EDIÇÃO #799 • 16/10/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom dia e bem-vindo de volta para o futuro presente, Dropper!

Hoje eu aprendi: que aparentemente os dias dos carros a gasolina estão contados. Pela primeira vez na história, desde 1920, as vendas de veículos movidos exclusivamente a gasolina caíram para -50% das vendas globais de novos veículos. Tic-tac, tic-tac…

No TechDrops de hoje, direto ao ponto:

• Tesla: já chegou o disco carro voador
•︎ Anthropic a $2 trilhões: realidade ou simulação?
•︎ Trending: o grampo Inspetor Bugiganga
• Neoclouds: quem sobrevive até 2030?
• Stat: -US$ 2 trilhões em chips
• Contra Dados Não Há Argumentos: o clube dos US$ 30 bi

MUSKVERSO

Tesla: já chegou o disco carro voador

TL;DR: O Roadster da Tesla voou de verdade, mas sem preço, sem prazo e sem aval regulatório.

Nós queríamos carros voadores, Elon Musk nos entregou 140 caracteres CARROS VOADORES. Em um evento ontem, a Tesla mostrou o novo Roadster subindo uma rampa vertical, dando um "kick flip" sobre outros carros e pousando com propulsores de ar comprimido - é mais legal ver do que imaginar.

❝

Com 10 bicos propulsores de ar comprimido (até 250 kg), o Roadster consegue criar 2G de aceleração para flutuar DE VERDADE, mas não só isso:

  • Aceleração de 0 a 118 km/h em 1 segundo

  • Velocidade máxima de 370+ km/h

  • Autonomia declarada de 483+ km

Para quem está pensando em usar um Tesla Roadster para pular o carro da frente que não arrancou porque ficou no zap, Musk não deu prazo de entrega e preço final. A promessa é de que ele chegue até 2028 - mas vale lembrar que a própria Tesla já tinha prometido o Roadster para 2020 (lá em 2017).

  • Os otimistas: já enxergam um futuro onde a Tesla e a SpaceX dão as mãos e fazem uma fusão de uma vez por todas, juntando carros elétricos voadores, foguetes espaciais, inteligência artificial, data centers, fabricação de chips, internet via satélite e até lança-chamas.

  • Os pessimistas: o Roadster ainda tem um longo caminho terrestre, aéreo e principalmente regulatório a ser percorrido, já que precisará de autorização tanto da Força Aérea quanto do "Detran" americano - que provavelmente não tem uma legislação pronta.

Apesar do mercado olhar para Tesla como fabricante de carros, Musk olha como uma empresa de robótica. E mesmo que o mercado de carros voadores não decole como o próprio carro, ele tem planos para transformar ficção científica em realidade para colonizar Marte:

Robôs Optimus embarcam na Starship » voos autônomos com data centers orbitais da Starlink »pousam no Planeta Vermelho com propulsores do Roadster » criam túneis com a tecnologia da Boring » publicam a primeira selfie na casa nova no X.

MUNDO AFORA

→ Ramp levantou uma nova rodada a um valuation de US$ 60 bi só quatro meses depois da última captação.

→ OpenAI virou o jogo no processo da Apple e acusa um ex-funcionário de levar mais de 100 arquivos sigilosos sobre seu hardware de volta para Cupertino.

→ Rocket Lab adiou de novo o primeiro lançamento do foguete Neutron, agora para 2027, por problemas na fabricação de peças de fibra de carbono.

→ Netflix comunica layoff de 6% de sua força de trabalho, o que representa aproximadamente 1.000 vagas.

DROPPED BY ORACLE CAST

IA implementada com sucesso. Mas o ROI discorda.

A demo de IA foi aplaudida na sala de reunião. Na segunda-feira seguinte, ninguém mais falava dela.

É que ninguém combinou antes quem era o dono do resultado, qual a baseline e o que significa "dar certo". Aplauso não é métrica, e piloto sem critério pra escalar é só um experimento caro.

❝

No novo episódio do Oracle Cast, Leandro Vieira e Felipe Patané receberam executivos da TRACTIAN e da Starya.AI para falar de como sair do piloto e provar valor: das métricas técnicas ao impacto financeiro, passando pela operação. E ainda: como decidir o que escalar, corrigir ou interromper.

Spoiler: ROI de IA não é um número. É uma cadeia, do modelo ao caixa.

ANTHROPIC

IPO de US$ 2 tri: realidade ou simulação?

