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EDIÇÃO #797 • 09/10/2026 • THEDROPS.COM.BR |
Bom Dia, Dropper!
Hoje eu aprendi: a primeira pessoa a dar a volta no planeta a pé e a nado, sem usar nenhum tipo de transporte motorizado, bike ou barco, está prestes a completar sua missão. Karl Bushby saiu de casa aos 29 anos e volta aos 57, depois de ~50 mil km, 11 anos de caminhada pela Sibéria, uma pandemia no Afeganistão e 31 dias nadando 288 km pelo Mar Cáspio. #TomaForrestGump
No TechDrops de hoje, direto ao ponto:
• Enter x OAB: ordem no tribunal algoritmo!
•︎ Zuck: colocando biologia no modo simulação
•︎ Stat: US$ 250 mi de Joe Rogan
•︎ Adobe: se não dá para cancelar, vamos clonar
•︎ Contra Dados Não Há Argumentos: O portfólio de investimentos da Nvidia

LEGALTECH
Enter x OAB: ordem no tribunal algoritmo!
TL;DR: A OAB processou a Enter, primeiro unicórnio de IA do Brasil, alegando exercício ilegal da advocacia.

No mesmo dia em que o primeiro unicórnio AI-native do Brasil soprou a velinha de 3 anos de vida, a Enter também se tornou a primeira a virar alvo de uma ação civil pública movida pela ordem dos advogados (OAB-SP) contra uma legaltech.
Fundada em 2023, a Enter usa IA para ajudar empresas na Justiça. Já atuou em ~300 mil processos de clientes como Nubank, Bradesco, Mercado Livre e LATAM e, em maio, levantou mais de US$ 100 milhões, chegando a US$ 1,2 bilhão de valuation.
A IA da Enter cruza o que está nos processos com a jurisprudência e sugere caminhos para a defesa, principalmente em ações trabalhistas - usando 20 bilhões de tokens por dia e prometendo até 40% de economia nos litígios.
Só que a turma de camiseta e tênis começou a incomodar a turma de terno e sapato:
O que diz a OAB: que a Enter não é uma sociedade de advogados e estaria exercendo a profissão ilegalmente com atividades exclusivas da classe.
O que não diz a OAB: que os serviços legais estão ranqueados em #1 entre as profissões com mais exposição à IA e que 44% do trabalho dos advogados poderia potencialmente ser automatizado.
O que diz a Enter: que não substitui advogados. Para isso, soltaram no mesmo dia a primeira pesquisa mensurando seu impacto em escritórios que trabalham com alto volume de resolução de conflitos, podendo aumentar em até 43% a remuneração dos advogados.
Se o que acontece lá fora servir de lição…
→ na Europa, a Legora (avaliada em US$ 5,6 bi), firmou um acordo com a ordem dos advogados sueca para oferecer a plataforma em condições vantajosas aos associados e defende o uso responsável da tecnologia.
→ nos EUA, a Harvey (avaliada em US$ 15,5 bilhões) já atende 80% dos escritórios do ranking Am Law 100 e a American Bar Association publicou orientações para o uso de IA, mas não tentou proibir as plataformas.
Nenhuma delas tem exatamente o mesmo posicionamento - já que vendem para escritórios de advocacia, enquanto a Enter vende para departamentos jurídicos. Mas o Brasil está tão longe do topo do ranking de eficiência da Justiça que qualquer ajuda deveria ser bem-vinda.

MUNDO AFORA
→ OpenAI reportou uma receita anualizada de US$ 20 bilhões a menos que o esperado: US$ 50 bi em setembro versus os US$ 70 bi previamente estimados.
→ SpaceXAI ou SpaceXSI está pagando US$ 8 bilhões para comprar as licenças de espectro da Grain Management e construir uma rede móvel para competir com gigantes das telecomunicações como AT&T, Verizon e T-Mobile.
→ Oratomic, a startup desenvolvendo computadores quânticos com menos qubits, capta uma rodada de US$ 475 milhões, três meses depois do série A e um ano depois da sua fundação.
→ Manus, a startup adquirida pela Meta por +US$ 2bi, levantou +US$ 500 mi na sua primeira rodada depois de ser “desaquirida” pela Meta a "pedidos" de Beijing.

