EDIÇÃO #793 • 30/09/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom Dia, Dropper!

Hoje eu aprendi: que o Shopify pagou US$ 100 milhões para finalmente se tornar dono do domínio Shop.com - uma das transações de compra-venda mais caras da história. Ainda na terra dos domínios, ontem a OpenAI lançava o seu novo produto Dots e a concorrente SpaceXAI aproveitou para comprar o domínio Dot.com para direcionar os visitantes para o Grok Bot.

No TechDrops de hoje, direto ao ponto:

• SpaceX: reconstruindo a internet do mundo
•︎ Anthropic: abrindo os livros pré-IPO
•︎ Trending: OpenAI contra todos
•︎ Meta: colocou o terno e mirou no enterprise
•︎ Stats: US$ 150 bilhões da Nvidia
•︎ Contra Dados Não Há Argumentos: podcasts no Brasil

INFRA

SpaceX: reconstruindo a internet do mundo

TL;DR: O maior foguete do mundo chegou à órbita pela primeira vez levando satélites com ~1% da banda de internet do planeta.

Sim, essa foto é real oficial.

Entre em um elevador, aperte o número 40, suba ~125 metros de altura e olhe para baixo. Essa é a altura do Starship, o maior foguete do mundo - que na segunda-feira decolou da sua base no Texas e entrou em órbita pela primeira vez!

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SpaceX, a empresa espacial, de data centers, de IA e de telecomunicações de Elon Musk investiu +US$ 15 bilhões na construção do Starship, que precisou de 14 voos de testes para ajustar todos os detalhes antes de finalmente entrar em órbita.

Colocar um foguete desse tamanho no espaço não tem a ver com a megalomania do CEO, a questão é muito mais ligada à eficiência no transporte de cargas para o espaço:

  • Escala: o primeiro voo já colocou 26 satélites da nova geração da Starlink (V3) em órbita, somando 26 terabits por segundo de capacidade à rede atual. Isso é 10x a capacidade de um lançamento do combo “Falcon 9 + satélites da geração anterior”.

  • Ambição: com a meta de levar ~60 satélites por viagem, um único lançamento pode acrescentar aproximadamente 20x mais capacidade à rede do que um Falcon 9.

Traduzindo: um único lançamento colocou em órbita cerca de 1% da banda internacional de internet do planeta. A conta de padeiro nerd:

→ 26 satélites × 1 Tbps = 26 Tbps de capacidade.
→ Banda internacional de internet este ano é de 2.259 Tbps.
→ (26 ÷ 2.259) × 100 = 1,15%.

É uma comparação de escala, não de tráfego já atendido. Agora imagine repetir isso com 60 satélites por viagem, lançamento após lançamento.

É essa a ambição de Musk: fazer a Starlink carregar a maioria do tráfego da internet mundial. Nas palavras dele, a rede se tornaria a própria internet - e todo o resto se conectaria a ela. Primeiro com as conexões, depois levando os próprios data centers para a órbita da Terra.

MUNDO AFORA

→ AMD compra a World Labs, o lab de modelos de mundo para treinamento de robôs e simuladores, por US$ 8,2 bilhões - e a founder Fei-Fei Li vai junto.

→ Instinct, a startup por trás do agente com o mesmo nome, captou US$ 1 bilhão a um valuation de US$ 10 bilhões

→ OpenAI acelera forte no setor B2B, reduz a vantagem da Anthropic e já soma US$ 70 bilhões de ARR.

→ Oura, a criadora dos anéis inteligentes Oura Ring, vai atrasar o próprio IPO por causa de “incertezas no mercado”.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Anthropic: abrindo os livros pré-IPO

TL;DR: o laboratório de IA por trás do Claude precisou mostrar as finanças oficialmente pela primeira vez, e chocou.

Uma empresa que chega no IPO quer ter acesso a mais dinheiro para continuar crescendo. Ao mesmo tempo, o mundo todo tem acesso aos dados dessa empresa para decidir se quer ajudá-la a continuar crescendo. No caso da Anthropic, o prospectus - o documento que abre o capô da startup - acaba de cair na net Reuters.

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Resultados financeiros de 2025:

↑ Receita: ~US$ 4,6 bilhões, alta de 1.088% em relação aos US$ 386 milhões do ano anterior.

↓ Prejuízo líquido (GAAP): ~US$ 42 bilhões, um aumento de 405% contra os US$ 8,31 bilhões do ano anterior.

= Resultado: um prejuízo quase 10x maior que o faturamento.

