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EDIÇÃO #774 • 14/08/2026 • THEDROPS.COM.BR |
Bom Dia, Dropper!
Hoje eu aprendi: que o um dos artistas mais reconhecidos da história, Pablo Picasso, produziu ~150.000 peças ao longo da sua vida - mas apenas 1.170 delas se tornaram hits. Uma taxa de sucesso de menos de 1%. Ou seja, se nem Picasso acertou tudo, você não precisa desistir na primeira vez.
No TechDrops de hoje, direto ao ponto:
•︎ Remédios entraram na rota do delivery
• Unwell: o podcast de US$500 milhões
•︎ Trending: o Amor dos VCs pela Lovable
•︎ Thrive: o trono de ferro de Josh Kushner
•︎ Stats: +25% do Workday Day
•︎ Contra Dados Não Há Argumentos: Nubank bate $1bi

BRASIL
Remédios na rota do delivery
tldr: os principais apps de delivery do Brasil foram liberados para fazer a venda de medicamentos dentro das plataformas.

Você já pedia a pizza pelo app, logo vai poder pedir o remédio para a intolerância à lactose também. A Anvisa revogou na segunda (10) as proibições que travavam iFood, Rappi, Mercado Livre, Americanas e Submarino na venda e entrega de remédios - a Shopee já tinha saído na frente na semana passada.
O barulho é menos jurídico e mais comercial: a galera do delivery ganhou acesso a um mercado que faturou R$275 bilhões nos 12 meses até maio. Enquanto o varejo físico cresceu ~7%, as vendas por app, site e marketplace cresceram ao dobro do ritmo.
Se o sucesso da vertical farmacêutica do maior ecommerce e maior delivery dos Estados Unidos for indicativo do que está por vir, vale a pena conferir o currículo da Amazon Pharmacy:
2018, a base: Amazon compra a PillPack por US$ 753 milhões - uma farmácia com licença para operar em todos os 50 estados e que também empacota remédio pré-dosado por dia/horário pra quem toma várias pílulas (crônico, idoso).
2020, o launch: Amazon Pharmacy, que se integra com seguro de saúde, surge com entrega grátis para membros Prime, descontos de até 80% em genéricos e 40% em remédios de marca.
2022, a integralização: fecha a compra da One Medical (rede de clínicas) por US$ 3,9 bilhões, plugando telemedicina direto na farmácia. No mesmo ano, lança o Amazon Clinic - oferecendo consulta assíncrona que já sai receitando pra própria Amazon Pharmacy.
2023, a recorrência: lança o RxPass - uma assinatura de US$ 5/mês com acesso ilimitado a mais de 50 genéricos pra condições crônicas, sem precisar de seguro. É o Prime da farmácia.
2024, o físico: começa a testar quiosques de farmácia self-service dentro das clínicas One Medical. O paciente pega o remédio na saída da consulta, sem passar em farmácia física.
2025, a expansão: passa a aceitar beneficiários de Medicare, destravando a fatia mais velha (e mais medicada) da população americana.
Se iFood, Mercado Livre e Rappi capturarem só 5% desse mercado via delivery (R$ 13,7 bi em GMV de farmácia) e cobrarem a mesma taxa que cobram de restaurantes - entre 15% e 27% por pedido, já seriam mais de R$ 2 bi/ano em receita nova só de comissão.
Pra comparar: o iFood inteiro (comida + tudo mais) deve fechar o ano fiscal em cerca de R$ 7 bi de receita, com GMV total acima de R$ 10 bi por mês. Farmácia sozinha pode virar uma vertical do tamanho de 30% do negócio principal - sem inventar categoria nova, só destravando uma que já existia dentro do app.
What's next: para começar a operar, os apps ainda precisam esperar que a Anvisa defina as regras para as vendas dos medicamentos - incluindo requisitos de infraestrutura digital para a validação/retenção de receitas.

MUNDO AFORA
→ Databricks fechou sua rodada de investimento série A B C D E F G H I J M de US$ 5 bilhões a um valuation de US$ 190 bilhões, seis meses depois da última a US$ 134 bi.
→ Virgin Galactic está atrás do planejado e vai atrasar seus voos orbitais comerciais para o ano que vem.
→ Reddit vai se tornar a segunda empresa puramente de redes sociais a entrar para o S&P 500. As ações comemoraram com alta de 11%.
→ OpenAI perdeu dois dos seus principais comandantes essa semana: a Chief Revenue Officer Denise Dresser e o Chief Operating Officer Brad Lightcap.
→ Apple treinou um modelo de IA especificamente para o governo mercado chinês em parceria com a Alibaba, diferente da estratégia do Ocidente.

