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EDIÇÃO #775 • 17/08/2026 • THEDROPS.COM.BR |
Bom Dia, Dropper!
Hoje eu aprendi: sobre um banco italiano (Credem) que aceita rodas de queijo Parmigiano-Reggiano como garantia de empréstimo. O banco as armazena em cofres climatizados, pagando ~60-80% do valor de mercado enquanto o queijo amadurece (12-36 meses). Hoje o estoque inclui +500k rodas avaliadas em +€300 milhões.
No TechDrops de hoje, direto ao ponto:
•︎ Anthropic: se preparando para o IPO
• Tesla: está chegando o carro voador
•︎ Stat: ~48,4% da SpaceX
•︎ Liverpool agora é de Bezos e Eduardo Saverin
•︎ Contra Dados Não Há Argumentos: Gastos com IA

IPO
Ô abre alas que a Anthropic quer passar.
A empresa por trás do Claude está se preparando para o primeiro grande IPO puramente de IA.

Até agora nenhuma startup puramente de IA cruzou a linha de chegada da bolsa de valores e foi obrigada a aparecer nua e crua sob os olhos do público - e dos reguladores. Mas a Anthropic já está com roupa de corrida para estrear o que pode ser o maior IPO da história - furando a fila da OpenAI e da DeepSeek.
O CFO Krishna Rao é quem está liderando as reuniões com investidores para uma estreia já em outubro, com investidores cravando o valor de mercado em ~US$ 2 trilhões (à frente do US$ 1,77 trilhão da SpaceX). E o que sustenta esse preço é o ritmo da música:
→ Dezembro 2023: US$ 87 milhões de receita anualizada (ARR).
→ Dezembro 2024: US$ 1 bilhão (10x no ano).
→ Dezembro 2025: US$ 9 bilhões (9x no ano).
→ Dezembro 2026: US$ 100-120 bilhões (11-13x no ano).
→ Dezembro 2027: US$ 160 bilhões (~45%, projeção)*.
→ Dezembro 2028: US$ 235 bilhões (~45%, projeção)*.
Receita e crescimento importam, mas isso todos os grandes labs têm. O que diferencia a Anthropic é que depois de comprar chips, contratar pesquisadores e treinar modelos… ainda sobra grana:
a Anthropic fechou o segundo trimestre com um lucro operacional de US$ 559 milhões em cima de uma receita de US$ 10,9 bilhões - com foco em grandes contratos empresariais.
já a OpenAI fechou o primeiro trimestre com um prejuízo operacional de US$ 9,3 bilhões em cima de uma receita de US$ 5,7 bilhões - com muita dependência de assinantes individuais e, agora, ads.
Os investidores da primeira fase (VCs do Vale do Silício) apostavam que ela poderia ser o grande lab que controlaria a inteligência de máquina, comendo o lanche das startups na indústria de software, finanças, defesa e medicina.
Os investidores da segunda fase (Wall Street, Faria Lima) vão olhar mais para como tudo o que está no PPT vai se transformar em números positivos no CSV.
PS: o Brasil é o terceiro maior mercado da Anthropic, atrás dos EUA e Índia.

MUNDO AFORA
→ Alibaba acaba de atingir a marca de 3 bilhões de downloads do seu modelo de IA Qwen, superando a Meta e Google como modelo mais baixado do mundo.
→ Nvidia revelou que é dona de US$ 21 bilhões da SpaceX, seguindo um investimento feito na xAI, que depois foi incorporada à mesma empresa.
→ Samsung comprou a parte da GM em uma joint-venture de produção de baterias nos EUA e vai pivotar de carros elétricos para datacenters.
→ Anthropic está em conversas para adquirir a startup de modelos de mundo em tempo real e software que melhora o desempenho de chips, Decart, por US$ 6 bi.

MUSKVERSO
O Tesla voador da SpaceX
TL;DR: Elon Musk deve apresentar duas versões do Tesla Roadster ainda em agosto, sendo que uma delas teria propulsão da SpaceX.

