|
EDIÇÃO #762 • 17/07/2026 • THEDROPS.COM.BR |

Bom Dia, Dropper!
Hoje eu aprendi: que o valor de mercado das empresas fundadas por ex-funcionários do PayPal já passou de US$3,5 trilhões de mercado, incluindo Tesla, SpaceX, Palantir, LinkedIn, YouTube, Yelp, Yammer, Affirm e várias das principais empresas de capital de risco como Founders Fund (Thiel), Khosla, Sequoia, a16z.
No TechDrops de hoje, direto ao ponto:
• OpenAI: construindo o smartsomething
•︎ Stripe fez uma oferta para comprar o PayPal
•︎ Stats: US$ 15 bi do delivery
•︎ Truth Social: a assinatura do presidente Trump

DEVICE
O smartsomething da OpenAI
O primeiro device da OpenAI não tem tela, se move sozinho e mora na sua casa

Fora dos PCs, todo mundo é refém dos ecossistemas de Google e Apple. Tem quem aposte que a saída para esse duopólio está nos smartglasses (como a Meta), para a OpenAI o futuro está no… smartsomething - e qualquer semelhança com a inteligência do filme HIM HER não é mera coincidência.
A OpenAI chama internamente de o primeiro computador construído para a IA - que basicamente coloca um corpo no ChatGPT.
Sem tela, com câmera e microfone, bateria para torná-lo móvel pela casa e com acesso a emails e mensagens para te conhecer melhor que sua mãe.
A mente brilhante por trás do projeto, Jony Ive, passou 30 anos na Apple desenhando telas e agora quer criar algo sem tela que seja menos Alexa e mais bichinho-de-estimação-robô-aspirador-que-não-aspira:
Tem partes mecânicas que se movem sozinhas para parecer vivo
Não tem tela, não é vestível, não fica preso na tomada
Molda sua personalidade e se torna mais humana e proativa com o tempo.
O novo smartsomething da OpenAI junta as memórias e habilidades do OpenClaw com a interatividade e naturalidade do GPT-Live e o conhecimento de hardware e design da io. Com segredos roubados ou não, a OpenAI deve apresentar o produto ainda este ano e vender no ano que vem.
PS: a OpenAI estava cotada para o IPO ainda neste ano, agora parece que vai ficar para 2027 - mas a Anthropic ainda mira em outubro.

MUNDO AFORA
→ OpenAI lançou um teclado gamer coder especialmente criado para o Codex - vendido por US$ 230 nos EUA.
→ Google chegou a um acordo com a Epic Games e vai permitir que lojas de apps de terceiros sejam instaladas no Android.
→ DeepSeek segue em busca de dinheiro para acelerar o crescimento e prevê valuation em US$ 52 bilhões.
→ Databricks vai atingir um valuation de US$ 188 bilhões com um novo investimento de US$ 3 bi liderado pela Coatue - um salto de 40% desde dezembro.

BUSINESS
Stripe fez uma oferta para comprar o PayPal
A oferta não solicitada de US$ 53 bilhões da nova fintech pela velha fintech

Quem já estava aqui quando a internet mobile não era nem 3G conhece o PayPal. Mas poucos dos que continuam aqui podem dizer que ainda usam a plataforma. Agora, sabe quem quer usar? A fintech Stripe, que se juntou a private equity Advent, e fez uma oferta de US$ 53 bilhões pela veterana.
O mercado parece ter gostado da ideia - e as ações saltaram +21% desde o anúncio. Mesmo assim, o valor de mercado ainda está -US$ 10 bi abaixo da oferta (que ofereceu um prêmio de 30%).
Quem são os atores dessa novela de época que mistura o passado, o presente e o futuro do sistema financeiro online?
PayPal: criada em 1998, foi a pioneira do mercado de pagamentos online e, no auge, esteve integrada a basicamente toda grande plataforma. Entre aquisições (foi comprada pelo eBay), IPOs e spin-offs, chegou a valer +US$ 360 bilhões, mas hoje vale ~US$ 50 bilhões (-86%).
Stripe: criada em 2010 e apesar de não ter sido pioneira, foi quem descomplicou o pagamento com cartões de crédito online para merchants antes de expandir para cripto, cartões, cross-border. A fintech escolheu não abrir capital e é considerada uma das empresas privadas mais valiosas do mundo, com valuation ~US$ 160 bilhões.
Antes de ter essa nova decisão para tomar, o PayPal já havia decidido se mexer. A empresa contratou o ex-CEO da HP, Enrique Lores, que chegou dividindo a operação em 3 frentes:
→ Checkout Solutions & PayPal;
→ Consumer Financial Services & Venmo;
→ Payment Services & Crypto;
O plano (claro) é cortar custos, investir mais em IA para aumentar eficiência e retomar os dias de glória que ficaram no passado. Por enquanto, o conselho parece ter achado a proposta da dupla de irmãos ruivos irlandeses inadequada.