A Anthropic fatura bilhões, mas precisa provar que consegue transformar crescimento em lucro antes que a conta da infraestrutura chegue.

A Anthropic já provou que sabe levantar dinheiro: foram mais de US$ 130 bilhões em ~5 anos. Depois de convencer VCs, fundos e gigantes de tecnologia a apostar no seu futuro, a criadora do Claude se prepara para levar essa história à bolsa. A pergunta que não quer calar: um valuation de US$ 2 trilhões é realidade ou simulação?

❝

→ A pílula da realidade: o crescimento impressiona. A receita saltou de ~US$ 380 milhões em 2024 para US$ 4,6 bilhões em 2025 e já passou dos US$ 33 bilhões nos primeiros nove meses de 2026. A projeção interna é de US$ 190–200 bilhões de receita em 2028.

← A pílula da simulação: um valuation de US$ 2 tri equivale a ~30x a receita anualizada da empresa - um preço que já embute muito crescimento futuro.

Mas três riscos principais, que não amedrontaram os investidores privados, podem assustar os investidores da bolsa:

  • O primeiro deles é a concentração da receita: apenas dois clientes responderam por 24% da receita de 2025. Poucas empresas precisam e podem arcar com essa conta (Meta cof cof, Google cof cof) - e ambos já desenvolveram os próprios modelos, que batem de frente com o Claude.

  • O segundo deles são os gastos: são pelo menos US$ 518 bilhões previstos em infraestrutura ao longo de uma década, boa parte em contratos que não podem ser cancelados - se os clientes pisarem no freio, os boletos continuam chegando.

  • O terceiro deles é a desaceleração: a receita cresceu 145% no segundo trimestre e 45% no terceiro. Apesar de ser um salto à la Jordan, a disputa por preços aperta a conta: com tokens mais baratos, mais uso não se traduz automaticamente em mais receita na mesma proporção.

O brasileiro pode até ter esquecido como funciona um IPO depois de quase cinco anos de seca tech na B3. Na Nasdaq, os US$ 85,7 bilhões levantados pela SpaceXAI SpaceXSI ainda estão fresquinhos na memória.

Que teremos um futuro cheio de inteligência artificial, pouca gente duvida. Resta agora descobrir quanta gente acredita que o futuro de IA é lucrativo e que quem vai comandar a música é a Anthropic.

TRENDING

O grampo mais Inspetor Bugiganga da história do Vale

O Meet mais protegido da OpenAI tinha um participante que não estava no invite. Abdulrahman Alfozan, engenheiro da empresa desde julho de 2025, foi preso e acusado de usar um dispositivo para interceptar as conversas.

O espaço em que o grampo foi encontrado também recebe briefings externos com autoridades do governo e parceiros de negócio. Pelo que a acusação relatou, parece roteiro de um episódio perdido de Mr. Robot:

  • O gadget: um Seeed XIAO ESP32-S3 Sense, plugado na porta USB da TV da sala executiva.

  • A camuflagem: papel higiênico.

  • A descoberta: o time de contramedidas de vigilância da OpenAI achou o aparelho numa varredura da sala. Sim, a OpenAI tem uma equipe só pra caçar grampo.

  • O gênio do crime: depois da descoberta, a empresa instalou uma câmera na sala, e Alfozan foi conferir. No mesmo dia, deixou uma bolsa com documento e um gravador do mesmo fabricante do grampo.

Segundo os promotores, o engenheiro usou a conta de ChatGPT da esposa para pesquisar como montar e esconder o dispositivo. Pediu ajuda pro Google produto da empresa que estava grampeando.

BRASIL ADENTRO

→ Prisma Capital, a gestora de investimentos alternativos com R$ 28 bi sob gestão, está vendendo 35% de participação para o Itaú por valor não revelado.

→ Asaas fechou uma parceria com a Adyen e entrou no ringue das maquininhas para disputar com Stone, PagBank, Itaú, Cielo, etc.

→ Matria, a healthtech mineira, captou US$ 6,5 milhões com a Astella para escalar seu copiloto de IA para hospitais.

→ Magalu que já havia fechado parceria para vender seus produtos na Amazon e Meli, agora chegou também com a Shopee

INFRA

Neoclouds: quem sobrevive até 2030?

TL;DR: Gartner prevê que mais de 80% das neoclouds não sobrevivem como independentes muito além de 2030.

