EDIÇÃO #784 • 09/09/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom Dia, Dropper!

Hoje eu aprendi: que o autor de um dos livros de finanças e autoajuda mais vendidos do mundo, Robert Kiyosaki, de Pai Rico, Pai Pobre’, tem uma dívida de US$ 1,2 bilhão!

No TechDrops de hoje, direto ao ponto:

Uber: as voltas que o mundo dá
• Le Mistral: o orgulho europeu de €21 bilhões
Trending: prova de Matemática, prêmio de Marketing
Palo Alto: Vibe-acquisitions de segurança
Stats: $700mi da HYROX

MOBILIDADE

As voltas que o mundo Uber dá.

tl;dr: Depois de anos brigando com taxistas, o Uber agora se junta aos antigos rivais para brigar com os apps de carros autônomos.

img via MorningBrew

Já imaginou a Netflix abrindo a sua própria Blockbuster lojinha de bairro para alugar filmes e séries? Provavelmente não. E o Uber se juntando aos taxistas contra um mal comum? Provavelmente não, mas está acontecendo: o Uber e os táxis estão se unindo para lutar contra os robotaxis autônomos.

A estratégia de expansão do Uber vivia sob o lema do “melhor pedir desculpa que licença”. Expandiu para novas cidades, travou batalhas jurídicas com legisladores e físicas contra taxistas e venceu nas +15.000 cidades em +70 países em que opera hoje.

O impacto da expansão nos Táxis podia ser resumido em “se não pode vencê-los, junte-se a eles”. Uma licença de táxi em NY que era vendida por +US$ 1 milhão há dez anos, hoje custa US$ 200 mil e os taxistas aceitam corridas dentro dos apps que um dia odiaram.

Mas os tempos são outros e os inimigos do Uber agora são os mesmos dos táxis:

  • O problema Waymo: os carros autônomos do Google iniciaram as operações pelo app do Uber, mas já têm o próprio aplicativo, licença para operar sua frota de +4.000 carros sem motoristas em 14 cidades e estão expandindo.

  • O problema Tesla: chegou na semana passada, com uma frota de 45 carros em uma cidade, mas oferece a oportunidade de usuários comprarem a própria frota de Cybercabs, operadas autonomamente pela Tesla, que divide a receita gerada com os sócios proprietários.

  • O problema Zoox: a subsidiária da Amazon opera veículos sem volante nem pedais (como os Cybercabs), já opera em áreas restritas de Las Vegas e São Francisco, com plano de expansão pra Austin e Miami.

Agora o Financial Times descobriu que a Uber está colaborando com sindicatos de motoristas para frear a operação de robotáxis em algumas cidades americanas - tem até proposta para obrigar os robotáxis a terem motoristas humanos ao volante em 85% das corridas durante um projeto-piloto de três anos.

O Uber passou anos gritando que a regulamentação sufoca a inovação. Agora está sendo sufocado pela própria falta de inovação e pedindo socorro à regulamentação.

MUNDO AFORA

→ Meta lançou o Muse, seu próprio agente superinteligente de IA que pode acessar outros apps, mandar emails, realizar pagamentos, etc.

→ Google vai pegar empréstimo de US$ 1,9 bilhão com o governo americano para reviver usina nuclear.

→ Liquid Network, a sidechain para BTC, teve US$ 340 milhões roubados, mas o hacker autoentitulado ético e vai devolver quando brechas forem corrigidas.

→ Exploration Company, a rival europeia-alemã da SpaceX, capta rodada de US$450 milhões para levar carga da Terra para o espaço.

→ Cognition AI, a startup por trás do agente Devin, levanta uma bolada série E de US$2 bilhões a um valuation de US$48 bilhões.

→ Crusoe, a startup construindo e operando data centers de IA com foco proprietário em energia, triplicou o seu valuation em uma rodada de US$ 3 bi.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Le Mistral: o orgulho europeu de €21 bilhões

tl;dr: A startup francesa levantou uma rodada de € 3 bilhões para financiar seus data centers perto de Paris.

A Guerra Fria das IAs é entre China e EUA, mas no meio do caminho tem uma startup criando modelos made-in-france, que acaba de captar uma rodada série D de € 3 bilhões. Essa é a Mistral, o suspiro de soberania europeia, que ainda leva o título da maior rodada de captação já realizada por uma empresa tech do Velho Continente.

