EDIÇÃO #787 • 16/09/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom Dia, Dropper! Hoje eu aprendi: que jogar videogame ajuda no desenvolvimento cognitivo, reflexos e pensamentos estratégicos. O estudo com +1.000 participantes descobriu que gamers que jogam frequentemente performaram melhor que não-jogadores ~13,7 anos mais jovens.

No TechDrops de hoje, direto ao ponto:

Fathom: quanto vale um notetaker?
Glass Imaging: OpenAI comprou uma câmera de IA
Trending: “Reverse Information Paradox" na prática
•︎ Meta One: a conta chegou!

SAAS

Quanto vale um notetaker?

TL;DR: Fathom foi comprada pela Superhuman, que leva +400 mil usuários para sua plataforma. O misto de inovação + distribuição + contexto mostrando seu valor.

img via Superhuman

A Superhuman tentou construir um notetaker internamente, desistiu no meio do caminho e agora comprou um que já vem pronto. A empresa acaba de adquirir a Fathom, startup apoiada pela Y Combinator e que conta com +400 mil usuários mensais. Mas por que será?

No meio do debate cansado de "SaaS está vivo” e "SaaS está morto", os notetakers seguem mostrando tração e se mostrando, pelo menos até agora, imunes ao vibe-coding.

  • Granola: levantou US$ 125 milhões a uma avaliação de US$ 1,5 bilhão, expandindo de notetaker de reunião para uma plataforma de IA corporativa completa.

  • Read AI: US$ 50 milhões captados desde 2024, com foco em integrar o bot direto no Slack, e-mail e outras ferramentas do dia a dia.

  • Otter AI: captou até 2021 e depois passou a depender da própria receita, que já passa dos US$ 100 milhões em recorrência anual.

  • No Brasil, a Elephan.AI captou R$ 3 milhões com Crescera Capital e Traxius Ventures depois de crescer 14x em 2025.

  • Fathom: a startup comprada pela Superhuman foi avaliada em US$ 94 milhões dois anos atrás. O valor da venda não foi divulgado.

Segundo o CEO da Superhuman, o motivo da compra: "ficou muito claro o quão profundos são os produtos dessa categoria e o quanto você precisa construir. Muitos desses produtos fazem o trabalho parecer fácil, mas é bem difícil fazer bem todas as partes da gravação de uma reunião."

Segundo a Fathom, a lógica foi inversa: o CEO diz que "construir distribuição sozinho custaria mais caro do que aceitar os 40 milhões de usuários que a Superhuman já tem prontos. Às vezes virar recurso dentro de uma plataforma maior vale muito.”

  • Anotar e sumarizar reuniões é legal, mas o que gera o valuation é o que esse tipo de app destrava em inovação + distribuição.

A Superhuman já tem cliente de e-mail, editor de documento, calendário, banco de dados e uma plataforma de agentes de IA. Com o notetaker no meio, a empresa agora consegue capturar o contexto que normalmente não fica registrado e possui o maior volume de dados não estruturados de uma organização: a discussão de uma reunião.

E dados na era da IA, já sabe, né?

MUNDO AFORA

→ Amazon, Netflix e YouTube criaram uma coalizão em Washington para fazer lobby no congresso dos EUA. Sony, Universal e Warner também formaram uma coalizão, mas para lutar contra fraudes de artistas de IA em serviços de streaming.

→ SpaceX está planejando fazer o primeiro teste em órbita da Starship no dia 22 de setembro.

→ União Europeia estuda banir os menores de 15 anos dos games e dos chatbots, não limitando o bloqueio às redes sociais.

→ SK Hynix, a gigante coreana das memórias, está negociando com a Intel para produzir seus chips nos EUA.

→ OpenAI, que só deve ir pro IPO em 2027, busca novos investimentos a um valuation de US$ 1,2 trilhão.

SMART DEVICES

OpenAI compra câmera de AI para celular

TL;DR: A aquisição da Glass Imaging, empresa de câmeras otimizadas com IA, significa mais um passo na construção do "PhoneGPT”.

Não é novidade que a OpenAl está desenvolvendo o seu "próprio iPhone". Entre trazer o ex-principal designer da Apple e enfrentar acusações sobre segredos comerciais pela mesma, nessa semana, a fabricante do ChatGPT foi além:

Comprou a Glass Imaging, uma câmera para smartphones otimizadas por AI despejando uma bagatela de US$ 300 milhões.

Backstory:
A Glass foi fundada por ex-funcionários da Apple (surpresos?), que ajudaram a criar o Modo Retrato dos iPhones;
Decidem sair quando perceberam que a qualidade das câmeras de celular havia chegado num platô;
Desenvolveram redes neurais próprias que otimizam a foto no momento do clique. Ao aprender imperfeições de lentes, sensores e do ambiente, a Glass diz entregar detalhes e claridade que antes seriam inimagináveis; (é a câmera dos celulares HONOR, by the way)
Captaram US$ 30 milhões ao longo de 7 anos e acabam de ser comprados por 10x esse valor.

O misticismo em torno do primeiro produto físico da OpenAl (aquele tecladinho não conta, né?) continua mais vivo do que nunca, com algumas personalidades do Vale sendo flagradas testando algo que não é nem fone de ouvido, nem óculos, nem relógio, nem celular, mas promete fazer tudo o que esses fazem e melhor.

TRENDING

O “Reverse Information Paradox" na prática

Em julho deste ano, o CEO da Microsoft escreveu um artigo que começava assim: “Na era da inteligência, como as empresas devem proteger sua propriedade intelectual?