via The Information
O mesmo cara que comprou a rede social dos 140 280 caracteres, vai colocar os propulsores que lançam seus foguetes para o espaço nos carros elétricos para finalmente fazê-los decolar - mas essa notícia é menos sobre carros voadores e mais sobre uma possível fusão da empresa de foguetes com a empresa de carros de Elon Musk.
A Tesla planeja um evento para revelar seu primeiro Roadster com capacidade de voo. Apesar do hype, a versão pelos ares não será legalizada para rodar em via pública, pode custar milhões de dólares e será operada remotamente na demonstração - já que o barulho e a força dos propulsores tornaria perigoso ter alguém dentro.
O carro que decola usando propulsores de foguetes provavelmente não será um sucesso comercial, mas é a forma mais barata de testar se o mercado aceita uma aproximação ainda maior entre Tesla e SpaceX. Os argumentos pró e contra uma fusão:
Pró: o Wall Street Journal descobriu que o pacote de remuneração de US$ 1 trilhão de Musk tem uma brecha - se a Tesla se fundir com a SpaceX, ele pode destravar parte do payout contornando algumas metas originais do plano.
Contra: a SpaceX já perdeu US$ 600 bi desde o pico no IPO há um mês. Os acionistas da Tesla têm motivo de sobra pra questionar o valuation de entrada nesse momento.
Pró: o nome da Tesla aparece mais de 80x no prospecto de IPO da SpaceX e as duas companhias já dividem Terafab (chips), integração do Starlink no Cybercab, o agente de IA Digital Optimus e a plataforma Macrohard.
Contra: a Tesla está queimando cerca de US$ 3,25 bilhões de fluxo de caixa livre por trimestre, e herdar o apetite de capital da SpaceX (que também capta bilhões pra Starship e Starlink) piora a fotografia financeira.
Os apostadores da Polymarket dão só 18% de chance de fusão até o fim de 2026. Já Gene Munster, da Deepwater Asset Management, discorda e estima em 90%.
Quando perguntado diretamente sobre isso no earnings call, Musk esquivou e não disse nem que sim nem que não. O carro voador é menos um produto real e mais uma prova visual ao vivo do overlap.
TRENDING
Forbes under 30 Arrest
Muita gente sonha em entrar nos rankings da Forbes “30 Under 30". Pouca gente consegue chegar lá e alguns desses poucos mudam do “under 30” para “under arrest” - incluindo Elizabeth Holmes e Sam Bankman-Fried. Na semana passada surgiram novidades que apontam que também há problemas da revista pra dentro:
Em Wall Street, Nova York: o NYT descobriu que o chefe de conteúdo da Forbes, Randall Lane, recebeu US$ 6 milhões do dono da Shook Research - parceira da revista desde 2016 na publicação de rankings pagos de assessores de investimentos. Randall nunca declarou o recebimento para a empresa, que tem um manual proibindo ganhos pessoais. Ele foi demitido.
Na Faria Lima, São Paulo: a CVM aponta que o fundo Eagle Eye Investments (gerido pela Reag, ligada a Daniel Vorcaro e sob investigação da PF) detém ~90% das ações da controladora da Forbes Brasil. A Times Brasil coloca Vorcaro como “sócio oculto”.
O padrão que conecta os dois casos: a Forbes licencia a marca e a receita pra parceiros externos administrarem cada ranking regional, mas terceiriza junto a vigilância sobre quem é esse parceiro.
Nos EUA, isso escondeu mais de uma década de proximidade não declarada entre editor e patrocinador. No Brasil, escondeu um fundo ligado a um banqueiro preso dentro da própria dona da licença.
CURATED BY MATH
Hora de fazer o balanço da sua IA
Mais de 2 em cada 5 instituições financeiras já desaceleraram iniciativas de GenAI por não ver resultados. De um lado, o potencial é imensurável. Do outro, o desafio é encurtar a distância entre automação e resultado.
IA só dá ROI quando opera com dados confiáveis, governança e supervisão humana. E esse é o gap que a MATH quer fechar no Febraban Tech 2026 nos dias 24, 25 e 26/08:
Saiba quais palestras do evento ajudam a interpretar esse caminho;
Veja ao vivo um workflow funcional de agentes em operações financeiras;
Converse com um agente no estande e saia de lá com um diagnóstico (e solução).

BRASIL ADENTRO
→ Yellow Card, a fintech americana de infraestrutura para stablecoins, capta rodada de US$ 40 mi e mira no Brasil como porta de entrada para a Latam.
→ EQI Investimentos fechou a compra da plataforma TC/Economática por R$ 3 mi, incluindo o código-fonte, a carteira de clientes e a comunidade de traders.
→ NeoSpace, a startup desenvolvendo grandes modelos de linguagem e fundação inteiramente brasileiros (LLMs e LDMs), abre rodada para captar o que pode ser o maior cheque seed do país, US$ 250mi.

