EDIÇÃO #756 • 03/07/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom Dia, Dropper!

Hoje eu aprendi: que um dos hobbies do CEO da Meta, Mark Zuckerberg, é tentar produzir a melhor qualidade de carne bovina do mundo. Para isso, seu rebanho toma cerveja gelada para ficar com mais fome e come macadâmias, ambas produzidas na própria fazenda em Koʻolau no Havaí.

No TechDrops de hoje, direto ao ponto:

Meta: quer uma nuvem para chamar de sua
ASML: o último monopólio de IA
Trending: OpenAI quer Trump como sócio
Stats: 25% do iFood
TikTok vai trazer seus datacenters ao Brasil
•︎ Contra Dados Não Há Argumentos: a dominância da SpaceX

CLOUD

Meta quer uma nuvem para chamar de sua.

Os planos de Zuck para alugar seus datacenters para terceiros.

Depois de gastar centenas de bilhões de dólares adquirindo talentos, desenvolvendo IAs e construindo datacenters, a Meta ainda tem muito pouco (quase nada) para mostrar - e Zuck não está feliz. A saída para não repetir a tragédia do metaverso é só uma: se tornar uma provedora Cloud.

Se a Meta realmente alugar o excesso de capacidade computacional não utilizada, se junta ao hall da fama da infraestrutura - o grupo de empresas que mais se beneficiou desde que começou o boom da IA: CoreWeave, Nebius, SpaceX, AWS, Google, Microsoft, Cloudflare, DigitalOcean, Oracle, etc.

Se a motivação veio da oportunidade gerada pelos US$ 145 bilhões de Capex deste ano… ou do fato da Meta ter perdido ¼ do seu valor de mercado desde o ano passado, ninguém sabe. O que se sabe é que os planos de criar a própria divisão da nuvem são divididos em duas frentes:

  • Modelo 1: vender acesso a modelos de IA já existentes na infra da empresa para outros desenvolvedores - assim como a Amazon Bedrock.

  • Modelo 2: vender a capacidade excedente diretamente a outras empresas - nos moldes da CoreWeave e do que a SpaceX fornece para o Google.

Depois de ter fechado parcerias com a CoreWeave, Nebius, Oracle e Cerebras... a Meta espera aumentar a sua capacidade computacional de 7,5 GW para 21 GW em três anos. E isso se traduz em grana:

→ Se cada 1GW adicional pode gerar US$ 20 bilhões em receita anual incremental, esse sidejob da família de apps pode se converter em US$ 270 bilhões em receita adicional por ano!
→ Se cada 1GW adicional pode gerar US$ 0,50 de lucro por ação incremental, (se continuar sendo negociada a 20x P/E) o sidejob pode adicionar US$ 1,49 trilhão ao valor de mercado da Meta.

→ Nesta madrugada, a SoftBank anunciou que pretende fazer o mesmo e promete ~10 GW de poder para aluguel nos EUA até 2030.

MUNDO AFORA

→ Microsoft decidiu investir US$ 2,5 bi na criação de uma unidade de negócios de FDEs (forward deployed engineering) e se junta à AWS, Palantir, OpenAI, etc.

→ Tesla superou as expectativas e bateu recordes ao produzir 451.758 e entregar 480.126 veículos no segundo trimestre. Mesmo assim, suas ações despencaram -7%.

→ Bending Spoons, o grupo italiano comprador de startups americanas (quase) esquecidas, abriu IPO na Nasdaq e disparou +40% no primeiro dia de negociação.

→ Erebor, a fintech do fundador da Palantir, Palmer Luckey, chegou aos primeiros US$ 4 bi de depósitos e busca captar uma rodada a US$ 8 bi de valuation.

→ SpaceX mostrou a investidores o protótipo de um suposto aparelho de IA para bater de frente com os aparelhos da Apple ou Android (Musk nega).

→ Anthropic escolheu a Samsung para produzir os seus chips customizados para treinamento e inferência de IA.

CHIPS

ASML: o último monopólio da IA

Quem consegue ameaçar o domínio da única impressora de circuitos do mundo?

Mais do que gerar textos e imagens, a IA gera empresas trilionárias. No lado do hardware, além da Nvidia desenhando e a TSMC produzindo, outra empresa cresceu MUITO nessa onda e não tem rivais à vista: ASML, a única empresa do mundo capaz de fabricar máquinas de litografia EUV.

Caneta dropadora: máquinas de litografia são "impressoras de chips", que colocam os bilhões de circuitos nanométricos nos wafers de silício que vão abastecer processadores e memórias.

O modo EUV (ultravioleta extremo) patenteado pela ASML é vital para a criação dos chips mais avançados - todos os que treinam e executam IA, inclusive.

O setor se tornou um dos mais concentrados e monopolísticos do planeta. Toda a cadeia global de IA depende, em algum ponto, de uma única linha de produção.

Por que a ASML é tão dominante?

→ As máquinas EUV são consideradas alguns dos equipamentos mais complexos já construídos pela humanidade.
→ Cada uma usa cerca de 1 milhão de peças, vindas de 5 mil fornecedores.
→ Precisa de dois anos para ser fabricada.
→ E 250 engenheiros para a instalação de cada unidade.
→ A um custo de US$ 400 milhões, cada.

Isso explica por que a produção anual é tão baixa (48 máquinas em 2025) e por que nenhuma outra empresa conseguiu replicar essa capacidade até hoje. Mas tem gente de olho em mudar essa história e aproveitar que a demanda por IA parece ser mesmo infinita:

  • Lace Lithography: uma startup norueguesa que promete usar litografia atômica para imprimir os chips - com máquinas 10x mais baratas e com 100x menos peças - até 2029.