Enquanto as concorrentes americanas (OAI, Ant) apostam em modelos fechados e desenvolvem infra proprietária, a parisiense Mistral disponibiliza seus modelos abertos e fecha parcerias para expandir a infra (com a holandesa ASML, por exemplo).

Para relembrar rapidamente os 36 meses de vida da jovem Mistral:

  • 2023, junho: captou uma rodada seed de € 105 milhões a um valuation de € 240 milhões com a Lightspeed, ainda antes de lançar o primeiro modelo.

  • 2023, dezembro: rodada série A de € 385 milhões a um valuation de € 2 bi, liderada pela americana a16z.

  • 2024, fevereiro: a Microsoft decide entrar com uma convertible note de € 15 milhões, que vira ação na próxima rodada.

  • 2024, junho: uma série B de € 600 milhões a um valuation de € 5,8 bilhões, dessa vez com a General Catalyst.

  • 2025, setembro: agora com 350 funcionários em 6 escritórios, a rodada série C trouxe € 1,7 bi a um valuation de € 11,7 bi, liderada pela ASML.

  • 2026, março: um empréstimo de US$ 830 milhões para comprar chips Nvidia e construir o próprio data center próximo de Paris.

  • 2026, setembro: chega a rodada série D, colocando €3 bilhões nos cofres, a um valuation de € 21 bi com a Samsung e Scaleup Europe Fund.

A captação de agora é maior do que as quatro primeiras rodadas juntas e o motivo é bem simples: a Mistral quer construir seus data centers ao redor de Paris e o custo de infraestrutura está bem longe de ser barato.

Mas a grana não entra só pelos bolsos fundos dos investidores. O co-founder e CEO, Arthur Mensch, disse que a receita recorrente anual (ARR) deve chegar ao primeiro bilhão de euros esse ano, graças à carteira de clientes com 41% das empresas Fortune Global 500 sediadas na UE.

TRENDING

A prova de Matemática, o prêmio de Marketing

O prêmio para quem terminasse uma prova matemática nunca antes resolvida era de US$ 1 milhão. Dois pesquisadores gastaram mais de um ano tentando, até a OpenAI ficar sabendo que um deles era da Anthropic e gastar milhões de dólares para terminar antes – já que, mais que o prêmio, o importante era o crédito.

Na terça (8), a OpenAI anunciou que um modelo interno resolveu o Navier-Stokes, um dos sete Millennium Prize Problems do Clay Institute - as equações que descrevem como fluidos se movem e que ninguém tinha fechado em cerca de 90 anos.

Mas o método foi menos elegante do que o resultado:

  • 10 mil agentes rodando em paralelo.

  • 88 horas até a resolução, mais 17 de formalização.

  • 2,7 milhões de mensagens trocadas entre agentes.

  • 130 bilhões de tokens de output só nesse problema.

  • 15 milhões de dólares de custo estimado.

A OpenAI decidiu não reivindicar o prêmio milionário. Menos por humildade, mais por conveniência, já que os dois pesquisadores que atacavam a mesma rota há mais de um ano, usando o Claude e Codex, com capital do próprio bolso, estão acusando a OpenAI de furar a fila.

1/set: a OpenAI ouve um rumor e monta o esforço.
3/set: o pesquisador Buckmaster avisa que vai publicar.
5/set: os agentes da OpenAI chegam ao resultado.
6/set: em uma call de domingo, a OpenAI convida Buckmaster a publicar sozinho, creditando o modelo da OpenAI, sem citar Alpöge na autoria.
6/set: Buckmaster recusa e ameaça ir a público; a OpenAI responde “por que você arruinaria a sua carreira?”.

Ninguém vai levar o milhão. A prova de Matemática ainda depende de validação, mas o prêmio de Marketing já foi para quem saiu nas manchetes do NYT, BBC, etc.

BRASIL ADENTRO

→ Simbiose Digital, a plataforma de IA para atendimento comercial de imóveis, é adquirida pela holding netspaces por R$ 7 milhões.

→ Hit, o aplicativo das terapias holísticas e saúde integrativa, capta rodada de valor não revelado com investidores da GV-Angels.

DROPPED BY ELEVENLABS

Einstein voltou pra sala de aula

Provavelmente Einstein nunca disse aquela frase motivacional que você viu num post de autoajuda.

  • Pra colocar as palavras certas na boca do físico mais famoso do mundo, a ElevenLabs em parceria com a CMG Worldwide e a Universidade Hebraica de Jerusalém, criou um agente de voz com base nos arquivos de Einstein. É possível ouvir sobre a Teoria da Relatividade e explorar conceitos científicos.