DROPPED BY DELL TECHNOLOGIES | SUSE
A conta da TI está cada dia mais complexa
Custos de virtualização subindo, novas aplicações pedindo mais agilidade e uma infraestrutura que precisa acompanhar. A conta da TI tá chegando. E o crescimento não pode ficar esperando.
O desafio é virtualizar sem voltar à estaca zero. É aí que entra a proposta do SUSE Virtualization + Dell Technologies: unir máquinas virtuais e containers em uma única plataforma, aproveitando a infraestrutura que já existe e permitindo uma evolução gradual das VMs. O resultado é modernizar com menos ruptura e mais flexibilidade.
Quer mostrar essa alternativa pro time que cuida da infra da sua empresa? Clique aqui e compartilhe →

CIÊNCIA
Zuck: debugando a vida
TL;DR: Zuckerberg quer usar IA para simular células e testar remédios no computador antes do laboratório.

De um lado, a IA ameaça segurança, economia e geopolítica da sociedade. Do outro, essa mesma IA promete encontrar a cura para boa parte das doenças mais mortíferas da humanidade. Dos dois lados está Mark Zuckerberg, que agora quer liderar o segundo grupo com os esforços da Biohub!
A Chan Zuckerberg Initiative Biohub recebeu o apoio de Google DeepMind, Isomorphic Labs, Meta e órgãos do governo americano, num esforço de US$ 1,8 bilhão para montar a base de dados de uma "célula virtual", com modelos de IA capazes de prever como as células se comportam.
Dos ratos para os mouses e das seringas para os cliques? A ambição é levar parte da experimentação para o computador e chegar ao laboratório com hipóteses mais promissoras.
Hoje: descobrir como uma célula reage a uma substância exige muitos experimentos em laboratório, tempo e grana.
A aposta: usar IA para simular essas reações e ajudar os pesquisadores a escolher em quais experimentos investir para “testes reais”.
O gargalo: ainda faltam dados para treinar esses modelos. Por isso, o projeto começa medindo células reais em grande escala.
Se funcionar, muda a economia de descobrir medicamentos: reduzir o custo de testar e descartar hipóteses pode tornar viáveis pesquisas que hoje não fecham a conta. Em breve, os melhores dados e modelos de IA podem valer muito mais na disputa farmacêutica.
PS: em paralelo, a Isomorphic Labs, spin-off de descobrimento de novos medicamentos usando IA do DeepMind, está levantando uma rodada a um valuation de US$ 40 bilhões.
TRENDING
Música de IA dá cadeia?
A internet pode ainda não estar morta, mas o streaming de música como o conhecemos quase teve seu atestado de óbito assinado depois que 80 milhões de plays de músicas que foram Criadas e Escutadas por IA - e o humano teve apenas três papéis: (i) dar o comando, (ii) ser pago e (iii) ser preso.
O espertinho foi o americano Michael Smith, que
(1) criou milhares de contas falsas com e-mails comprados na internet
(2) criou algumas centenas de músicas geradas por IA nos apps de streaming
(3) colocou os +10mil bots para ouvir suas faixas sem parar no Spotify, Apple Music e Amazon Music
O esquema foi suficiente para que ele chegasse aos ~4 bilhões de plays e US$ 12 milhões de faturamento em 2024.
Enganar os serviços de streaming pode até ter funcionado uma vez (ou quatro bilhões de vezes), mas uma vez que a fraude foi identificada por outros bots de segurança - o resultado foi o primeiro caso de fraude com música de IA dos EUA, com uma condenação de 18 meses de prisão e o pagamento de US$ 8 milhões.
DESIGN
Adobe: se não dá para cancelar, vamos clonar
TL;DR: Um dev usou o Claude para recriar os 7 principais apps da Adobe, tudo porque cansou de sofrer com o cancelamento.

Depois de ser processada pelo governo americano por suas políticas de (tornar quase impossível) cancelamento das assinaturas e de ser proibida pelo mesmo governo de apoiar vistos (H-1B) para funcionários estrangeiros, a Adobe agora tem um problema ainda maior para resolver: o open-source de IA.
A motivação: o preço e da política de cancelamento da Adobe.
A ferramenta: apenas o Claude Opus 5.5, da Anthropic, para fazer engenharia reversa e recriar a suíte de programas da empresa.
Brandon Thomas focou em replicar os 7 apps mais usados da gigante de design e, segundo as más linguas, já fez um serviço melhor de naming:
Photoshop virou Photocraft
Illustrator virou Vectorcraft
Premiere virou Filmcraft
Lightroom virou Lightcraft
After Effects virou Effectcraft
InDesign virou Designcraft
Acrobat Pro virou Printcraft
Todas as soluções são gratuitas, open-source e não exigem assinatura alguma. Usuários podem fazer download, modificar, aprimorar - levando o dev a declarar que "Software is over".
Mas para quem tem área de compliance, quem precisa controlar níveis de acesso, certificação ISO, multi-authentication, servidores regionais e alguém para reclamar quando precisar… "Software is still alive”.
A Adobe pode estar mais viva do que nunca, com a receita crescendo +12% no último ano e totalizando ~US$ 26 bilhões. Já as suas ações na bolsa continuam na UTI, saindo de um valor de mercado de US$ 270 bilhões para os atuais US$ 92 bilhões… “Software is crazy”.