  • Substrate e xLight: duas americanas usam litografia por raio-X para conseguir criar transistores menores.

  • Huawei: a chinesa alega que redesenhar a arquitetura dos chips pode fazer com que a litografia de ponta seja dispensada.

  • SpaceX/Tesla: o projeto Terafab de Elon Musk pretende verticalizar toda a cadeia de semicondutores (design, litografia, fabricação, empacotamento) em uma única instalação no Texas.

Nenhuma dessas alternativas está comercialmente comprovada ainda, e a ASML continua incontestável no curto prazo. Mas a combinação de capital abundante, urgência e limites físicos do EUV sugere que o monopólio pode começar a rachar até o começo da próxima década.

TRENDING
OpenAI quer Trump como sócio

Se a proximidade e as doações dos principais CEOs americanos para Donald Trump não eram indicativos suficientes da importância de ter o governo do seu lado, a OpenAI vai te convencer: a startup está considerando ceder 5% das suas ações ao governo.

Como o valuation mais recente da OpenAI é de US$ 852 bilhões, uma participação de 5% valeria US$ 42,6 bilhões e completaria todo o ciclo: nasceu como ONG, cresceu como organização com fins lucrativos e acabou como estatal.

Segundo o Financial Times, o CEO Sam Altman (que por sinal tem 0%) fez o pitch diretamente ao presidente Trump, como uma forma de ganhar vantagem dividir com a população os benefícios gerados.

A proposta consiste na criação de um fundo soberano (inspirado no Alaska Permanent Fund), trazer outras empresas para dentro (Anthropic, Google, Meta, etc) e distribuir dividendos dos retornos gerados para o público americano.

Desde que assumiu o poder, Trump já comprou participações (pelo Governo) tanto na IBM, quanto na Intel. Isso sem contar os +21,000 trades que o presidente realizou (com capital próprio) e os US$ 2 bilhões que sua família enriqueceu desde que assumiu o último mandato.

DATACENTER

TikTok vai trazer seus datacenters ao Brasil

A dona do app das dancinhas escolheu o Ceará para abrigar seu datacenter

Assim como toda grande empresa americana, a chinesa por trás do TikTok (ByteDance) também está apostando pesado na construção de datacenters. A diferença é que ela escolheu o Brasil como destino do seu maior complexo fora do país-natal - mais especificamente em Pecém, no Ceará.

O orçamento do projeto está estimado em ~R$200 bilhões e o pequenino distrito de Pécem, localizado entre São Gonçalo do Amarante e Caucaia, tem ~16.000 habitantes.

O projeto contará com:

  • 20 data halls (salas de dados)

  • 200 megawatts de capacidade de TI (expandindo para 1 GW)

  • A previsão é que a primeira sala entre em operação já em 2027.

  • A ampliação deve ocorrer em fases até 2029.

Com grandes servidores, vem a necessidade de grandes volumes de energia para abastecê-los. Para isso, a ByteDance fechou parceria com a dona do maior portfólio de projetos eólicos do Brasil, a Casa dos Ventos - que se compromete a prover energia renovável pelos próximos 20 anos por R$ 2 bilhões.

PS: detalhes sobre a transferência de tecnologia, a política de compensação dos danos ambientais, relatório de impactos sociais ou a quantidade de empregos gerados não foram divulgados - #DontShootTheMessenger

BRASIL ADENTRO

→ Guipa, a adtech transformando motoboys em outdoors (publicidade em motos), capta rodada pré-seed de R$ 7,5 mi com investidores anjo.

→ Designa, a agência responsável pela criação do primeiro app da Buser há quase 10 anos, é adquirida pela própria Buser por valor não declarado.

→ Warren, a fintech/corretora fundada pelos ex-sócios da XP, vendeu a maior parte dos seus ativos para fintech argentina Cocos Capital.

→ BTG está co-liderando uma rodada série D de US$ 85 milhões na fintech colombiana Addi junto a Citius, GIC e Monashees.

COPA DROPS

A busca pela empresa mais Dropper continua

Ainda dá tempo de colocar sua empresa no topo

O fone de ouvido Beats Solo 4 da Copa Drops já tem dono: gabrielrag***@gm*** levou o prêmio da rodada passada.

Nesta semana, o prêmio é um Apple Watch SE 3 e a mecânica continua a mesma: quanto mais indicações, mais chances de ganhar.

Para concorrer, é só acessar a página da Copa Drops e indicar a newsletter para os colegas de trabalho.

STATS

25%

da receita total do iFood não vem mais dos seus pedidos de larica, mas das soluções de fintech do grupo - iFood Pago, Zoop e iFood Benefícios - que geraram R$ 2,5 bilhões e cresceram mais rápido que a vertical de delivery.

via Let's Money.

CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

Lançamentos da SpaceX vs. resto do mundo

Até o final de junho, a SpaceX já lançou seus foguetes 76 vezes - com zero falhas. O resto do mundo somado (todas as outras agências e empresas espaciais) fez 55 lançamentos, com 6 fracassados.

A empresa de Musk lança mais e erra menos que a soma de todos os concorrentes globais juntos. Não é à toa que o IPO foi um sucesso, mesmo com a SpaceX ainda gerando muito menos receita do que o necessário para ficar com EBITDA positivo.

DROP LIKE IT'S HOT

[para ouvir] o som ambiente do espaço, asteroides e atividades sísmicas.

[para julgar] os livros pela escrita, não pela capa.

[para escrever] o seu nome ou outras palavras usando imagens.

O que achou da edição de hoje?

Lemos tudinho!

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