EDIÇÃO #776 • 19/08/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom dia, Dropper!

Hoje eu aprendi: que a Ferrari elétrica Luce pode ter virado piada no lançamento, mas uma versão customizada foi arrematada em um leilão pela bagatela de US$ 40 milhões - 36x mais do que a estimativa de US$ 1,1 mi. No mais, apesar dos incansáveis memes, a Ferrari já bateu a meta de vendas do ano nos dois primeiros meses.

No TechDrops de hoje, direto ao ponto:

Meta: inicia sua maior batalha (jurídica)
Etched: datacenters bem pertinho.
Trending: US$ 10 milhões por dados da Spirit
Unitree: o IPO dos robôs humanoides
Stat: R$ 111 mi do TikTok Shop
Contra Dados Não Há Argumentos: os 6 bilhões da Meta

REDES SOCIAIS

Meta inicia sua maior batalha (jurídica)

Batalha nos tribunais entre Zuck e quatro estados dos EUA pode gerar multa de até US$ 1,4 trilhão e mudanças nas redes sociais.

Depois de uma viagem ao tribunal do Novo México e da condenação de US$ 942 milhões, Zuck passou em casa tomar banho e já colocou o terninho de novo. Agora ele está no tribunal federal na Califórnia para responder por outro processo. Muito maior, mais caro e mais impactante.

Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey estão processando a Meta em até US$ 1,4 trilhão, alegando que a empresa fisgou intencionalmente jovens no Facebook e no Instagram por meio do design de produtos viciantes.

A ação também acusa a empresa de ter enganado o público sobre a segurança dos produtos e violado uma lei de privacidade infantil.

O valor de mercado do império de Zuckerberg é de US$ 1,45 trilhão.
O valor da multa calculada pelos advogados chega a US$ 1,4 trilhão.

Além do rombo financeiro, a empresa pode ser obrigada a alterar algumas das principais funcionalidades dos apps. Os tais recursos viciantes, que incluem:

  • Scroll infinito: como não existe o fim do feed, não existe o momento em que a criança o usuário finaliza a experiência.

  • Autoplay:o próximo vídeo começa sem ninguém pedir. Você consome sem nem escolher.

  • Conteúdo efêmero (Stories): as 24h de validade fabricam urgência. Ou você checa hoje, ou perdeu.

  • Likes e métricas sociais públicas: recompensa variável em intervalo aleatório - uma comparação com cassinos e tabaco.

  • Push notifications: gatilhos de reengajamento calibrados pra puxar o usuário de volta, inclusive de madrugada - gerando privação do sono.

  • Filtros de beleza: remoção dos filtros "desenhados em torno da beautificação", ligados às alegações de dismorfia e transtorno alimentar.

  • Algoritmo otimizado para engajamento: descrito no processo como "manipulador de dopamina".

  • Dados: os estados querem que qualquer modelo treinado com dados de menores de 13 anos seja deletado.

A fila na porta do tribunal já conta com 25 estados esperando a vez, com processos que se apoiam na mesma tese. Se o juiz decidir que “design viciante” realmente configura defeito de produto, a Meta passa de ré a jurisprudência.

Todas as outras redes que vendem tempo de tela (YouTube, TikTok, X, Snap, Pinterest, etc) já sentem o frio na espinha.

MUNDO AFORA

→ OpenAI está lançando o ChatGPT for Teens, com guardrails mais amplos para a proteção dos menores de idade.

→ Anthropic revelou que terminou julho já com US$ 67 bilhões de ARR - US$ 27 bilhões a mais que a OpenAI.

→ Cursor aproveitou que o GitHub ficou fora do ar em um dos seus piores downtimes para lançar a sua própria versão concorrente.

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INFRA

Etched: o Davi do Golias da Nvidia

A empresa produzindo chips para inferência de IA simplesmente dobrou de valor em um mês.

Houve tempos em que os calouros de 20 anos construíam apps para resolver as filas nas baladas com dinheiro do pai. Hoje, eles largam a faculdade, levantam bilhões e constroem chips. Essa é a história da Etched, que acaba de captar US$ 700 mi e ser avaliada em US$ 21 bi para colocar datacenters na lua na sua sala!