Além disso, mais de 100 educadores de instituições como Harvard, NYU, Cornell e UCL já fazem parte do programa de acesso gratuito ao Voice AI da Elevenlabs. O aluno interage, pergunta e aprofunda, ampliando a acessibilidade e interatividade na educação.

Descubra o que mais dá pra criar com o Voice AI aqui →

CYBERSEGURANÇA

Palo Alto: as vibe-acquisitions

tl;dr: Maior empresa de cybersegurança do mundo segue comprando soluções para se tornar o Posto Ipiranga do setor.

img via Quasi

A mesma IA que promete multiplicar a produtividade da sua empresa também está multiplicando a capacidade dos hackers e a sede por aquisições da maior empresa puramente de cibersegurança do mundo: a Palo Alto já desembolsou +US$ 25 bilhões comprando seis diferentes startups este ano.

A era do CAPTCHA barrando mal-intencionados das suas aplicações acabou. Agora a coisa só piora: espionagem automatizada, ferramentas comprometendo equipamentos, modelos encontrando falhas mais rápido do que é possível corrigi-las, agentes driblando barreiras…

Se tem ameaça, alguém precisa proteger quem fica vulnerável e é nessa tese que a Palo Alto se baseia para transformar a urgência de se defender em demanda. Para isso, ao invés de vibe-codar as próprias soluções, ela está vibe-adquirindo startups prontas:

  • Chronosphere, que monitora aplicações e infraestrutura em nuvem para identificar falhas, lentidão e suas causas, foi comprada por ~US$ 3 bi.

  • CyberArk, que protege credenciais e controla o acesso de pessoas, máquinas e agentes a sistemas, foi comprada por ~US$ 21 bi.

  • Koi, que identifica riscos em softwares, extensões e agentes de IA instalados nos computadores da empresa, foi comprada por ~US$ 230 mi.

  • Portkey, que gerencia as conexões entre aplicações e modelos de IA, controlando acesso, uso, custos e confiabilidade, adquirida por ~US$ 140 mi.

  • Embrace, que monitora a experiência real dos usuários, detectando travamentos, erros e lentidões, foi comprada por valor não divulgado.

  • Console, que usa agentes de IA para automatizar suporte de TI, resolver solicitações e executar tarefas operacionais, foi comprada por US$ 500 mi.

Tem grana saindo, mas tem grana entrando: a Palo Alto fechou o último trimestre com lucro de US$ 853 milhões, puxada pela recorrência dos serviços de assinatura.

O plano é se tornar o one-stop-shop da cybersegurança o quanto antes. Afinal, apesar de ninguém saber ao certo o tamanho da ameaça representada pela capacidade dos novos modelos de IA, todo mundo tem certeza que precisará de muito mais segurança do que hoje.

STATS

US$ 700 milhões

é o valor que a L Catterton está pagando pela HYROX. Sim, uma das maiores private equities do mundo está comprando o novo crossfit a competição global de condicionamento físico.

  • HYROX: fundada em 2017 por Christian Toetzke e Moritz Furste, que organizam eventos de fitness indoor misturando 8 km de corrida com oito estações de exercícios e geram receita com inscrições nas provas, licenciamento para academias parceiras, patrocínios e venda de produtos.

  • L Catterton: fundada em 1989, essa gestora ligada à LVMH já realizou +300 investimentos em marcas de consumo e hoje tem ~US$ 40 bilhões de ativos sob gestão.

Mas se você achava que gente sarada sem camisa empurrando pneu não gerava lucro, achou errado. Além de uma legião de fãs que participam de +100 eventos pelo mundo, a marca gerou US$ 156 milhões de receita no ano passado com um EBITDA de ~US$ 35 milhões. Para esse ano, a projeção é de faturar US$ 270 milhões com as provas.

CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

Quem cresceu mais rápido na história…

Quantos dias cada um levou para chegar ao primeiro milhão de usuários.

DROP LIKE IT'S HOT

[para ler] The Cognitive Revolution - when machines do the thinking.

[para aprender] How to force your brain to crave doing hard things.

[para Vorcaro] um simulador do whatsapp com todas mensagens trocadas pelo ex-ceo do Banco Master.

[ para refletir] The brain may be about to have its Ozempic moment.

O que achou da edição de hoje?

Lemos tudinho!

Login or Subscribe to participate

Reply

Avatar

or to participate