DINHEIRO
Investimentos à prova de IA
Bilionários da tecnologia estão colocando dinheiro em negócios bem longe dos circuitos eletrônicos.

Dario Amodei acha que a Anthropic pode virar a única empresa do mundo. Ninguém sabe se ele está certo, mas o capital de tech mais esperto do planeta já age como se pudesse estar: comprando ativos à prova de IA. Semana passada, Bob Iger e Josh Kushner levaram os Lakers. Essa semana, Jeff Bezos e Eduardo Saverin levaram o Liverpool.
A tese é rotação de capital: dinheiro de tech saindo de ativos digitais - infinitamente reproduzíveis, cada vez mais comoditizados pela IA - e entrando em ativos físicos, escassos e culturalmente enraizados, onde nada nasce de GPU.
Quanto mais a IA barateia setores de software, criativo e análise, mais a escassez física se valoriza e o que não pode ser replicado vira ativo raro - sem nem precisar de um NFT junto. Esporte é o exemplo mais visível, mas o padrão se repete em…
Reed Hastings, da Netflix: investiu US$ 100 milhões para comprar uma montanha inteira de ski em Utah.
David Drummond, do Google: comprou vinícolas e um vinhedo de 550 acres, já que terroir não se recria em laboratório.
Ari Emanuel, da Endeavor: levou a ATG Entertainment, dona de ~70 casas de show ao vivo no Reino Unido, em deal de £ 4,5 bilhões.
Alex Karp, da Palantir: comprou um rancho/mosteiro de 3.700 acres em Aspen por US$ 120 milhões.
Mark Zuckerberg, da Meta: está criando gado com macadâmia e cerveja preta em + mil acres no Havaí.
Peter Thiel, do Founders Fund: comprou participação na Vista, produtora de gás de xisto na Vaca Muerta, por ~US$ 76 milhões.
O padrão se repete e a ironia não passa despercebida: as mesmas figuras que criaram e aceleraram a indústria da IA já estão montando seus hedges contra a própria criação. Quem entende melhor a velocidade de comoditização que a própria IA cria é justamente quem está comprando o que ela nunca vai conseguir produzir.
PS: para quem não se lembra, Eduardo Saverin é o brasileiro cofundador do Facebook e atual homem mais rico de Singapura
STATS
48,4%
das ações da SpaceXAI são de Elon Musk, avaliando sua participação na empresa que fundou (e ainda comanda) em +US$ 900 bilhões no valuation atual.
O documento regulatório divulgado mostra 6,42 bilhões de ações - mas uma parcela significativa ainda é restrita e vinculada ao alcance de metas que destravam o direito de aquisição (vesting):
Tier 1: o Valuation
Metas de avaliação na casa dos trilhões. A empresa já fez IPO há dois meses a US$ 2 tri, então o board simplesmente multiplicou esse número pra cima.
Tier 2: a Infra Orbital
Precisa construir data centers no espaço com capacidade de compute relevante. A empresa precisa virar uma companhia de energia e compute operando fora da Terra.
Tier 3: a Colonização de Marte
Assentamento permanente em outro planeta com pelo menos 1 milhão de habitantes - humanos ou robôs.
O vesting decide quanto ele ganha, não quanto ele controla. Já que a classe das suas ações (B) lhe dá 82% do poder de voto, mesmo com 48% do stock.
CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS
Todo mundo tá gastando com IA
Gasto com IA por funcionário ao mês, de acordo com dados da Ramp

via a16z
Todo mundo está gastando cada vez mais com inteligência artificial, mas alguns muito mais que outros: enquanto a mediana subiu de US$ 3 pra US$ 12 por funcionário/mês (4x em dois anos e meio), o top 1% saiu de US$ 500 pra US$ 7.500 (15x de aumento no período).
O tamanho do orçamento e capacidade de investimento contam parte da história, o que isso não conta é que o Top 1% descobriu o que fazer com IA. Enquanto a mediana ainda testa copilotos de código e assinatura de chat, o Top 1% está comprando GPU cloud, rodando agentes que trabalham sozinhos e treinando os próprios modelos.
DROP LIKE IT'S HOT
[para imitar] quanto a Berkshire Hathaway tem de equity no portfólio atual.
[para admirar] uma galera com as capas mais bonitas dos relatórios anuais.
[para ouvir] a entrevista de Travis Kalanick, founder do Uber e da Atoms.
[para ter medo] o novo robô da Unitree superou o recorde de salto em altura sem impulso e velocidade de corrida de todos os seres humanos.