TRENDING
A greve contra os robôs humanoides da Hyundai
Quando a Hyundai Motor introduziu seu robô humanoide Atlas de 1,88 metros com suas articulações girando 360 graus ao vivo em uma feira do setor automotivo, ninguém deu um piu. Essa semana porém, os funcionários da sul-coreana anunciaram primeira greve em protesto contra os robôs.
Independentemente de como será o fim da greve, tudo indica que a revolução das máquinas nas fábricas automotivas já começou:
Tesla prevê que a produção de seus robôs humanoides Optimus comece até o final do ano.
Schaeffler já está usando robôs humanoides de 4 dedos para fabricar autopeças na Carolina do Sul.
Xiaomi iniciou os testes nas suas fábricas de veículos elétricos.
BMW, chamou os robôs humanoides de “futuro da produção automotiva” e começou a testar o robô Aeon na Alemanha.
Mitsubishi vai iniciar a produção em massa de robôs humanoides ano que vem e deve empregá-los na linha de montagem de motores.
General Motors adicionou dezenas de "cobots" à sua fábrica Factory Zero, ao mesmo tempo em que demitiu cerca de 1.000 trabalhadores.
Enquanto a Hyundai tenta solucionar a greve parcial para continuar fabricando robôs humanoides - para substituir os trabalhadores que estão fabricando robôs -, o próprio presidente do país já admitiu que “é impossível evitar a carruagem gigantesca que avança”.

BRASIL ADENTRO
→ RGBtec, a fornecedora de ERP para FIDCs, foi vendida para a Quick Soft, fintech de antecipação de recebíveis, por valor não revelado.
→ Nubank, a fintech que você já conhece, nomeou a CEO da operação brasileira Livia Chanes como CEO da América Latina.
→ Canopy, a serial acquirer, foi às compras novamente. A bola da vez foi a Maxicon, a agritech com softwares de gestão para agro, por valor não divulgado.
→ Fin, a fintech aplicando IA na gestão financeira de franquias, é a primeira investida do novo fundo de R$5mi da Yungas, de gestão de franquias.

STOCK
Truth Social: assinatura paga de Trump
Trump Media vai vender um acesso rápido aos posts de Trump na Truth Social

