenta para os leads, outra para o e-mail, outra para o atendimento... A Salesforce quer acabar com essa colcha de retalhos e trazer todo o Go-To-Market para debaixo do próprio guarda-chuva: uma só plataforma para o processo inteiro.
Só nos últimos 12 meses, o carrinho de compras da empresa do CEO Marc Benioff ficou 100% on e já passou dos US$ 8 bilhões e isso aconteceu assim:
→ Comprou a Intercom Fin (revops) por US$ 3,6 bi.
→ Comprou a m3ter (usage-based billing) por US$ 2,4 bi.
→ Comprou a Contentful (content management) por US$ 1,5 bi.
→ Comprou a Momentum (rev intelligence) por valor não divulgado.
→ Comprou a Cimulate (sales enablement) por valor não divulgado.
→ Comprou a Qualified (sales engagement) por valor não divulgado.
→ Acabou de comprar a Listen Labs (customer research) por US$ 2 bi.
Benioff não está sozinho na tese de consolidação. A HubSpot também abriu a carteira e comprou a Warmly (signal intelligence) e a Trigify (sales outreach), o Zoom comprou a Common Room (community data) e a Apollo comprou a Pocus (sales intelligence).
A IA muda a equação: as plataformas estão comprando as peças para deixar de só registrar o trabalho e passar a executá-lo. Quem tem o CRM, os dados, os fluxos e a camada de IA sai na frente.

MUNDO AFORA
→ FBI, o órgão responsável por investigar ciberataques, está investigando um potencial ciberataque a si mesmo.
→ OpenAI avisou mais de 100 empresas sobre novas escapadas dos seus modelos de IA.
→ Micron e Samsung disseram que a falta de memórias ainda será um problema em 2027, empurrando os preços ainda mais pra cima.
→ Google anunciou seu novo modelo de IA de fronteira Gemini 4 Argon, mas ainda sem data para lançamento oficial.
→ Boston Dynamics atualizou as mãos do robô Atlas com 13 graus de movimentação e autonomia.

CREATORS
OpenAI: em busca da creator-economy
TL;DR: A estratégia por trás do laboratório de IA para se aproximar e construir soluções para creators e influencers.

Sam Yam passou a última década construindo uma das maiores plataformas para creators e influencers do mundo. Agora o co-founder da Patreon, e dois dos seus fiéis escudeiros estão de malas prontas e passagem comprada para liderar uma nova divisão da OpenAI focada nesse mesmo público!
Patreon é uma plataforma em que fãs pagam uma assinatura mensal direto para os criadores que acompanham - um 0nlyf4ns para gente com roupa.
Desde sua criação, foram mais de US$ 10 bilhões pagos a criadores. Atualmente são +US$ 2 bilhões por ano para os ~300 mil criadores monetizando e cerca de 10 milhões de usuários com assinaturas ativas.
Os números mostram o tamanho da oportunidade e os movimentos da startup nos últimos meses mostram o próximo foco-alvo da OpenAI:
Em fevereiro, a OAI contratou Charles Porch, executivo de longa data de parcerias globais do Instagram, para liderar as parcerias criativas globais.
Em abril, adquiriu o talk show de tecnologia TBPN por +US$ 100 mi em uma demonstração do quão valioso é o acesso a públicos influentes.
Em agosto, convidou um monte de influencers para o Summer Camp, um retreat em um resort de luxo em Hudson Valley.
Em setembro, contratou o co-fundador do Patreon, o chefe de engenharia (Shannon Ma) e o chefe de produto e ex-insta (Drew Rowny).
Os movimentos chegam enquanto a OpenAI tenta monetizar a maior parte da sua base: 1 bilhão de usuários semanais no plano gratuito. O primeiro passo foram os anúncios, que geraram US$ 1 bilhão nos primeiros 200 dias. O próximo são os criadores e influenciadores, que vivem justamente entre a audiência e os anunciantes.
O Goldman Sachs estima que a Creator-Economy possa chegar ao meio trilhão de dólares já no ano que vem - um grande aumento em relação aos US$ 50 bilhões atuais - sendo que as parcerias com marcas representam ~70% da renda desses criadores.
TRENDING
Google de carona no Foguete de Musk
O Google levou a nuvem ao pé da letra. Ontem (dia 1º), a empresa pegou carona num foguete da SpaceX para colocar seu primeiro experimento de computação de IA em órbita.
Project Suncatcher: desenvolvido em parceria com a Planet, o satélite carrega quatro chips de IA do Google, as TPUs. Eles vão rodar uma versão do Gemma em sessões de 15 minutos, com pausas para resfriamento. O teste deve durar um ano; em 2027, a empresa pretende lançar outros dois satélites para testar a comunicação entre eles via laser.
Mas por que levar a IA para tão longe? Porque comprar chips é só parte da equação. Arrumar energia e infraestrutura para colocá-los para trabalhar virou um gargalo da expansão dos data centers.
Na Terra, novos projetos disputam acesso à rede elétrica, enfrentam demora nas aprovações e encontram resistência das comunidades ao redor.
No espaço, a órbita certa permite receber luz solar quase continuamente, sem nuvens no caminho. Segundo o Google, um painel pode gerar até oito vezes mais energia do que na Terra, reduzindo a necessidade de baterias.
Só um detalhe: o espaço não é um freezer para chips. Sem ar para carregar o calor embora, o satélite precisa de radiadores para dissipá-lo. Some a isso a radiação, ao custo de lançamento e a dificuldade de mandar um técnico trocar uma peça e a conta fica menos extraterrestre e mais pé no chão.
INOVAÇÃO
Walmart: o Ctrl+F chegou às prateleiras
TL;DR: O Walmart conectou etiquetas digitais ao app para fazer a prateleira piscar e mostrar onde está cada produto, para clientes e funcionários.