A Etched foi fundada há 4 anos por 3 dropouts de Harvard para criar uma startup que desenha os próprios chips, desenvolve os próprios servidores e instala no escritório de quem quiser, batendo de frente com a maior empresa do mundo, a Nvidia e seus US$ 5,3 trilhões.

A Nvidia multiplicou 13,5x seu valuation desde a chegada do ChatGPT porque seu chip é ideal para treinar modelos. Mas depois do treinamento vem a inferência (a entrega de tokens, o uso em si) e foi nessa brecha que a Etched focou:

  • 44 dias: o tempo entre a Etched receber os chips de teste da TSMC e ter eles rodando inferência - enquanto o padrão da indústria é seis meses.

  • 700 nanossegundos: o que os chips deles levam numa tarefa de comunicação interna, o Blackwell da Nvidia leva 4.000.

  • 2 megawatts: o datacenter que montaram dentro do escritório em San Jose, para clientes testarem o produto remotamente antes de assinar.

  • 15% dos ~400 funcionários: vieram da própria Nvidia, incluindo Brian Loiler, que tinha 23 anos de casa.

  • 20 pessoas em Taiwan: onde a Etched é dona de uma fábrica de componentes de servidor - enquanto a concorrência terceiriza, ela testa.

O primeiro cliente da Etched é ninguém menos que a Jane Street - a casa de quantitative trading que além de compradora, também é investidora e está liderando a nova rodada de investimentos. Para o futuro, o backlog já tem mais de US$ 1 bilhão em contratos.

A Etched não está sozinha na missão de furar a bolha da Nvidia: Groq, Cerebras, SambaNova e Fractile fazem parte de uma nova geração de startups de semicondutores, apostando em um mercado que quer depender cada vez menos de um só fornecedor.

PS: o novo valuation é o dobro do anotado menos de um mês atrás.

TRENDING

Google comprou os dados velhos da Spirit Airlines

Imensas threads de emails brigando com fornecedor, listas enormes de tickets de bugs, conversas velhas (inclusive as #off-topic) do Slack… tudo isso pode não valer nada para você, mas vale para quem quer treinar IAs. E o Google acaba de pagar US$ 10 milhões por 100 milhões de emails e 500 milhões de chats de uma companhia aérea falida.

Contexto: a Spirit Airlines era uma companhia aérea americana que declarou falência em maio deste ano. Para cobrir os US$ 8,1 bilhões em dívida, a corte começou a vender os ativos que restaram. A JetBlue pagou ~US$ 60 milhões pelas vagas no portão, o Google pagou 1/6 disso pelos rastros digitais.

Os dados incluem registros de funcionários desde 1986, dados de preços de voos próprios e de concorrentes, curvas de reserva, histórico de reembolso, linhas de código de produção, emails trocados por +17k funcionários ao longo de +30 anos.

Mas por quê? Porque o lixo de um é o luxo do outro e os grandes laboratórios de IA entendem que esse tipo de dado é o que falta para o seu chatbot de IA deixar de responder perguntas para responder emails de clientes.

A SpaceX está treinando o novo modelo da XAI com todos os dados de engenharia coletados ao longo de mais de duas décadas.
A Mercor, que também deu um lance nos dados da Spirit, tem pago a trabalhadores individuais por documentos de seus antigos empregos.

O que havia de dados públicos na internet, as startups de IA já rasparam. O que havia de dados não públicos em livros, também já alimentaram o treinamento de LLMs. Mas a fome é tão grande que até os dados que só ocupavam espaço do seu HD agora têm valor.

BRASIL ADENTRO

→ Premia, a edtech que desenvolve modelos próprios de IA para a educação básica e o ensino superior, captou R$ 5 milhões na sua primeira rodada.

→ Discord, disse que vai cumprir a ordem da ANPD e tirar do ar as lives e compartilhamentos de tela no seu app no Brasil.

→ Webmotors, a maior plataforma de classificados automotivos do Brasil, anunciou a aquisição da Syonet, o CRM do setor automotivo.

→ Condutive, a energtech com um marketplace de compra e venda de soluções de energia limpa, captou rodada pré-seed de R$ 2,5 mi liderada pela DOMO VC.

Dropped by Questum

IA virou critério de triagem no buy-side

E a pergunta que fica: será que sua tese ainda se sustenta pra um M&A?