DROPPED BY JETBRAINS
Do uso fragmentado ao desenvolvimento coordenado
Você sabia que 80% dos desenvolvedores usam mais de uma IA assistente de código junto com a sua ferramenta oficial? E que 42% usam três ou mais simultaneamente?*
Talvez você, líder, mal saiba que isso acontece. Mas essa falta de gestão e fragmentação podem criar problemas de produtividade e, principalmente, segurança.
No JetBrains Executive Summit, CTOs, VPs de Engenharia e Tech Leads vão se reunir para discutir estratégias práticas de governança sobre o que suas equipes usam, quanto custa e como otimizar
Bloqueie sua agenda dia 18/08, no Renaissance São Paulo Hotel. É de graça, mas as vagas são limitadas e as cadeiras já estão no final. Dá uma olhada na programação e faça sua inscrição aqui →
*Dados da Developers Survey 2024 com 30.000+ respondentes conduzida pela JetBrains e Python Software Foundation

MÍDIA
Os podcasts de US$ 500 milhões
tldr: A empresa por trás do podcast Call Her Daddy e outros 11 shows, Unwell, recebeu seu primeiro investimento externo e foi avaliada em US$ 500 mi.

Alex Cooper tinha 23 anos quando começou a gravar um podcast sobre s3×0 com a BFF, em 2018. Oito anos depois, seu pequeno grande império Unwell está “mais que well” e acaba de ser avaliado em US$ 500 milhões - graças ao primeiro investimento externo, direto da WTSL.
A Unwell hoje tem +12 podcasts - além de séries de streaming, YouTube e eventos - somando +100 milhões de seguidores e 70 milhões de mulheres consumindo conteúdo todos os meses (89% de audiência feminina, 72% entre 18 e 35 anos).
Em 2018, Alex criou o seu podcast (Call Her Daddy) com uma amiga. Um mês depois já tinha oferta de Dave Portnoy (da Barstool) para uma parceria de hospedagem... e o CHD saiu de 12 mil pra 2 milhões de ouvintes em 2 meses.
Em 2020, Portnoy ofereceu a Alex ficar mais um ano em troca da IP inteira do programa (marca, arquivo, tudo) em vez de mais dinheiro. Ela recusou e saiu - com a IP e com o conhecimento para transformar o podcast em negócio…
Em 2021, Alex levou o Call Her Daddy para o Spotify, em um contrato de US$ 60 milhões para a exclusividade do podcast.
Em 2023, ela se juntou ao marido Matt Kaplan para fundar a Unwell e consolidar todas as marcas dentro de um mesmo guarda-chuva.
O stack de monetização da Unwell desde então só aumenta e já tem sete fontes de receita em cima de uma personalidade com público fiel:
Conteúdo core - o podcast;
Licenciamento de distribuição exclusiva - a SiriusXM paga +US$ 30mi/ano só pela venda de anúncios e distribuição;
Produto de consumo (como uma bebida com a Nestlé);
Agência de publicidade própria, vendendo pra terceiros usando a confiança da marca como ativo em parceria com Google;
Licenciamento de IP pra streaming (Netflix, Hulu, Disney+ pagando pra transformar a audiência em roteiro);
Eventos ao vivo;
E agora, capital - para virar comprador de outros ativos de confiança, não só vendedor do próprio.
Um canal de TV tradicional monetiza de um jeito (audiência × CPM). Um criador com confiança monetiza de sete, porque a confiança é portátil entre formatos - funciona igual em áudio, vídeo, produto físico ou live.
TRENDING
O Amor dos VCs pela Lovable
Lovable pode até não ter moat, mas isso não impediu a startup europeia de 33 meses de idade de fechar uma rodada série C de US$ 400 milhões a um valuation de US$ 13,3 bilhões. A lista de motivos:
US$ 500 milhões de receita anualizada (crescendo 7x ao ano).
900 milhões de visitas mensais nos sites/apps criados no Lovable.
60 milhões de projetos criados (cerca de 5 milhões por mês).
2/3 das 500 maiores empresas do mundo usam (Fortune 500).
Com esse valor de mercado, apesar de ainda jovem e de capital fechado, a Lovable faz seus antecessores de o mercado de tecnologia parecerem ultrapassados:

O verdadeiro teste da Lovable começa agora: cada nome da lista levou uma década pra provar que tinha algo defensável. A Lovable tem três anos e US$ 500 milhões de ARR - e acabou de levantar US$ 400 milhões pra provar que, ao contrário da geração anterior, seu produto não vai ser engolido pelos próprios labs de IA de que ela depende.
Faça sua aposta (que não tem nada de tigrinho)

BRASIL ADENTRO
→ Ume, a fintech ajudando outras empresas a criarem crédito para seus clientes, está captando R$ 500 milhões via FIDC.
→ Softplan, a govtech catarinense, venceu uma licitação de R$ 130 milhões para digitalizar a Justiça do Peru.
→ Eve, a asa o braço de eVTOL da Embraer promete colocar seus primeiros veículos no ar até 2028 para competir com Joby e Archer.
→ Beacon, que oferece wealth management para founders tech, adquiriu a gestora 314 Capital para ir além da gestão de patrimônio.

