EDIÇÃO #804 • 28/10/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom Dia, Dropper!

Hoje eu aprendi: que 88% dos founders de startups que receberam venture capital terminaram com ZERO de retorno financeiro. Já o 1% mais bem-sucedido ficou com ~79% de todo o dinheiro. O estudo analisou +157k startups americanas e 248k fundadores entre 1987 e 2025 e inclui desde startups falidas a saídas sem pagamento aos founders.

No TechDrops de hoje, direto ao ponto:

• O título de maior IPO da história vai para… Anthropic
•︎ Instagram vai atrás do lanche do YouTube
•︎ Trending: Mercados de capitais 🤝 Mercado de previsões
•︎ Vivo e Starlink se casam com separação de bens
•︎ Stat: 60.000 buyout da Microsoft

ANTHROPIC

O título de maior IPO da história vai para…

A Anthropic pediu para estrear na bolsa com um valuation especulado de US$ 2 trilhões. Se o número se confirmar, é o maior IPO da história.

via NYP

Primeiro os founders, depois os grandes investidores, aí vem o IPO e todo mundo pode virar sócio de uma startup. No mundo da IA, a primeira a abrir as portas das ações na Bolsa é a Anthropic, que acabou de liberar o S-1 - praticamente um raio-x da empresa.

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A jornada da Anthropic como startup privada é breve, mas o extrato é longo:

2021: foi fundada e captou US$ 124 milhões na Série A, liderada por Jaan Tallinn (cofundador do Skype).
2022: levantou US$ 580 milhões na Série B, liderada por Sam Bankman-Fried, então CEO da FTX e atual presidiário.
2023: captou US$ 450 milhões na Série C, liderada pela Spark Capital, com participação de Google, Salesforce e Zoom.
2024: levantou aproximadamente US$ 750 milhões na Série D, liderada pela Menlo Ventures, com valuation reportado de US$ 18,4 bilhões.
2025, março: captou US$ 3,5 bilhões na Série E, chegando a um valuation de US$ 61,5 bilhões.
2025, setembro: levantou US$ 13 bilhões na Série F, liderada pela ICONIQ, com valuation de US$ 183 bilhões.
2026, fevereiro: captou US$ 30 bilhões na Série G, liderada por GIC e Coatue, com valuation de US$ 380 bilhões.
2026, maio: levantou US$ 65 bilhões na Série H, liderada por Altimeter, Dragoneer, Greenoaks e Sequoia, atingindo US$ 965 bilhões de valuation.

Total captado: US$ 126 bilhões antes do IPO.

As informações da porta para fora, todos já sabiam, mas o S-1 revelou os verdadeiros números da porta para dentro:

  • Receita: a dona do Claude gerou US$ 16,3 bilhões no primeiro semestre (+1.300% ano/ano), sendo que 80% vieram de consumo (usage-based) e 20% de assinaturas.

  • Caixa: as cédulas captadas com investidores e clientes foram suficientes para o caixa líquido chegar em US$ 131,7 bilhões.

  • Lucro: a pergunta que não queria calar finalmente calou e a resposta é que startup de IA pode sim fechar no verdinho. No caso da Anthropic, um lucro operacional de US$ 974 milhões no semestre.

  • Clientes: quase 12 mil gastam mais de US$ 100 mil por ano e a retenção líquida de receita ficou em ~900%, ou seja, clientes existentes multiplicaram seus gastos por nove.

Tirando os trechos em que a Anthropic fala do risco que sua tecnologia representa, o choque de realidade está nos gastos: foram US$ 8,95 bilhões em computação e infraestrutura só no primeiro semestre - 55% da receita. E já há outros US$ 265,6 bilhões em compras contratadas para os próximos 1 a 20 anos.

A Anthropic espera abrir capital com um valuation >US$ 1 trilhão e captar +US$ 100 bilhões no dia. Esse seria o maior IPO da história, à frente da SpaceX (US$ 75 bi), SK Hynix (US$ 26 bi), Saudi Aramco (US$ 25 bi), e Alibaba (US$ 22 bi).

Se tudo der certo, a Anthropic termina o primeiro pregão valendo +US$ 2 tri.

MUNDO AFORA

→ Paramount recebeu o cheque de US$ 1 bilhão de Musk na semana passada e já mandou geral voltar pro escritório 5x/semana.