  • A provocação vem de um paradoxo novo no mundo da IA. Enquanto no mundo tradicional uma empresa que vende software corre o risco de ter seu produto copiado ou roubado, a IA cria o efeito reverso. Quem compra (assina uma IA, por exemplo) é quem assume o risco de ter seus dados nas mãos de outros, só para usar o produto.

Pois bem. Palantir, Nvidia e Booz Allen decidiram que confiar propriedade intelectual sensível a modelo de terceiro é um risco que não vale mais correr e estão restringindo Anthropic e OpenAI dentro das próprias operações.

O gatilho foi a política de retenção de 30 dias que a Anthropic introduziu junto do lançamento do Fable 5. Mesmo com a promessa de não treinar modelo com dados sensíveis de segurança, o setor regulado não comprou a explicação.

  • Palantir exige garantia de retenção zero de dados da Anthropic antes de liberar o modelo no software.

  • Nvidia limita o Claude a tarefas internas menos sensíveis e prefere seu próprio modelo, o Nemotron, para trabalho proprietário.

  • Booz Allen proibiu o uso do modelo comercial da Anthropic em projetos de cibersegurança que tocam dados proprietários.

A resposta veio: a Anthropic lançou o Enterprise Frontier Safeguards, que permite que o cliente guarde os dados na própria nuvem com a própria chave de criptografia. Quase uma forma híbrida entre os modelos fechados e a execução local.

Mas não foi suficiente: Palantir e Nvidia apostaram em soberania de infraestrutura para rodar IA em cima do próprio dado. Quando a IP da empresa é o ativo mais valioso, ter controle, capacidades próprias, poder de escolha e orquestração, controle de custo e, principalmente, com loops de aprendizado é o que diferencia os compradores que ficarão presos ao risco do paradoxo reverso da informação.

ZUCKERVERSO

Meta One: a conta chegou!

TL;DR: Assinaturas para uso de IA e recursos premium de Instagram e WhatsApp podem custar até R$ 1.999 por mês.

Enquanto os principais modelos de IA ficam cada dia mais parecidos, quem pode virar o jogo e garantir os três pontos é a distribuição. Apesar de não ter feito jus até agora, quem larga na frente é a Meta, que já tem 3,5 bilhões de clientes e agora quer monetizá-los para ajudar a pagar os US$ 145 bilhões de Capex deste ano.

A empresa de Zuck lançou o Meta One globalmente (Brasil incluso). A ideia é colocar mais uma unidade de valor nas planilhas do CFO, cobrando assinatura por assento (de pessoa física, creator ou empresa) e adicionando mais receita aos ~US$ 240 bilhões que deve faturar só em 2026.

O que pode fazer alguém assinar algum dos planos, que vão de R$ 7 a R$ 1.999 mensais?

  • Mais IA para uso pessoal: limites ampliados de consulta e raciocínio avançado (modo "thinking"), geração e edição de imagens e vídeos (via Muse), Restyle e efeitos de voz.

  • Redes sociais premium: recursos combinados de Instagram Plus, Facebook Plus e WhatsApp Plus num só pacote.

  • Proteção e alcance para criador/empresa: verificação de perfil, proteção contra fraudes, analytics avançado e maior visibilidade nas buscas.

  • Automação de atendimento: Meta Business Agent para responder cliente no WhatsApp, mais ferramentas de gestão de equipe e relacionamento com audiência

O “core” da Meta segue na gratuidade, mas financiar a próxima década com cada vez mais recursos de IA e poder de compute exigiu mudanças.

PS: a Meta revelou que já tem 15 milhões de assinantes, o que representa menos de 0,5% da base de usuários.

PS2: já tem usuário reclamando que US$ 50/mês dá direito a exatamente 1 chamado no período.

BRASIL ADENTRO

→ A5X, a fintech querendo competir com a B3, captou R$ 360 milhões com Morgan Stanley, Goldman Sachs e Kaszek a um valuation de R$ 2,7 bi.

→ Monashees venceu a licitação e vai gerir os R$ 205 mi do fundo de investimentos em IA do BNDES e da Finep.

Pegaleve, a fintech parcelando Pix, conseguiu autorização do Banco Central para operar como instituição de pagamentos

STATS

28

Foi o número de prêmios que a Apple TV levou no Emmy 2026, num recorde histórico da plataforma, superando os 22 do ano passado.

Metade veio de Widow's Bay, comédia que levou 14 estatuetas e quebrou o recorde de comédia que a própria Apple havia estabelecido no ano anterior com The Studio (13).

Pluribus, outra estreante, somou mais seis, incluindo atriz de drama (Rhea Seehorn) e roteiro de drama (Vince Gilligan).

HBO Max (21) e Netflix (16), líderes em indicação este ano, caíram para segundo e terceiro lugar. O ranking completo ficou assim:

  • Apple TV: 28

  • HBO Max: 21

  • Netflix: 16

  • Prime Video: 10

  • NBC: 8

  • Peacock: 7

  • CBS: 6

  • Disney+: 6

  • MGM+: 5

  • FX: 3

  • Nat Geo: 3

  • ABC: 2

  • Adult Swim: 2

  • PBS: 2

  • YouTube: 2

  • Comedy Central: 2

via Hollywood Reporter

CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

Do 0 ao US$ 1 bi

Quantos anos levou para cada startup conseguir o primeiro bilhão em ARR.

DROP LIKE IT'S HOT

[para assistir] um encontro entre os CEOs da Salesforce e da Anthropic.

[para entender] como as câmeras de celular realmente funcionam.

[para se inspirar] Catching the (Venture) Bus, by a16z.

[para ler] um estudo do MIT sobre o impacto da IA na educação.

O que achou da edição de hoje?

Lemos tudinho!

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