EDIÇÃO #783 • 04/09/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom Dia, Dropper!

Hoje eu aprendi: que a Nvidia pagou US$ 12.930.300.000 para adquirir a HuggingFace e o valor é menos aleatório do que parece. O número 129.303 é a conversão decimal do ponto Unicode U+1F917, que é o código do emoji 🤗 (literalmente o nome e a logo da HuggingFace).

Final de semana estendido e TechDrops não chega na sua caixa de entrada no feriadão de segunda. Nos vemos novamente na quarta-feira. Enquanto isso, na edição de hoje, direto ao ponto:

Uber: a demissão em massa da gerência
Cybercab: os Ubers autônomos da Tesla
Trending: Mr Beast virou influencer do Google
Stats: R$ 100 mi da Nomad
Guerra de IA: a estratégia das big techs vs. startups
Contra Dados Não Há Argumentos: o drop da ciência da computação

LAYOFF

Uber: demissão em massa na gerência

tl;dr: A empresa está cortando ~3.400 funcionários para aumentar a eficiência e eliminar camadas intermediárias.

Com carro autônomo e corrida barata nas ruas americanas, a expectativa era de que os primeiros a perderem o trabalho seriam os motoristas. Mas o Uber acaba de demitir 10% de seus funcionários de escritório e mostrar que tem muita função sendo automatizada antes de a IA pegar o volante.

Com +34.000 funcionários globalmente, os 10% demitidos representam ~3.400 ex-membros que precisam atualizar o LinkedIn para #OpenToWork. Esse é o maior corte da empresa desde o começo da pandemia de Covid.

O CEO Dara Khosrowshahi disse, em carta aos funcionários, que o layoff foi feito para achatar as estruturas da gestão, com a eliminação de camadas intermediárias e a aceleração da tomada de decisão. No fim, tudo se resume na palavra de ordem dos layoffs: “eficiência”.

  • Reduzir em ~50% as equipes pequenas com um ou dois subordinados diretos.

  • Cortar em 20% o número de funcionários situados a sete níveis hierárquicos de distância do CEO.

  • Unir mais equipes e concentrar um número maior de funcionários em polos como Nova York e São Francisco.

  • 99% do quadro volta ao escritório e apenas 1% dos funcionários continuará trabalhando remotamente.

Apesar de não mencionar as duas letrinhas mágicas (IA), os cortes devem gerar economia de caixa e os planos incluem um investimento de US$ 10 bilhões em veículos autônomos nos próximos anos. E se a desculpa o discurso soa familiar, é porque não é novo:

Intel está reduzindo as camadas gerenciais pela metade, de 12 para seis.
Coinbase demitiu para não ter mais que 5 níveis de gestão abaixo da liderança.
Google reduziu em 35% o # de gerentes que supervisionam pequenas equipes.
Axon cortou centenas de cargos de gestão e realocou supervisores de pequenas equipes para funções de contribuição individual (IC).

MUNDO AFORA

→ Oura, o anel inteligente de monitoramento de saúde entrou na fila do IPO e revelou uma receita de US$ 1,21 bilhão nos 9 meses até junho.

→ Moonshot, o laboratório chinês de inteligência artificial também mandou a papelada para abrir capital na bolsa de Hong Kong.

→ Google escapou novamente. A big tech teve a terceira vitória no processo antitruste dos EUA que forçaria o desmembramento das divisões de tech e ads.

→ Microsoft avisou que o Xbox Cloud Gaming vai passar a ter limite de horas, com cobrança extra a partir daí, por causa do custo de compute.

→ OpenAI lançou o novo GPT-6-Astra e presidente Greg Brockman diz que ele marca a chegada da AGI.

MOBILIDADE

Cybercab: os Ubers autônomos da Tesla

tl;dr: Carro autônomo de Elon Musk pode funcionar como um Uber cooperado entre os compradores e a própria Tesla.

Se no Uber os motoristas ainda não estão sendo dispensados, na Tesla eles nem foram contratados. Elon Musk lançou ontem à noite o Cybercab: um carro elétrico autônomo sem volante e sem pedais. A cereja do bolo é que qualquer um pode comprar por ~US$30 mil, plugar na rede e deixar o carro trabalhar pelo dono.