img via Axios
Sempre que Trump cita uma empresa num post ou discurso, o mercado reage em instantes, pra cima ou pra baixo. O padrão é tão confiável que virou produto: a Truth Social agora cobra de quem quiser ler os posts do presidente mais rápido que você - e lucrar com a informação privilegiada.
Com a Truth API, o cliente escolhe 10 contas (provavelmente o POTUS + 9) para receber os tweets posts em ritmo significativamente mais rápido do que uma notificação push comum. Ainda não foi divulgado o preço da vantagem.
Acesso à informação com menor latência é o negócio mais velho de Wall Street - o Bloomberg Terminal com feeds de milissegundos na bolsa que o diga. O que muda no caso da Truth Social não é só a velocidade, mas a fonte: um emissor que move mercados por ofício.
O plano da Truth Social é mais necessidade e menos opcionalidade, já que o primeiro trimestre da Trump Media foi assim:
→ Receita de + US$ 871 mil
→ Prejuízo de US$ 405,9 milhões
Apesar de não ter mencionado o big boss no lançamento, o CEO admitiu que "os mercados já se movem com posts da Truth Social" - e a carteira da família Trump e seus chegados se move junto com essa estratégia que ele não ensinou em O Aprendiz:
a CNN cruzou os posts de Trump com sua declaração financeira e descobriu pelo menos 44 compras de ações de 21 empresas feitas até uma semana antes de o presidente elogiá-las publicamente.
o Irã acusou o genro de Trump (Jared Kushner) e o enviado Steve Witkoff de lucrar +US$ 9 bilhões manipulando mercados com acesso privilegiado às negociações. A Casa Branca nega, mas Teerã calculou o valor e pediu metade como compensação.
a ABC News viu a declaração anual do presida e revelou US$ 1,4 bilhão em cripto no ano passado - mais que o lucro de qualquer empresa cripto listada dos EUA, incluindo a Coinbase inteira (US$ 1,26 bi).
Ou seja, a Truth Social descobriu que o único produto que o mercado realmente quer não é sua rede social, é a boca do seu dono - e resolveu cobrar de quem menos delay.

DROPPED BY THEDROPS
Últimos dias de Copa!
Copa Drops está chegando ao final - junto com aquele outro campeonato que tá acontecendo ali nos EUA.

Domingo acaba a Copa do Mundo e pode ter certeza (100% na odd) que o vencedor vai comemorar cantando em espanhol. Outra Copa que acaba junto é a Copa Drops, que vai descobrir qual é a empresa mais Dropper do Brasil!
Ainda dá tempo: é só clicar aqui e indicar a galera da empresa para subir no ranking em busca do troféu!
E na semana 03 quem levou o prêmio (Meta RayBan) foi a jackelinenasc****@g****, que indicou 3 colegas de firma e agora vai deixar todo mundo no escritório com inveja.

STATS
US$ 15 bilhões
é quanto o Uber está pagando para adquirir pela alemã Delivery Hero, resultando na criação do maior grupo de entrega de alimentos fora da China.
Se aprovada pelos órgãos regulatórios, o novo conglomerado de delivery vai marcar presença em 99 países, com um valor bruto de mercadoria (GMV) combinado de +US$ 236 bilhões em 2025.

CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS
Robôs humanóides em fábricas
Robôs industriais instalados por 10.000 trabalhadores da indústria

via WSJ
O infográfico mostra a densidade global de robôs na indústria, com os 10 países com maior número de robôs implantados por 10.000 trabalhadores humanos.
A Coreia do Sul é a líder disparada, com a maior taxa per capita de adoção de robôs industriais do mundo - 1120, mais de 6x a média global.
Cingapura segue como vice-campeã com 818 robôs.
A maioria das outras nações industrializadas - incluindo Alemanha (449), Japão (446) e os EUA (307)- está significativamente atrás dos principais líderes.
A China parece modesta, mas é ilusão de denominador: são 166 robôs por 10 mil trabalhadores numa base de centenas de milhões - em volume absoluto, ninguém instala mais.
Moral da história: densidade de robô não mede quem tem mais tecnologia, mede onde o humano ficou caro. Coreia e Cingapura automatizam porque estão envelhecendo e o salário de chão de fábrica subiu.
E o Brasil? Fora da lista pelo motivo oposto: mão de obra ainda barata e juros que tornam qualquer capex proibitivo. Aqui o robô está competindo mais com a Selic que com o operário. Mas quando essa canoa virar, a mudança não será gradual, será de uma vez.

DROP LIKE IT'S HOT
[para jogar] um dos jogos de tabuleiro mais antigos do mundo.
[para se inspirar] Jensen Huang contando a história da Nvidia
[para automatizar] The Self-Driving Company, por Amjad Masad, do Replit
[para cinéfilos] como é o setup de “A Odisseia” no IMAX
[para reacender a vida] com esse processo do Tim Ferriss.