→ Meta está levantando US$ 95 bilhões para financiar suas ambições de IA, com Nvidia, AMD e Broadcom participando com US$ 5 bi cada.

→ Intel vai comprar a israelense Classiq, que desenvolveu um sistema operacional para computadores quânticos, por US$ 2,2 bi.

→ Anduril se juntou à Qualcomm para fabricar laptops nos EUA para o governo - que é obrigado a comprar produto nacional, mesmo 20% mais caro.

→ SK Hynix aumentou seu lucro trimestral em +7x, já está com toda a produção até 2029 vendida e prometeu que devolverá US$ 75 bi aos acionistas esse ano.

DROPPED BY CHATGPT

“Chat, reescreve essa mensagem pra deixar a resposta mais formal?”

O ChatGPT já responde mais de 2,5 bilhões de comandos todos os dias. E tá na hora de você usar melhor o seu tempo por lá.

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55% de quem já usa a conta individual pra falar de trabalho ainda usa o ChatGPT só pra perguntar e conversar, em vez de fazer e executar tarefas com o ChatGPT.

Criar uma apresentação a partir de uma pasta de arquivos, organizar dados em um dashboard editável ou criar a página de inscrição pro seu evento, por exemplo. Sem copia e cola, conectando direto com os apps que você já usa.

Seu próximo projeto pode começar com uma pergunta. E terminar com tudo pronto.

SOCIAL

Instagram atrás do lanche do YouTube

O Instagram lançou o Features, vídeos horizontais de até 90 minutos, pra parar de mandar audiência de graça pro YouTube.

A a16z diz que não dá pra consumir mais de 26 horas de mídia por semana, mas não é porque batemos no teto que a Meta vai parar. A estratégia para continuar subindo é roubar seus minutos do streaming. Se prepare que os vídeos do YouTube de longa duração estão chegando no Instagram.

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Nunca duvide da capacidade de copiar e colar da Meta:

2016: o Snapchat incomodou e o Instagram lançou os Stories.
2020: o TikTok avançava e o Instagram lançou os Reels globalmente.
2021: o Clubhouse virou febre e o Facebook lançou as salas de áudio ao vivo.
2023: o Telegram bombou e o Insta e Whats ganharam comunidades.
2023: o Twitter acumulava polêmicas e a Meta lançou o Threads.
2025: o CapCut já era referência em edição de vídeos e o IG lançou o Edits.

Os vídeos longos surgem no Features, a nova iniciativa de Zuck - depois do flopado IGTV (★ 2018 - ✞ 2022) -, que chega com lições aprendidas no passado e lições copiadas dos concorrentes:

→ Vídeos de até 90 minutos no formato horizontal.
→ Creators podem “quebrar” o vídeo em até 8 Reels.
→ As Lives também mudam para aba de Reels.

Com o movimento, o IG espera se tornar o destino final e completo dos creators:
(1) topo de funil: você encontra os criadores favoritos pelos Reels;
(2) meio de funil: você se conecta e aprofunda a relação pelos Stories.
(3) fundo do funil: você cria um relacionamento profundo pelo Features.

Se o YouTube se tornou a principal plataforma de entretenimento, o Instagram quer se tornar um ecossistema completo. Isso enquanto as demais empresas do setor (Netflix, Disney+, Prime) competem entre si - e ainda têm o custo de produção que Instagram e YouTube não enfrentam.

TRENDING

Mercados de capitais 🤝 Mercado de previsões

Quem chamava a bolsa de valores de tigrinho dos ricos acaba de ganhar o seu melhor argumento para o próximo happy hour: a S&P Dow Jones assinou uma parceria com a Kalshi para colocar investidores e apostadores no mesmo balaio.

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O acordo é multi-anual e tem duas pontas.

De um lado: dá pra apostar na direção do S&P 500 e do Dow dentro da Kalshi, com quem ganha definido pelo número oficial da própria S&P.
Do outro: as duas vão construir índices compostos de contratos de evento - cestas de aposta tratadas com a mesma metodologia que hoje organiza US$ 20 trilhões indexados ao S&P 500.

O cardápio que a Kalshi colocou na mesa:

  • Poder político: expectativa sobre eleições e controle de governo.