Tão impressionante quanto o crescimento da receita é o crescimento dos gastos. Mas traduzindo para quem não fala financês:

  • A conta: para cada US$ 1 faturado pelos Claudes, a Anthropic gasta US$ 2,76. - ou seja, vender mais não significa que a conta fecha.

  • A infra: é a grande vilã da história. Computação e infraestrutura custaram US$ 7,33 bilhões, mais que todo o faturamento (cerca de US$ 1,60 para cada US$ 1 de receita).

  • O boleto: não está diminuindo. A empresa declarou US$ 518 bilhões em compromissos futuros com nuvem, computação e infra para os próximos anos.

  • A dependência: quase 1/4 de todas as vendas vem de apenas dois clientes, que respondem por 12% da receita cada, e não possuem contratos de longo prazo.

  • O preju operacional: aí tem uma pegadinha. Do prejuízo total, US$ 34 bilhões vieram da reavaliação de financiamentos que podem virar ações da empresa, um ajuste que pesa no balanço, mas não tira dinheiro do caixa. Descontado isso, a operação fechou 2025 com prejuízo de US$ 8,06 bilhões.

Dario Amodei e cia sonham com uma estreia na Bolsa chegando aos US$ 2 trilhões, num valor ancorado no que a empresa promete entregar, não somente nos resultados de hoje - como todo IPO.

Depois da estreia, qualquer investidor comum com acesso à bolsa americana poderá comprar um pedacinho da dona do Claude. Se isso vai dar retorno, depende de uma conta que ela ainda precisa fechar: transformar a demanda por IA em lucro.

TRENDING

OpenAI contra todos

A OpenAI subiu ao palco do DevDay com modelo novo, mas sem a estrela da noite: o GPT mais poderoso ficou na gaveta por ser "perigoso demais", e vai precisar de mais guardrails antes de continuar o próprio treinamento. Para compensar, Sam Altman abriu quatro frentes de guerra de uma vez:

  • Contra a Meta: lançou os Dots, agentes que trabalham em segundo plano com computador próprio na nuvem e acesso a mais de 4 mil apps, chegam três semanas depois do Muse, com a mesma proposta e foco no trabalho.

  • Contra a Microsoft: o ChatGPT ganhou Pages (editor de texto), Slides colaborativos e Space, um ambiente compartilhado entre colegas e agentes. É uma suíte de escritório com outro nome.

  • Contra as app stores: com 1,2 bilhão de usuários semanais, o ChatGPT agora sugere e roda apps no meio da conversa, tem login próprio e uma loja corporativa com mais de 30 parceiros. Só falta o sistema de cobrança.

  • Contra o Zapier, n8n e Make: agora um e-mail, mensagem ou tarefa pode disparar trabalho no ChatGPT sem alguém precisar pedir - disputando diretamente a automação de processos entre aplicativos.

O modelo mais forte ficou no laboratório, mas o recado saiu do palco: a OpenAI não quer mais ser só o melhor chatbot, quer ser o lugar onde o trabalho acontece.

DROPPED BY ELEVENLABS

Meditação com voz artificial natural

Você prefere: ter sua meditação guiada por uma voz robotizada ou em um idioma que você não entende?

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Pra Headspace, nenhuma dessas era uma opção. A líder global em mindfulness encontrou a iluminação solução com a ElevenProductions. O resultado foi mais de 30 horas de conteúdo original que viraram 93 horas em 3 novos idiomas - e tem mais 9 na fila. Localização com revisão humana, vozes personalizadas e engenharia de áudio para parecer e soar natural.

O maior desafio não era só traduzir e trocar a voz. Era garantir tom, ritmo e as nuances da fala pra manter uma experiência que faz você dormir de Roma até Montreal.

BUSINESS

Meta: colocou o terno e mirou no enterprise

TL;DR: A Meta lançou um pacote de IA para empresas e quer vender mais do que anúncios.

O império de US$ 2 trilhões da Meta foi construído em cima de quase 4 bilhões de usuários de redes sociais, gerando quase US$ 200 bilhões de receita em ads. Mas vendo que a grana do futuro está na IA e que os cheques com mais zeros estão no B2B, Zuck vestiu o terninho e chegou com tudo no mundo dos negócios com a Meta Enterprise Platform.

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Para liderar as vendas para empresas, Mark recrutou ninguém menos que Dev Ittycheria, CEO da MongoDB, plataforma de banco de dados NoSQL - que perdeu cerca de 20% do valor de mercado da noite para o dia com a notícia.