BUSINESS
O throno de ferro da Thrive
TL;DR: o conglomerado de Joshua Kushner capta US$5 bilhões para um novo fundo, seu maior até hoje.

Sabe o que OpenAI, Databricks, Stripe, Cursor, GitHub, Instagram e Spotify têm em comum? Todas foram investidas pela Thrive, uma empresa que começou como investidora, passou a operadora e depois para compradora de negócios. Na semana passada, ela levantou mais US$ 5 bilhões para continuar a dominação.
Joshua Kushner é quem senta no trono de ferro da Thrive. Irmão de Jared Kushner (genro de Trump), casado com a top model Karlie Kloss, MBA em Harvard e com uma fortuna pessoal avaliada em ~$5 bilhões.
Se as conquistas pessoais de Josh ainda não te convenceram do seu sucesso, talvez a estratégia da Thrive te convença:
Thrive Capital: foi criada em 2009 para investir em startups de tecnologia e criou um portfólio invejável de investidas como SpaceX, Cursor, Anduril, Ramp, Robinhood, Physical Intelligence - acumulando um valor bruto de ativos na carteira de ~US$ 60 bilhões.
Thrive Holdings: foi o segundo passo, criado em 2025, com intuito de comprar empresas para operar, usando tecnologia (IA) para transformar o negócio - uma Bending Spoons made in USA.
Thrive Eternal: foi o terceiro, criado em abril de 2026, para se tornar o proprietário permanente de bens culturais escassos - ou seja, negócios que a tecnologia não pode quebrar - como o time de baseball San Francisco Giants e o Los Angeles Lakers da NBA, além de ser um dos responsáveis pela oferta para comprar a FIFA.
Os primeiros 15 anos da Thrive foram de apostas no que a tecnologia iria criar (capital). Os últimos anos foram de aproveitar essa tecnologia para transformar negócios ainda tradicionais (holdings). Os próximos serão para se blindar das ameaças que ela mesma construiu comprando ativos que ela mesmo não consegue disruptar (eternal), um hedge conta eles mesmos.
STATS
~25%
foi quanto as ações da Workday saltaram ontem, no Day da Workday, causando não uma, mas três pausas por volatilidade no que foi o seu melhor dia na bolsa dos últimos 10 anos!
O motivo não foi um report superpositivo, mas uma oferta não solicitada recebida da private equity Silver Lake, que está se aproveitando que as ações da empresa de SaaS derreteram -40% nos últimos dois anos - levando a Workday para um valuation de US$ 43 bilhões (que já foram US$ 80 bi e que viraram US$ 51 bi ontem).
Apesar dos pesares, a HRtech fechou o ano fiscal com US$ 9,55 bilhões de receita, 13% a mais que o ano anterior e margem operacional ajustada de quase 30% - apesar do mercado precificar como uma sobrevivente ferida, ela continua crescendo dois dígitos e lucrando bem.
CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS
O Lucro Recorde de Bilhão do Nubank
O número de clientes na América Latina chegou a 139 milhões…

O roxinho apresentou os resultados trimestrais ontem e, pela primeira vez na sua breve história, bateu US$ 1,1 bilhão de lucro trimestral (10% acima do consenso, 14% acima do trimestre anterior e 49% acima do mesmo período do ano passado).
O número de clientes no Brasil cresceu 10% para 118 milhões.
O número de clientes no México cresceu 32% para 16 milhões.
O número de clientes na Colômbia cresceu 56% para 5 milhões.
Para o CFO Rob Livingston, o resultado foi muito mérito próprio, mas também (i) queda do custo de crédito com (ii) aumento da margem financeira - dizendo que, quando esses indicadores trabalham juntos, o resultado é mágico!
DROP LIKE IT'S HOT
[para quem odeia Musk] a Cards Against Humanity está levantando fundos para construir um monumento anti-Musk dentro da Starbase (sede da SpaceX)
[para gastar a fortuna de Musk] Simule tudo o que caberia no seu carrinho de compras com um trilhão de dólares
[para conhecer] quem realmente é Joshua Kushner com esse profile da Colossus (inglês)
[para mandar mensagens] este app do iOS simula um pombo-correio - que às vezes se perde ou morre no caminho #RIP.