Contexto: a Tesla quer operar o Cybercab como a Uber opera o motorista. Ela controla o app, a demanda e o preço da corrida, e fica com uma fatia de cada viagem. A diferença é que aqui o carro pode ser seu e o motorista não existe.

Diferente do Zoox (da Amazon) e do Waymo (do Google) que usam radares e laser LiDaR para criar mapas 3D do ambiente que vão navegar, os Cybercabs usam apenas redes neurais e câmeras para navegar, diminuindo o custo final.

Os Musk-fãs fizeram a matemática do quão lucrativo poderia ser caso você resolva se tornar um dono de uma frota de taxis cybercabs como profissão:

  • Preço do Cybercab: US$ 30.000

  • Rodagem: 400 km/dia, ou 146.000 km/ano

  • Tarifa: US$ 0,40/km → US$ 58.400 de bruto

  • Taxa da Tesla (30%): US$ 17.520

  • Custo operacional: US$ 27.740

  • Líquido por carro: US$ 13.140/ano

  • Carros pra chegar em US$ 1 milhão: 76

  • Investimento: US$ 2,28 milhões

  • Payback: em 27 meses

Por fim, fez a comparação de quanto seria necessário para chegar no mesmo US$ 1 milhão, mas usando o mercado imobiliário de San Francisco como estratégia:

  • Casa: US$ 1,5 milhão

  • Aluguel: US$ 4.200/mês, ou US$ 50.400/ano

  • Líquido depois de imposto, gestão e vacância: US$ 20.000/ano

  • Casas pra chegar em US$ 1 milhão: 50

  • Investimento: US$ 75 milhões

  • Payback: 75 anos

Antes dos fiscais da matemática entrarem em ação, a gente avisa: os números são estimativas aproximadas. Mas que já tem fila de interessados em colocar carro para trabalhar enquanto dormem, isso tem.

PS: é possível entrar na festa sem comprar os carros, apenas cedendo espaço físico para a instalação dos carregadores usados pelos Cybercabs.

TRENDING

MrBeast, o novo influencer do Google

Mr Beast, o maior criador do YouTube agora tem contrato multianual com o Google e o objetivo dele é fazer 500 milhões de inscritos acreditarem que o Gemini pode salvar vidas na selva.

Conhecido pelos vídeos de desafios inéditos, Jimmy Donaldson é o novo garoto-propaganda do Google. No vídeo de estreia amanhã (dia 5), vai promover a inteligência artificial do Gemini do jeitinho mais youtuber possível:

  • Colocou a equipe para sobrevoar a selva, o deserto e o ártico

  • A equipe usa apenas IA para identificar perigos e mudanças climáticas

  • Outras campanhas colocam Mr Beast planejando roteiros e logística dos vídeos usando o Gemini.

  • FitBit Air, a pulseira inteligente de monitoramento de saúde, chega depois

A contratação de Mr Beast teve o aval direto do chefão da empresa, o CEO Sundar Pichai e o timing e alcance explicam os motivos da parceria: contratar o maior criador de conteúdo da sua própria plataforma garante que ele permaneça dentro de casa e não fuja para algum concorrente (alô, Netflix, alô Bilibili)

PS: para evitar qualquer burburinho, o CEO da Beast Industries, disse que o Gemini não vai ser usado para criar conteúdo, só para pesquisa e viabilidade dos stunts.

BRASIL ADENTRO

→ Doroth, a deeptech piracicabense de Lab-on-a-Chip, capta R$ 23 milhões em rodada liderada pela Loccus, com recursos de fomento da Finep e da Fapesp

→ Vultus, a consultoria de cybersegurança, fruto da fusão da GC Security e a área de cyber da Falconi, capta rodada de R$ 8 milhões com investidor privado.

→ SolarMarket, a plataforma de gestão para integradores de energia solar, adquiriu o produto MultHub, software de automação de vendas pelo WhatsApp.

→ Passhub, plataforma para operação das agências de viagens, anuncia uma rodada de investimento de R$ 7,5 milhões, liderada pela Parceiro Ventures.

→ Magalu assinou para virar cliente de mais uma rival e agora vende direto no Mercado Livre.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

A arma do pricing na guerra de IA

tl;dr: Big techs e labs de IA adotam posturas diferentes para conquistar clientes com seus modelos.