Já faz quase 10 anos que Zuckerberg soltou a clássica "Senator, We Run Ads". Esse ainda é o canal de receita mais relevante da empresa-mãe do Facebook, Instagram e WhatsApp, mas aos poucos ela se transforma em um negócio que também oferece assinaturas e serviços a clientes corporativos.

O primeiro pacotão enterprise da Meta vai incluir:

1. Muse, o braço direito para tocar o negócio
O agente de IA cruza vendas, campanhas e finanças para sugerir melhorias e apontar gastos fora da curva. Se conecta a ferramentas como Slack, Notion, Canva e Shopify

2. Meta Business Agent, o vendedor e atendimento no mesmo chat
Atende via WhatsApp, Instagram e Messenger, 24h por dia, no tom da marca. Recomenda produtos, qualifica leads, agenda horários e fecha vendas - e ainda resume conversas e passa a bola para um humano quando necessário.

3. Muse API, a IA da Meta dentro de outros produtos
Permite que desenvolvedores usem os modelos da Meta em seus próprios apps e agentes, com busca na web, geração de imagens, transcrição de áudio e análise visual. A cobrança é por uso, e o preço varia conforme o dev permita ou não que seus dados sejam usados para treinamento.

4. Muse Code, um time de programação no terminal
Escreve código, corrige bugs e ajuda a colocar software de pé. Divide o trabalho entre agentes: uns executam, outros revisam. Aceita imagens, vídeos e voz, com planos para diferentes volumes de uso.

5. Segurança e infraestrutura, os bastidores da operação
O Muse trabalha em um computador isolado na nuvem, com credenciais protegidas e permissões controladas- com uma versão futura que promete impedir até a Meta de acessar os dados.

A Meta anunciou o guarda-chuva e os benefícios. Já o preço, a disponibilidade e o que entra em cada pacote empresarial ficaram para um outro momento.

BRASIL ADENTRO

→ Skalar, a fintech financiando o custo de aquisição de clientes (CAC) das startups, reproduzindo o modelo do Customer Value Fund da General Catalyst, capta rodada com a Monashees

→ Santé, a biotech usando algoritmos para cruzar dados epidemiológicos e ambientais para mensurar e monitorar o risco de doenças infecciosas, foi selecionada para o Safe Haus, programa de aceleração de biotechs de San Francisco.

→ TQS, a startup usando IA para fazer calculo estrutural em prédios altos e estruturas complexas, capta rodada de R$ 25 milhões com o BNDES.

STATS

US$ 150 bilhões

foi quanto a Nvidia decidiu gastar recomprando as próprias ações, puxando o total autorizado para US$ 235 bilhões e sendo coroada como o maior programa de stock buybacks da história moderna:

1. Nvidia $150B (2026)
2. Apple $110B (2024)
3. Apple $100B (2018)
4. Apple $100B (2025)
5. Apple $100B (2026)
6. Apple $90B (2021)
7. Apple $90B (2022)
8. Apple $90B (2023)
9. Nvidia $80B (2026)
10. Apple $75B (2019)

Se ainda não ficou claro o tamanho do cheque, as maiores empresas do Brasil em valor de mercado são:

Petrobras: US$ 133 bilhões (1,13x Petrobras)
Itaú: US$ 88 bilhões (1,7x Itaús)
Nubank: US$ 59 bilhões (2,5x Nubanks)
Vale: US$ 58 bilhões (2,5x Vales)

via WSJ

CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

O tamanho dos podcasts no Brasil

Nada menos que 7 mil novos podcasts foram lançados no mundo em agosto deste ano, e 373 deles eram brasileiros. Ao mesmo tempo, o planeta tem 548 mil podcasts ativos (que publicaram algum episódio nos últimos 90 dias), dos quais 9.317 estão no Brasil.

Colocando lado a lado: de cada 59 podcasts ativos no mundo, um é brasileiro. Já entre os lançamentos do mês: é 1 brasileiro em cada 19 estreias mundiais. Ou seja: o Brasil ainda tem uma fatia pequena do catálogo global, mas está estreando podcasts num ritmo três vezes maior do que o seu tamanho sugere.

Por onde você costuma ouvir seus podcasts favoritos?

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DROP LIKE IT'S HOT

[para assistir] ao keynote completo da OpenAI no DevDay de ontem.

[para acompanhar] o que Mark Zuckerberg quer para o futuro da Meta e do Mundo.

[para ler] o artigo de Fei-Fei Li sobre se juntar à trilionária AMD.

O que achou da edição de hoje?

Lemos tudinho!

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