A maioria do mercado não entendeu que preparação, timing e narrativa crível de tecnologia são os verdadeiros diferenciais competitivos. Quem entendeu, fechou negócio.

O Report Questum 2026.1 analisou os 87 deals do 1º semestre e revela quem está comprando, vendendo e ditando o ritmo dessa consolidação.

*Conteúdo de marca parceira
ROBÓTICA

Unitree: o IPO sobre duas pernas

A maior fabricante de robôs humanoides do mundo abre capital e levanta US$ 900 milhões a um valuation de US$ 60 bi.

O Brasil passou quase cinco anos sem ver uma única empresa abrir capital na B3. No mesmo período, a China listou mais de MIL empresas e hoje quem bate o gongo é a maior fabricante de robôs humanoides do mundo. A Unitree está abrindo capital.

A convicção de que o futuro será dos robôs é tão grande que a demanda foi 8.000x maior que a oferta de ações (oversubscribed).

via Reuters

No mercado privado quem diz quanto uma empresa vale é sempre um seleto grupo de VCs e outros investidores institucionais. Mas depois da abertura de capital quem coloca a etiqueta de preço é o povo:

  • Valor de mercado pré-IPO: US$ 9,1 bilhões (219x lucro, 36x receita).

  • Valor de mercado no IPO: US$ 50 bilhões (1.203x lucro, 198x receita)

Como em todo IPO, os primeiros dias podem carregar uma boa dose de especulação. Mas a lista de motivos reais que fizeram os investidores chineses se animarem é crescente:

Entregou +5.500 humanoides no ano passado - a maior vendedora do mundo.
A China tem 90% da produção global de humanoides - e 75% das entregas.
A receita do primeiro trimestre subiu 68%.

Já a lista do que eles resolveram ignorar é mais curta, mas incômoda:

O cão-robô responde por 42% da receita - o humanoide ainda é vitrine.
Uso industrial ficou em -10% das vendas - o resto é universidade e pesquisa.
No mesmo tri dos 68%, o lucro ajustado caiu mais da metade - culpa do P&D.

A Unitree também enfrenta um problema sórdido: ~40% do faturamento vem de fora do país e os EUA apertaram o cerco. Primeiro a empresa foi barrada de fazer negócio com o Pentágono por ter vínculo militar na China, depois Washington proibiu a importação de robôs estrangeiros por questões de segurança nacional. Capital aberto, portas fechadas.

PS1: A estreia da Unitree coincide com o novo robô que salta 2m de altura e, ironicamente, se chama Superhuman.

PS2: Também coincide com a 2ª edição dos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides, onde 2.000 deles estarão competindo.

STATS

R$ 111 milhões

é quanto o TikTok está investindo para criar a sua própria transportadora no Brasil, em vez de depender da concorrência ou dos Correios. A TikTok Logistics Brazil chega para atender o terceiro maior mercado para o aplicativo no mundo, atrás apenas dos EUA e Indonésia - e da China, mas lá a ByteDance opera um app um pouco diferente chamado Douyin.

CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

O tamanho dos apps da Meta

Facebook e Instagram lideram como os maiores apps de social media do mundo, com mais de 6 bilhões de contas somadas.

Se a Justiça dos EUA vai conseguir provar que os apps de Zuckerberg são ilegalmente viciantes, saberemos em breve. O que já dá pra saber é que eles têm métricas invejáveis de base instalada e retenção.

Não é à toa que o Facebook segue como a rede social mais usada no mundo (3,1 bilhões de pessoas), agora com o Instagram na vice-liderança (com 3 bilhões). Isso que o ranking não considera o WhatsApp, que leva mais 3,3 bilhões de usuários ativos mensalmente.

Mark Zuckerberg sempre quis criar uma nova internet em que todo mundo passasse o tempo navegando sob os grandes olhos que tudo veem e tudo sabem da Meta… e tem conseguido.

DROP LIKE IT'S HOT

[para se inspirar] no post de lançamento do Cursor há 4 anos. Essa semana, a startup foi comprada por US$ 60 bilhões.

[para estudar] How to think about the robotics market (inglês)

[para pechinhar] depois de anunciar $17 bi em dívidas e fechar 298 lojas, a Casas Bahia está fazendo um leilão para queimar estoque.

O que achou da edição de hoje?

Lemos tudinho!

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