Ontem foi dia de LollapalozIA, um festival com lançamentos de TODOS os maiores labs americanos de IA: o Google lançou o Flash, a Meta lançou o Spark, a Anthropic lançou o Fable e a OpenAI lançou o Astra. Mas enquanto o AiDrops contou o lado técnico da coisa, o TechDrops vai contar o lado estratégico:

Em 2023: um modelo era lançado a cada 2 meses.
Em 2024: um modelo era lançado a cada 3 semanas.
Em 2025: um modelo era lançado a cada 10 dias.
Em 2026: esta semana, quatro labs lançaram em 24 horas.

No fim do dia, quase todo modelo oferece as mesmas possibilidades e a IA tem cada dia mais cara de commodity. Aí o que faz qualquer pessoa ou empresa escolher um fornecedor é a estratégia que ele adota e cada uma luta com as armas que tem:

Big techs: “sua margem é minha oportunidade”

Tanto Meta quanto Google têm outras fontes de receita (ads), datacenters próprios (cloud) e chips próprios de inferência (MTIA e TPU). São também duas das marcas mais usadas do mundo e duas máquinas de gerar dados de treinamento.

→ A estratégia: preço como custo de aquisição, não como linha de receita. Oferecem o melhor custo-benefício, às custas do lucro e com bastante gordura para queimar antes de se preocupar com o caixa.

Startups: “qualidade acima de tudo”

Tanto a OpenAI quanto a Anthropic ainda não têm receita que não seja vender o próprio modelo, dependem de capital externo para alugar compute e entregam inferência em datacenters de terceiros (enquanto constroem os próprios).

→ A estratégia: o melhor produto do mercado, liderando o ranking dos benchmarks, custe o que custar ao cliente.

Como se a guerra pela liderança desse lado do mundo não fosse suficiente, ainda tem a estratégia adotada pelos chineses (DeepSeek, Qwen, Kimi e GLM) que não olham para margem, olham para distribuição com uma estratégia open-weight onde qualquer usuário pode baixar e rodar localmente, sem custo de assinatura e com qualidade muito próxima aos demais.

STATS

R$ 100 milhões

é quanto a Nomad está desembolsando para trazer a primeira unidade do Time Out Market para o Brasil no modelo de naming experience rights negociado com a revista Time Out.

Diferente de um shopping ou de uma praça de alimentação tradicional, o Time Out é um mercado gastronômico e cultural com curadoria editorial que nasceu em Lisboa e agora está presente em Dubai, Nova York, Cidade do Cabo, Osaka, Bahrein, Budapeste e outras, reunindo…

  • Restaurantes e chefs locais selecionados pela equipe editorial;

  • Operações menores de restaurantes famosos;

  • Bares, cafés e produtos típicos da cidade;

  • Grandes mesas compartilhadas;

  • Shows, exposições, eventos e experiências culturais;

  • Algumas lojas, cozinhas experimentais e espaços para eventos.

Essa não é a primeira aposta no mundo físico da fintech das contas internacionais, que já conta com o Nomad Lounge em Guarulhos e o Nomad Coffee no Consulado Americano.

Agora, o Nomad Time Out Market será a mídia de curadoria urbana, no coração da Avenida Paulista, que empresta a autoridade editorial e a audiência da revista e da fintech e transforma em um marketplace físico de gastronomia, cultura e entretenimento.

CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

O fim do boom dos cientistas da computação

Número de estudantes de Ciência da Computação na universidade ou faculdade

via FT

A Revolução Agrícola reduziu drasticamente o número de pessoas que trabalham no campo. Com a Inteligência Artificial revolucionando o campo da programação e do desenvolvimento, o número de pessoas estudando e graduando em ciências da computação começou a cair bruscamente.

Por uma década, estudar ciência da computação era a decisão mais fácil da vida de um adolescente, e a curva subiu como se não houvesse teto até 2024, quando a IA passou de um chatbot inteligente para um assistente executor capaz de produzir código com qualidade e velocidade quase impossível aos meros humanos.

DROP LIKE IT'S HOT

[para acreditar vendo] a Casa Branca lançou cinco jogos no seu site oficial - tem “flappy bird” da águia símbolo dos EUA e um “snake” do ICE.

[para rankear] as startups brasileiras pela aura (com +99k votos).

[para jogar] aprendendo com esse site que permite você “viver a vida” de algum dos +100 bilhões de humanos que habitaram nosso planeta.

O que achou da edição de hoje?

Lemos tudinho!

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