BRASIL ADENTRO
→ Nyoka AI, a startup ajudando empresas de SaaS a se adaptarem à era da IA, fecha um acordo de R$ 2 mi em aporte tecnologico com a Razzo Ventures.
→ Endeavor Catalyst concluiu a captação do seu quinto e maior fundo até hoje, encerrando com US$ 320 milhões - US$ 20mi acima da meta inicial.
→ Leapy, a HRtech que atua na formação e gestão de jovens aprendizes, fechou uma rodada de investimento com a Elea, uma investidora suíça de impacto.
→ iFood está em negociações avançadas para uma possivel aquisição da startup HRtech Caju, para expandir na vertical de benefícios corporativos.

COLLAB COM A TOTVS
Chegou a sua vez…

Poucas são as oportunidades de perguntar qualquer coisa para lideranças da maior empresa tech brasileira. Mas, na semana que vem, o time do Drops estará com o microfone na mão e queremos a sua ajuda nessa!
Durante o Universo TOTVS, descolamos uma exclusiva com 3 pessoas sentadas em algumas das cadeiras mais importantes da organização:
Gustavo Avelar, vice-presidente da TOTVS à frente da RD Station, e define como boa parte das empresas brasileiras vende e faz marketing.
Vivian Broge, vice-presidente de Relações Humanas e Marketing da TOTVS, cuida da marca, pessoas e estrutura organizacional para a era da IA.
Ramon Martins, diretor de Inteligência Artificial da TOTVS, lidera a estratégia de inteligência artificial nos softwares que rodam milhares de empresas brasileiras.
E aí, o que você perguntaria pra cada um deles? A melhor pergunta escolhida pelo Drops irá ganhar uma entrada exclusiva para colar com a gente na Expo Center Norte e acompanhar ao vivo o maior evento de tecnologia e negócios do Brasil.
STATS
US$ 250 milhões
é quanto o Spotify aparentemente desembolsou para renovar o contrato com o maior podcaster do mundo, Joe Rogan - repetindo os termos do primeiro deal com o careca narrador do UFC em 2024 e mais que dobrando o valor do primeiro deal de US$ 100 mi em 2020.
Os motivos da empolgação do Spotify?
o Joe Rogan Experience está em #1 no ranking dos podcasts mais ouvidos segundo a Edison Research desde 2019.
O show tem +18 milhões de seguidores no Spotify e +21 milhões no YouTube.
O programa alcançou cerca de ~28 milhões de americanos POR SEMANA no segundo trimestre deste ano.
via WSJ
CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS
Nvidia: onde a maior empresa do mundo investe?
O tamanho do fundo e as áreas favoritas de investimento da Nvidia.

via The Information
A carteira de investimentos da Nvidia era de “meros” ~US$ 3 bilhões no final de 2024. Mas assim como a demanda pelos seus chips só cresce, a sua carteira acompanha. Hoje a Nvidia tem US$ 96 bilhões para alocar nas startups que julga mais promissoras… e assim o fez:
Entre as desenvolvedoras de modelo: OpenAI » Anthropic » SpaceXAI » Safe Superintelligence » Mistral » Reflection » Thinking Machines » Inflection » Ineffable » Advanced Machine Intelligence » World Labs » Cohere.
Entre os data centers, provedores cloud e energia: Allgned Data Centers » Helix » Crusoe » Nscale » Lancium » CoreWeave » Nebius » Firmus » SB Energy » Naver » Commonwealth Fusion » Together AI » GMI Cloud.
Entre os chips, networking e quantum: Groq » Intel » Coherent » Lumentum » Marvell » Synopsys » PsiQuantum » Nokia » Quantinuum.
Entre as infraestruturas de software: HuggingFace » Fireworks » Scale AI » VAST » Run:ai » Databricks.
Entre os apps de IA: Cursor » Cognition » River AI » Hark.
Entre as de robótica: Figure » Neura » Skild » Wayve » Waabi.
DROP LIKE IT'S HOT
[para aprofundar] The Infinite SaaS Factory, por Satya Nadella, CEO da Microsoft.
[para admirar] o brilhante comercial da Meta Smartglass no US Open
[para assistir] o trailer oficial do novo documentário (de 4h) sobre Elon Musk
EDITOR NOTES
Na edição passada contamos sobre o maior M&A da história do Grupo Primo. Acontece que a empresa incorporada no império de Thiago Nigro foi a Oikos (de SP) não a Oikos (de BSB). Our bad, srry!