  • Cadeia de suprimentos: sinais de ruptura no comércio global.

  • IA: um termômetro de quanto o mercado acha que a sua função dura.

  • Clima: risco que mexe com safra, demanda de energia e receita.

  • Esporte: resultado que move broadcaster, anunciante e cidade-sede.

O Dow nasceu em 1896 juntando ações numa cesta porque ninguém enxergava a economia olhando empresa por empresa. O S&P 500 repetiu a fórmula em 1957. Agora a Kalshi segue o mesmo argumento, mas muda a matéria-prima.

TELECOM

Vivo e Starlink se casam com separação total de bens

Vivo e Starlink casaram sem prazo nem exclusividade: cada um precisa do outro, mas só por enquanto.

A maior operadora do Brasil apertou as mãos das maior operadora de internet por satélite do mundo: a Vivo vai usar a rede orbital de Elon Musk para 50 milhões de clientes - numa relação aberta e sem juras de amor eterno.

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Para pessoas, o serviço é grátis por 12 meses e liga sozinho quando o celular sai da área de cobertura da Vivo. Por enquanto, a ambição é modesta: mensagens, áudios e ligações no WhatsApp, o Maps e o app da operadora.

Para empresas, a regra é outra. Ao Mobile Time, a Vivo disse que o serviço é gratuito para todos os clientes B2B por três meses.

Mas por que a parceria realmente valeria a pena para cada lado?

  • Vivo: vale a pena porque ela passa a cobrir 100% do território sem gastar com antena onde quase ninguém mora, e ganha um argumento para segurar os clientes que mais pagam, do agro às estradas.

  • Starlink: vale a pena porque entra no Brasil pela porta da frente, com o espectro e cerca de 50 milhões de clientes da Vivo, e prova que o satélite no celular é negócio de parceria com operadora, não de concorrência.

Apesar da foto juntas, as duas entram na relação sem apagar o Tinder e sabendo que o outro lado não excluiu os contatinhos. E enquanto a Vivo já fechou parcerias com rivais da Starlink na Europa, a empresa de Musk também já negociou com a Claro - e fora daqui já licencia as próprias torres para operar em solo.

BRASIL ADENTRO

→ B3, o que aconteceu com a bolsa de ações brasileira um dia após as eleições?

→ ADVBOX comprou os ativos da LawX, legaltech usando IA para a produção de documentos jurídicos, por ~R$ 1 milhão.

→ Leme, a edtech medindo a evolução dos estudantes para ajudar prefeituras e secretarias a melhorar a qualidade de ensino, capta R$ 1,2 mi com a Potencia.

→ Endeavor voltou ontem com o seu evento Day 1 contando a história de alguns dos principais empreendedores do Brasil - com Insider, LiveMode, VTEX…

→ Google liberou o Search Profile para criadores de conteúdo do Brasil com +10k seguidores nas redes sociais (menos o LinkedIn).

STATS

60.000

funcionários da Microsoft receberam uma oferta para se desligarem voluntariamente e continuarem ganhando salário, sem trabalhar, por até 12 meses. São ~27% de todos os 223 mil funcionários da big tech.

Satya fez questão de ressaltar que não é um layoff, é um buyout:

O motivo declarado é que a produtividade aumentou - tanto depois da implementação das ferramentas de IA que também vende aos clientes -, que a diminuição do quadro se tornou necessária.

O motivo não declarado é que os US$ 175 bilhões de investimentos em capex esperados para esse ano (majoritariamente para compra de chips, construção de data centers e acordos de energia) precisam vir de algum lugar.

via NYT

CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

Preparamos 9 gráficos para contar a história inteira do raio-X da Anthropic!

DROP LIKE IT'S HOT

[para comemorar] o aniversário de 25 anos dos iPods com esse mockup totalmente funcional do modelo original.

[para calcular] quanto cada investidor e fundador da Anthropic vai colocar no bolso no IPO.

[para assistir] o podcast com Adam Mosseri anunciando os vídeos longos e horizontais no Instagram.

[para avaliar] se você deve ou não comprar o novo iPhone Duo (dobrável) com o melhor video-review já criado.

[para entender] como a Anthropic chegou na oportunidade de mercado (TAM) de US$ 40 trilhões.

O que achou da edição de hoje?

Lemos tudinho!

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