Toda partida de Banco Imobiliário tem o jogador que hipoteca meio tabuleiro para botar hotel no resto. Na tech, esse papel é das neoclouds, e a Gartner prevê que mais de 80% delas não sobrevivem como empresas independentes muito além de 2030.

❝

As neoclouds (CoreWeave, Nebius, Lambda) nasceram para comprar GPUs e alugar poder computacional. Algumas são ex-mineradoras de bitcoin que só trocaram de combustível. Diferente das hyperscalers (Microsoft, Google, Amazon), não têm outro negócio para bancar a aposta.

O problema está em dois relógios: a adoção de IA pelas empresas e a troca de geração dos chips. O mercado cresce, mas não rápido o bastante para pagar as GPUs. A CoreWeave, que tem dois dos maiores clientes do mundo na sua carteira (Microsoft e OpenAI), caiu 15,5% na quarta e já perdeu -50% do valor de mercado nos últimos 12 meses.

  • Até que tava bom: em junho, a Gartner via as neoclouds com 20% de um mercado de US$ 260 bi em 2030.

  • Aí ficou ruim: agora, a mesma empresa prevê que mais de 80% delas não chegam lá sozinhas.

  • E parece que piorou: até 2032, US$ 4 tri em ativos podem sofrer baixa contábil.

As bigtechs e hyperscalers não estão muito diferentes do que diz respeito aos gastos, mas têm mais lenha na reserva pra queimar antes de ficar em perigo. Só que isso não é infinito e já tem previsão de que até 96% do caixa dessas empresas vire Capex nos próximos anos.

Jensen Huang segue sorrindo.

STATS

~US$ 2 trilhões

é o valor de mercado aproximado que empresas de chip perderam nos últimos dias.

A maré das novas queridinhas do mundo tech virou e o motivo…. bem: inflação acima do esperado » maior risco de alta dos juros » crédito mais caro » custo de financiar a construção de novos datacenters nas alturas.

As fabricantes de memória estão no meio do fogo cruzado:

  • SanDisk despencou -13,3%.

  • Micron recuou -10,1%.

  • SK Hynix, em Seul, perdeu mais de ¼ do valor: −26,8%.

  • Samsung caiu -21,8%.

IA promete fazer muitas coisas, mas pagar a conta ainda não é uma delas - nem um bom lucro acalma se juros e inflação não colaborarem. Otimistas de plantão lembram que o pânico de verdade só deve se instaurar quando as big techs pararem de gastar. Até lá, é só mais uma sexta-feira normal.

via Reuters

CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

O clube dos US$ 30 bilhões de receita

Maiores aumentos da receita acumulada em 12 meses, em dólares de 2026.

via Ark Invest

Apenas 32 empresas na história dos EUA aumentaram sua receita em mais de US$ 30 bilhões em 12 meses, usando valores atualizados de 2026.

A Anthropic acaba de registrar, de longe, os 12 meses mais impressionantes da história dos negócios:

  • ExxonMobil aumentou a receita em US$ 165 bi, um crescimento de 35%.

  • Amazon aumentou em US$ 147 bilhões, um crescimento de 40%.

  • Micron aumentou em US$ 95 bilhões, um crescimento de 255%.

  • OpenAI cresceu US$ 31 bilhões em doze meses, um crescimento de 250%.

  • Anthropic cresceu impressionantes US$ 33 bilhões ou 1.100% de growth.

A ExxonMobil e a Amazon até acrescentaram mais receita em dólares, mas já partiam de bases enormes. A Anthropic acrescentou ~US$ 33 bilhões enquanto multiplicava sua receita por aproximadamente 12x.

DROPPED BY BLIP

Quando a conversa vira receita

O Banco Arbi saltou de 10% para 54% de conversão. O Inter multiplicou por 7 a taxa de fechamento de crédito. Como? Investindo em inteligência conversacional.

❝

A Blip gerou mais de R$ 30 bi de impacto na receita dos seus clientes com IA conversacional só em 2026. Agora, reuniu esses e outros cases em um report completo: com casos reais e um playbook pra aplicar no seu negócio. Acesse aqui →

DROP LIKE IT'S HOT

[para atualizar] como saber se uma startup tem um moat em 2026 (inglês)

[para assistir] a apresentação completa da Tesla ontem (21 minutos)

[para aspirantes a astrônomos] as fazendas de telescópios no Texas

[para bater palmas] para o melhor currículo interativo já criado.

O que achou da edição de hoje?

Lemos tudinho!

Login or Subscribe to participate

Reply

Avatar

or to participate