Se os agentes de IA estão aprendendo a fazer compras, o Walmart prefere apostar em quem ainda empurra o carrinho. Enquanto a Meta cria agentes que compram online por você e a Amazon bloqueia seus e-commerces, a maior varejista do mundo em receita, escolheu jogar em outro campo, implementando tecnologia para quem compra offline nas suas +11.000 lojas.
A rede começou substituindo as etiquetas de preço de papel por etiquetas digitais e agora está conectando-as com seu app para resolver um problema bem familiar: saber qual o corredor certo e onde está o bendito produto que procura.
Quase uma versão para supermercados do principal uso de um smartwach (fazer o celular apitar).
O sistema tem três funções para três personas diferentes:
Para quem compra: o Shop to Light permite buscar o produto no app e fazer a etiqueta correspondente piscar na prateleira - já registrou 5 milhões de flashes de clientes desde o início dos testes.
Para quem separa pedidos: o Pick to Light ajuda funcionários a encontrar os itens de compras online, incluindo marca, sabor e tamanho.
Para quem repõe: o Stock to Light ilumina o lugar onde cada produto deve ficar.
Parece simples, até você ter que achar um produto numa loja com 120 mil itens. Cada minuto procurando um pote de mostarda é um minuto a menos para separar uma entrega, repor uma prateleira e manter a cadeia logística de uma empresa que fatura ~US$ 700 bilhões por ano.
PS: O primeiro uso das etiquetas digitais no Walmart foi para atualizar preços automaticamente, sem precisar trocá-los manualmente pelas gôndolas.

BRASIL ADENTRO
→ Wellhub libera mais R$ 100 milhões em FIDCs para ajudar academias parceiras.
→ Selbetti comprou a healthtech catarinense Botdesigner por valor não divulgado. Foco é em expandir soluções de automação para mais indústrias.
→ Claro comprou 72,83% da provedora Desktop, com forte atuação no estado de São Paulo. Investimento é de R$ 1,75 bilhão.

STATS
+5 milhões
de pessoas fizeram download do assistente pessoal Muse em apenas três semanas desde o lançamento oficial da Meta.
+3 milhões
desses downloads se tornaram usuários ativos semanais (WAU, weekly active users) e enviam pelo menos um prompt por semana ao assistente.
+1 milhão
desses se tornaram heavy users e utilizam o Muse todos os dias (os chamados DAU, daily active users).
Os números pode parecer pequenos perto dos +3,6 bilhões de usuários que usam algum produto da família de apps de Zuckerberg (Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger) diariamente. Mas considerando o curto tempo de vida e a disponibilidade exclusiva nos Estados Unidos, esse já é o lançamento mais bem-sucedido em mais de uma década, passando até o ChatGPT.
via The Information
Se você tivesse o Muse amanhã, o que ele faria primeiro?
CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS
SaaS: Mais rentáveis e Menos velozes
Entre as empresas de software listadas na bolsa:

DROPPED BY ELEVENLABS
Seu pedido já saiu pra entrega - pela vigésima milionésima vez
A maior parte das ligações que a Allegro recebia no suporte eram dúvidas simples sobre entrega. A gigante do e-commerce decidiu automatizar essas conversas com agentes de voz da ElevenLabs. Agora, +20 milhões de clientes podem ter respostas em segundos, 24/7, sem ocupar um atendente.
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[para assistir] Uma entrevista com Mike Krieger, o brasileiro co-fundador do Instagram, co-fundador da Artifact e atual diretor de produto da Anthropic.
[para se preparar] The Rise of the Automation Engineer.
[para ler] o profile do fundador do Nubank, David Velez.
[para se despedir] uma homenagem a Lito Sousa.


